O professor, autor de mais de 100 livros de contos árabes, que contava histórias para ensinar Matemática, reavivando em seus alunos a atenção e a dirigindo para a compreensão de problemas matemáticos.

Cláudio Soares

 

 

Talvez sem a mistificação literária, o professor Mello e Souza nunca teria conseguido popularizar o Ensino da Matemática, transformando a disciplina em matéria curiosa e divertida, que teve no livro O homem que calculava seu mais espetacular exemplo.

Julio Cesar de Mello e Souza nasceu no Rio de Janeiro no dia 6 de maio de 1895. Passou sua infância na cidade de Queluz, às margens do Rio Paraíba, junto à divisa com o Estado do Rio de Janeiro, em São Paulo. Teve oito irmãos.

Na verdade, Malba Tahan não foi apenas um pseudônimo de Julio Cesar de Mello e Souza. O escritor e professor carioca tinha o dom da palavra e inventou um personagem que parecesse real, uma pessoa que houvesse existido de fato, uma mistificação literária.

 

 

Ele estudou a cultura e a língua árabes, para que a biografia e as obras do Malba Tahan fossem convincentes em estilo, linguagem e ambientação. Em 1924, Julio Cesar teria procurado o jornalista Irineu Marinho, futuro fundador do jornal O Globo, na época ainda diretor do periódico A Noite, para lhe propor uma ideia: surpreender o Brasil com a “mistificação literária” de um escritor árabe, chamado Malba Tahan, para publicar contos orientais e educativos.

Irineu Marinho teria lido dois ou três contos do professor Mello e Souza e, aprovando a ideia, recomendou que fossem publicados na primeira página de seu jornal, precedidos de uma biografia do famoso escritor Malba Tahan, ou melhor, de Ali Yezzid Izz-edin Ibn-Salin Malba Tahan.

O jornal divulgava que os “contos do original escriptor anglo-árabe Hank Malba Tahan” eram especialmente traduzidos e adaptados por “um de nossos collaboradores”.Mello e Souza e Irineu Marinho jamais revelaram a pessoa alguma o segredo da mistificação da qual foram aliados e co-responsáveis.

Assim, em 20 de junho de 1924, iniciaram-se a publicação dos contos árabes no jornal A Noite, sendo o primeiro deles intitulado o “O Juiz”. A publicação do primeiro conto deu início ao personagem Malba Tahan no imaginário brasileiro.

Em setembro de 1937, ele foi nomeado, por concurso público, Professor Catedrático da disciplina de Matemática da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal. Mas, a atuação de Malba Tahan foi muito além da sala de aula.

A partir de 1940, ele iniciou uma longa caminhada, proferindo palestras e ministrando cursos para professores, em mais de 200 cidades brasileiras. Nessa mesma década, destacam-se três iniciativas inovadoras de Malba Tahan: a criação da Universidade do Ar, em 1941, junto à Rádio Nacional, projeto pioneiro do ensino a distância no Brasil, o apoio à criação do Monumento à Matemática, na cidade de Itaocara, RJ, e a criação e direção da Revista “Al Karismi”, de recreações matemáticas, publicada de 1946 a 1951.

Em 1934, sai seu primeiro título de recreações matemáticas, o livro “Matemática Divertida e Curiosa”. Em 1938, publica-se “O homem que calculava“, obra que “ficará salvo das vassouradas do tempo, como a melhor expressão do binômio ciência e imaginação”, como profetizou Monteiro Lobato.

 

Baixe aqui gratuitamente o livro “O Homem que Calculava” de Malba Tahan

 

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