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A  COSTA  DO  CACAU   (Parte I)

 

Resultado de imagem para a costa do cacauA Costa do Cacau é um trecho do litoral sul da Bahia, localizado a cerca de 450 km de Salvador, composta por oito municípios: ItacaréUruçucaIlhéusItabunaOlivençaUnaSanta Luzia e Canavieiras. Região agraciada com praias paradisíacas cercadas por falésias e coqueirais, além das áreas preservadas de Mata Atlântica. Muitas praias ainda são intocadas, pontilhadas de coqueiros e ladeadas por densos manguezais.
Por isso, o turismo ecológico cada vez ganha mais força na região.

Esta é uma ótima opção de destino para quem deseja ficar em contato direto com a natureza e para os amantes do ecoturismo, já que no sul da Bahia estão as principais áreas de preservação da Mata Atlântica no nordeste, além de uma rica fauna marinha nos arrecifes da região, o que inclui cerca de vinte espécies de peixes só existentes no litoral sul da Bahia.

A cultura do cacau foi introduzida nessa região do Sul da Bahia em meados do século XVIII (ver História do Cacau na Bahia), e por dois séculos foi a principal atividade econômica da região.

 

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ILHÉUS

A cidade histórica de Ilhéus, uma das mais antigas do Brasil, é o ponto de partida ideal para explorar todas as belezas da Costa do Cacau.  Principal cidade da região, preserva a arquitetura dessa época de opulência, com ruas de pedras, igrejas e casarões antigos. A cidade foi palco de diversas obras artísticas, incluindo filmes, novelas e boa parte dos romances imortalizados por Jorge Amado.

No século XVI, com a descoberta do Brasil pelos portugueses, o rei D. João III de Portugal doou vasta extensão de terra, com mil metros de largura ao donatário, Jorge de Figueiredo Correia, escrivão da Corte real. A carta da doação da Capitania de Ilhéus foi assinada em Évora (Portugal), a 25 de junho de 1534.

Jorge de Figueiredo doou pedaços de terra que se chamavam sesmarias a diversas figuras importantes do reino e, em 1537, doou uma sesmaria, que foi chamada de Engenho de Santa Maria (onde hoje em dia está localizado o povoado de Rio do Engenho) a Mem de Sá, que seria o terceiro governador-geral do Brasil.

Resultado de imagem para ilhéusFoi na segunda metade do século XIX que se iniciou o plantio de cacau. As primeiras sementes foram trazidas do Pará – pois o cacau é planta nativa da região amazônica – pelo francês Louis Frédéric Warneaux e plantadas na fazenda Cubículo, às margens do Rio Pardo, hoje município de Canavieiras. Antes dessa época, não se tinha conhecimento da importância do chocolate na alimentação e só se pensava em cultivar a cana-de-açúcar, que era o que rendia mais. Por tal motivo, um dos programas obrigatórios em Ilhéus é uma visita agendada a uma das várias Fazendas de Cacau.

Em 28 de Julho de 1881, Ilhéus foi elevada à categoria de cidade , numa ação referendada pelo Marquês de Paranaguá.

Paralelamente, o governo doava terras a quem quisesse plantar cacau. Aportaram em Ilhéus: sergipanos, nordestinos e pessoas fugindo das secas do Nordeste, do próprio estado e de todo o,lugar. Em dez anos, a população cresceu de forma explosiva. Nesta época começaram a se construir belos edifícios públicos como o Palácio de Paranaguá, construído em 1907, em estilo neoclássico, no mesmo local onde existiam as ruínas de um colégio de jesuítas e que hoje é sede da Prefeitura de Ilhéus e sem dúvida uma das mais belas edificações da cidade; belas casas como a do Coronel Misael Tavares e a da família Berbert, uma cópia do Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, e muitos outros belos prédios, ainda preservados na arquitetura local do centro histórico de Ilhéus.

Na década de 1920, Ilhéus fervilhava de pessoas, de dinheiro, de luxo e riqueza. É dessa época a construção do “Ilhéos Hotel”, o primeiro com elevador no interior do Nordeste e o Teatro Municipal, hoje reformado.

A partir de meados da década de 1980, a cultura cacaueira iniciou seu declínio, deixando de apresentar seu principal atrativo. Gradativamente, foi despertando a vocação para o turismo, além de ter sido implantado um polo industrial para a produção de equipamentos de informática.

