Charles Parker Jr. ( 1920 —  1955) foi um saxofonista americano de jazz e compositor. No início da sua carreira, Parker foi apelidado de Yardbird; esse apelido mais tarde foi encurtado para Bird e permaneceu como o apelido de Parker para o resto da sua vida.

 

 

Parker é comumente considerado um dos melhores músicos de jazz. Em termos de influência e impacto, sua contribuição foi tão significativa que Charles Mingus comentou que se Bird fosse vivo hoje, ele poderia pensar que estava vivendo em uma parede de espelhos. O talento de Bird é comparado, quase sem argumentos, com músicos lendários tais como Louis Armstrong e Duke Ellington. Sua reputação como um dos melhores saxofonistas é tal que alguns críticos dizem que ele é insuperável; o crítico de jazz Scott Yanow fala por muitos fãs do jazz e músicos, quando sugere que “Parker foi indubitavelmente o melhor saxofonista de todos os tempos.”

Álbum conta a vida de Charlie Parker – Musique pour tout le mondeParker tornou-se um ícone para a geração do Beat, e foi uma figura-chave no desenvolvimento conceptivo do jazz como um artista descompromissado e intelectual, ao invés de apenas um entretenedor popular. Por várias vezes, Parker fundiu o jazz com outros estilos musicais, do clássico (buscando estudar com Edgard Varese e Stefan Wolpe) à música latina (gravando com Machito), abrindo um caminho seguido mais tarde por outros.

Com absoluto domínio técnico de seu instrumento, Parker era um virtuose consumado, que conseguia combinar a mais complexa organização harmônica, rítmica e melódica com uma clareza muito rara de encontrar em instrumentistas anteriores ou posteriores à sua atuação.

Para Parker, improvisar não era simplesmente tomar uma melodia original e construir variações sobre ela. Quando o saxofonista pegava um tema qualquer como base para criar, o que o interessava não era a melodia, e sim a harmonia. Era o esqueleto harmônico do tema original que ele utilizava como ponto de partida e estímulo para suas digressões, nas quais uma mescla cativante de garra e fantasia constituía a regra.

Foi assim que, no pós-guerra, ao lado do trompetista Dizzy Gillespie, Parker tornou-se um dos fundadores do bebop, o novo estilo sofisticado com o qual o jazz se tornaria definitivamente música “para ouvir”, substituindo a música “para dançar” que havia sido a marca do swing jazz das big bands dos anos 1930 e 1940.

Clint Eastwood – Wikipédia, a enciclopédia livreConsumido pelo álcool e pelas drogas, Parker teve uma existência breve e trágica, que inspirou criadores como o escritor argentino Julio Cortázar (que se inspirou nele para delinear o personagem central do conto “O Perseguidor”) e o cineasta Clint Eastwood (que recebeu seu primeiro Globo de Ouro com o filme “Bird”, de 1988, estrelado por Forest Whitaker, o qual, por sua vez, levou o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes graças a este trabalho).

Durante sua vida, Parker foi usuário de álcool, maconha e, sobretudo, heroína desde os dezesseis anos. Sofrendo de problemas de saúde relacionados ao coração e à úlcera crônica, Parker justificava seu consumo como uma fonte de alívio da dor física causada por tais complicações.

Em agosto de 1954, movido pelo luto causado pela morte prematura de sua filha de 2 anos, que sofria de fibrose cística e problemas cardíacos congênitos, Charlie Parker tentou o suicídio pela ingestão de medicamentos. Entretanto, foi socorrido a tempo pela esposa, sendo em seguida internado para desintoxicação até outubro de 1954.

Faleceu em 12 de março de 1955, acometido por um ataque cardíaco enquanto assistia a uma apresentação de jazz na televisão. Encontra-se sepultado no Cemitério Lincoln, Kansas City, Missouri nos Estados Unidos.

Tudo que veio depois dele no gênero, em termos criativos, está a ele associado: o hard-bop de John Coltrane, o free-jazz de Ornette Coleman, o fusion de Miles Davis, a cena downtown nova-iorquina de John Zorn… Até mesmo o revivalismo da tradição jazzística dos young lions, capitaneados pelo trompetista Wynton Marsalis, dá a Charlie Parker o devido crédito de ser revolucionário.

Olhando para o jazz de hoje há de se imaginar que Bird tenha se desvanecido na atmosfera. Isso, claro, é uma inverdade: desde os anos 1990, tocam temas como “Ah-Leu-Cha”, “Barbados”, “Laird Baird” como nunca haviam tocado.

A despeito de toda sua vida destrutiva e sobrecarregada, Charlie Parker ainda é visto como o ícone da contracultura musical, o ídolo inatingível cuja força espiritual jamais será abatida.

Há muitas formas de se aprender com Bird, o músico que definiu uma rota que ainda está muito longe de chegar ao fim.

 

Fonte: Wikipedia  Chalie Parker

 

Fonte Alternativa : Na Mira do Groove