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A NOITE DOS CRISTAIS ESTILHAÇADOS (krisstalnacht)

 

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A noite entre 9 e 10 de Novembro de 1938 não pode ser esquecida. Tem de ser lembrada, se possível, com muita luz. Em minha casa as luzes da sala não serão apagadas. Será a minha forma de trazer luz a um mundo escurecido pelo ódio, pela discriminação, pela falta de humanidade. Luz que se contrapõe à noite mais escura da história desde a Idade Média.

Há exatos 80 anos ocorreu a famigerada “Noite dos Cristais”, quando os cultos e educados povos Alemão e Austríaco num acesso incontido de ódio queimaram, destruíram e vandalizaram propriedades de Judeus nestas duas nações. Nesta única noite mais de mil sinagogas foram destruídas, cerca de 7500 lojas de Judeus foram depredadas, suas vitrines transformadas em resíduos de vidros, incontáveis residências foram invadidas, saqueadas e vandalizadas, todos os Centros Comunitários Judaicos queimados.

Incentivados por Goebbels, Ministro da Propaganda Nazista, a Alemanha e a Áustria mostraram seu lado mais pútrido. Goebbels proibiu a polícia de dar proteção e proibiu os bombeiros de apagarem os incêndios, a menos que “colocassem em risco bens de não Judeus”.

Não pense que Goebbels era um troglodita. Saiba que ele era Doutor em Filosofia pela Universidade de Heidelberg, o maior celeiro de cultura da Alemanha, fundada em 1386 e cujos alunos têm inacreditáveis 55 prêmios Nobel.

O nome “Noite dos Cristais” deve-se à fenomenal quantidade de vidros quebrados, espalhados pelas ruas ao longo desta noite infame. Trinta mil Judeus foram levados a Campos de Concentração apenas nesta noite. Outros 16 mil levados para a fronteira com a Polônia, que não os aceitou – deixando-os por quase uma semana sem alimentação, sendo transferidos da Alemanha para a Polônia para serem imediatamente devolvidos à Alemanha num vai e vem penoso e humilhante.

Talvez a lembrança deste horrível momento na vida de meu povo deveria me levar a chorar. Mas eu não vou chorar, vou acender luzes para iluminar o mundo, como meu povo vem fazendo.

Foi meu povo Judeu quem deu ao mundo a Bíblia Sagrada, o monoteísmo, o descanso semanal obrigatório a todos, o respeito pela mulher e pelo idoso. Nada disso existia antes do Judaísmo. Mas não para por aí. O povo Judeu deu ao mundo descobridores como Colombo, vacinas como a Sabin e a penicilina (Fleming trabalhou nela com Boris Chaim, que ganhou o Nobel por seus trabalho). A máquina de costura de Singer e os Jeans de Lewis, o Controle Remoto e a Realidade Virtual; o Long Play, o Vídeo Cassete e a TV a cores; o Prozac, Valium, o Raio X e a Quimioterapia.

Foram Judeus os inventores do Rim Artificial, do Desfibrilador, do Marca Passo. Judeus criaram o Google, o Microfone e o Cabo de Fibra Ótica. O pendrive e o conector USB. A Medicina Não Invasiva e pelo menos 45 medicamentos inovadores. Sendo apenas 0,2% da população mundial, os Judeus ganharam 22,5% dos Prêmios Nobel – 203 dos 905. E também nas artes – Burt Bacharach, Barbra Streisand, Woody Allen, Steven Spielberg, Leonard Bernstein, Bob Dylan, Neil Diamond, George Gershwin, Irving Berlin, Marc Chagall, entre muitos outros.

E qual o motivo? Por que um povo tão pequeno deu tantos inventores, músicos, pintores, economistas, autores?

 

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Em minha modesta opinião isto se deve ao princípio básico da educação Judaica: Tikun Olam – Consertar o Mundo, melhorá-lo. Quando o Judeu lê a Torá (Bíblia), logo no início, no sexto dia, D’us diz: “Façamos o Homem”. Na interpretação Judaica, D’us está falando com o próprio Homem. Ele está dizendo que cabe ao Homem ajudar na criação, completar um mundo criado incompleto para que cada homem o aprimore.

Creio eu que este ensinamento desde a mais tenra idade seja o responsável pela imensa obra de Judeus. Não somos heróis de guerras, não nos destacamos na perseguição dos oprimidos, não participamos das imensas pilhagens de grandes “heróis” como Ciro, Tito, Nero, Átila, Aníbal, Júlio César ou Amenhotep. Judeus não subjugaram outros povos como fizeram Egípcios, Persas, Caldeus, Gregos, Romanos, Portugueses, Espanhóis, Ingleses, Franceses…

Exatamente por isto é que não vou chorar. Provavelmente algumas lágrimas escorrerão por minha face ao lembrar da Noite dos Cristais. Mas o orgulho que sinto de ser parte deste povo logo secarão as lágrimas e me farão lembrar que eu e meu povo seguiremos em nossa missão – Tikun Olam, Melhorar o Mundo – a despeito de tudo, sempre!

Acendemos luzes durante a noite que marca a Noite dos Cristais.
Trazemos luz a um mundo que, infelizmente, ainda tem muita escuridão.

 

Resultado de imagem para marcos l. susskindPor Marcos L Susskind

 

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