Resultado de imagem para catedral de são sebastião ilhéusAs lembranças dessa época de fausto estão bem presentes no Centro Histórico com todos os casarões e edifícios históricos ainda presentes e com a presença imponente da Catedral de São Sebastião, cuja construção foi iniciada em 1927 no local onde foi demolida a capela homônima e terminada em 1967. Também em estilo neoclássico, a catedral é o cartão postal da cidade de São Jorge de Ilhéus. De fato, o tamanho da igreja impressiona. Ela tem, em sua abóbada principal, 48 metros de altura. No que pese não poder ser considerada um primor de arquitetura, tem um enorme valor cultural, pelo que representa para a sociedade local e para a atividade turística do município.

Resultado de imagem para bar vesúvio ilhéusOs antigos pontos de encontro dos ricos comerciantes também permanecem em pé, nas imediações da Catedral, como o Bar Vesúvio e o Cabaré Bataclan. Conta uma lenda local, que até hoje é transmitida pelas tradições locais e encenada diariamente no local por um performista,  que os antigos barões e coronéis do cacau costumavam levar suas esposas às missas e novenas da Catedral enquanto diziam aguardar o final dos ofícios inocentemente sentados nas cadeiras do Vesúvio. Enquanto isso, esgueiravam-se sorrateiramente pelas traseiras do bar que dava fundo para o cabaré, onde houvera sido construída uma providencial entrada de “emergência” para que os espertos varões pudessem proceder a seus ofícios bem mais pagãos e retornassem ao Vesúvio ostentando angelical inocência pouco antes do término dos ofícios religiosos de suas consortes. Hahahahahaha. Lenda ou verdade, o certo é que o antigo cabaré foi incendiado pelas injuriadas senhoras, logo que o artifício foi descoberto, e teve que ser reconstruído, posteriormente.

Tanto o Vesúvio quanto o Bataclan estão presentes nas obras do ilustre filho adotivo da cidade, o escritor Jorge Amado. Em sua homenagem, que tão pitorescamente retratou as belezas, os costumes e as histórias da cidade, a residência onde ele passou a infância foi transformada em Casa de Cultura.

Já no quesito praias, a melhor opção na cidade é a imensa extensão de praia lotada de cabanas, denominada Praia dos Milionários, no Litoral Sul.

O Brasil pode ter sido descoberto mais ao sul, em Porto Seguro, mas foi imaginado em Ilhéus. Sem Jorge Amado, seus pescadores, suas quengas e sua elite do cacau, o país certamente teria uma ideia muito menos colorida de si mesmo.

Resultado de imagem para lagoa encantadaAinda em Ilheús, não deixe de programar um passeio à Lagoa Encantada. A visão da lagoa impressiona – são 6,4km² cercados por mata nativa de uma Área de Preservação Ambiental (APA). A 34 km do centro de Ilhéus (sendo 12 km em estrada de terra), a lagoa é acessível através das agências de turismo locais que oferecem um roteiro incluindo traslado, barco e refeições. Os tours que saem de Ilhéus duram quatro, seis ou oito horas. Todos dão uma volta completa pela lagoa. A região oferece, ainda, duas trilhas demarcadas, com belos cenários. Um pequeno vilarejo, a Vila Lagoa Encantada, também oferece passeios de barco e canoa. Para conhecer toda a extensão da lagoa e se “encantar”, é preciso contratar um barco (que atravesse a vegetação que cobre a água) que leve até ao “ponto final” da lagoa. Por lá, desembocam duas cachoeiras, uma de frente pra outra. A pedida é mergulhar no encontro delas e tomar uma relaxante ducha natural.

 

Olivença, Una/Comandatuba & Canavieiras

 

Resultado de imagem para praia de batuba olivençaExplorando o Litoral Sul de Ilhéus, a primeira parada é na vilazinha de Olivença. Situada a quinze quilômetros ao sul de Ilhéus, a pequena vila tem pelo menos 03 praias extremamente atrativas e que justificam a visita: a praia do Backdoor, excelente para “surf”, a dos Milagres com águas calmas e uma boa estrutura de barracas e a belíssima praia da Batuba, também ideal para “surf” e  justificadamente considerada a mais bela da região; a correnteza e as pedras ali existentes não incentivam os banhos, porém os bares e a beleza natural tornam a visita obrigatória.

Resultado de imagem para parque tororomba olivençaOlivença tem também um “plus” pouco conhecido: o Parque Aquático Tororomba, um complexo com piscinas de águas naturais, escuras e medicinais, uma pequena cachoeira e com cabanas com terraços para desfrutar uma boa comida e uma boa bebida. As águas medicinais, que têm seu nascedouro numa serra próxima do povoado, contêm ferro, iodo e magnésio e elementos de limenita, que Olivença possui em regular quantidade e é a responsável pela radioatividade presente nas águas. Suas propriedades medicinais e terapêuticas já foram comparadas às águas termais de Vichy, na França.

