No passado longínquo, os seres humanos gastavam energia física para sobreviver, caçar, pescar, fugir de predadores ou de animais peçonhentos como cobras, escorpiões, aranhas. Hoje, vivemos em sociedades sofisticadas. Temos mais segurança e as necessidades humanas são muito mais facilmente atendidas, quando temos recursos. Mas, somos de fato mais protegidos do que os nossos antepassados? Não. Há predadores na atualidade? Sim, muito mais. Há “animais peçonhentos” nas sociedades modernas, em empresas, escolas, famílias? Sim, muitos.

 

 

Temos mais predadores que nos consomem e há mais venenos no ambiente em que trabalhamos e transitamos do que no passado. Mas o veneno e os predadores não estão fora de nós, tal como as pessoas que nos agridem, excluem, criticam injustamente. Os mais perigosos venenos e os mais agressivos predadores estão em nossa mente.

Cito alguns: preocupações existenciais, excesso de atividade mental, excesso de cobranças, inseguranças, sentimento de culpa, ansiedade, atenção exacerbada na opinião dos outros, expectativas não correspondidas, necessidade compulsiva de consumir o que não é necessário, preocupações que antecipam situações futuras, pensamentos que remoem experiências passadas.

O ser humano atual preocupa-se com a segurança em tudo o que faz, mas é falsamente seguro. Temos fechaduras em portas, janelas, carros, cofres, senhas no cartão de crédito, mas não temos proteção psíquica contra os ataques internos, contra os pensamentos controladores e a hiperconstrução de pensamentos – a síndrome do pensamento acelerado. Hoje, nos sentimos mais ameaçados do que no passado, pois nossos pensamentos se multiplicaram e se tornaram mais penetrantes.

Se pudéssemos voltar milhares de anos no tempo e analisar nossos ancestrais, encontraríamos homens sem vacinas, sem noção de higiene, sem garantias de que se alimentariam no dia seguinte, sem cultura acadêmica, mas também encontraríamos homens que se preocupariam e se angustiariam muito menos. Havia entre eles menos depressão, pânico, transtornos de ansiedade, suicídios.

Sim, eles eram mais agressivos, reativos, instintivos e sem noção de direitos humanos. Portanto, não são modelos de vida, mas no lugar mais secreto e mais importante para um ser humano, a mente, eram menos perturbados.

Você pode ter vários inimigos na sociedade, mas os piores e mais vorazes podem ser as ideias e as imagens mentais produzidas clandestinamente em sua mente e não administradas pelo seu “Eu”.

 

Augusto Cury em “O Código da inteligência”

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