Mais ao sul, situa-se a vila de Uma, com praias, rios, banhos de lama negra medicinal e as corredeiras do Rio Uma. Os fãs do turismo ecológico não devem deixar de conhecer o Ecoparque de Uma, um centro de visitação, pesquisa e educação ambiental, com grande área da Mata Atlântica preservada. É em Uma, também, que se localiza a ilha de Comandatuba, com hotéis de luxo e um aeroporto.

A estrada termina em Canavieiras que ainda preserva o casario colonial nas margens do rio Jequitinhonha. Capital baiana do caranguejo, a pacata Canavieiras, a 120 kms. ao sul de Ilhéus, no extremo sul da Costa do Cacau, a cidade ostenta também o título de point da pesca oceânica.

 

ITACARÉ

 

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Indo para o litoral Norte da Costa do Cacau, a 72 Kms. De Ilhéus, chegamos a Itacaré, a pérola da Costa do Cacau. Em seus quase 300 anos, a exuberante Itacaré, com sua mistura de belezas naturais, praias paradisíacas, esportes e aventuras radicais e uma pitada de badalação, consagrou-se como um dos destinos turísticos mais cobiçados do Brasil.

De origem indígena (etnia dos Pataxós), a povoação surgiu às margens do Rio das Contas, rio que tem sua nascença na Chapada Diamantina, com o nome de Itacaré que significa “rio de ruído diferente”.

Após o declínio da monocultura cacaueira, na década de 1970, foi redescoberta por hippies e surfistas. Hoje com uma sólida estrutura turística  onde se destacam as inúmeras pousadas, todas concentradas ao redor da rua Pedro Longo, a rua da badalação e principal centro gastronômico, mais conhecida como “Pituba” para homenagear o bairro homônimo e festeiro em Salvador, Itacaré conseguiu manter vivas as suas tradições  culturais afro-indígenas, como o Bicho Caçador, Puxadas de Rede, Samba de Roda, Maculelê, Ranchos, Terno de Rede e festas afro-religiosas, como a festa do padroeiro, São Miguel Arcanjo, São Francisco e Iemanjá, além das festas juninas e do Carnaval, com seus blocos tradicionais.

A Avenida Castro Alves, conhecida como Orla é o acesso que liga o centrinho às praias da cidade. A principal e a mais apropriada para banhos por ser protegida por recifes, formando uma baía que transforma a praia numa imensa piscina de água salgada é a de Conchas, com ótima estrutura turística, mar calmo e sem ondas e restaurantes que oferecem o que há de melhor na culinária baiana. É possível contratar aulas de “surf”, passeios de lancha e de caiaque. O mirante da Ponta do Xaréu com seu belo pôr do sol, completa romanticamente o cenário de sonho.

Resultado de imagem para praia da ribeira em itacaréAinda dentro do perímetro urbano e a pouca distância as paradisíacas praias do Resende, da Tiririca, do Costa e da Ribeira – todas elas de mar bravio e ondas fortes e propícias para “surf”-   completam o leque de opções de praias no perímetro urbano.

Já com acesso mais distante, mas com acesso por estrada, complementado por trilhas mais ou menos longas, estão as praias de Jeribucaçu, da Engenhoca, do Havaizinho e de Itacarezinho (onde mais adiante está instalado o luxuoso resort, TXAI). Mas, garanto que valem e muito a visita. Simplesmente lindas.

Para quem está sem carro e quer conhecer as praias fora da cidade, existem tours organizados, como o passeio das 04 praias que inclui uma visita à cachoeira do Tijupá e o tour para a praia de Jeribucaçu, com trilha mais longa, que passa pela Cachoeira da Usina e percorre um trecho de mangue.

Para os aficionados do ecoturismo e de praias ainda por explorar, Uruçuca (Serra Grande), entre Itacaré e Ilhéus é uma boa indicação. Entre as principais atrações da cidade estão as cachoeiras escondidas nas florestas de Mata Atlântica. Além das praias praticamente intocadas ideais para banho como a Praia Barra do Tujuípe e a Praia do Pé de Serra.

Na volta a Ilhéus, impossível não recomendar também uma paradinha básica na estrada na Cabana da Empada (Km. 28) e no Café com Cacau (Km. 58) para degustar os autênticos e variados chocolates feitos com cacau da região. Afinal ninguém é de ferro e, afinal, estamos na Boa Terra.

 

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