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ALGUMAS CONEXÕES ENTRE AS ELEIÇÕES ARGENTINAS E O FENÔMENO ECONÔMICO CHINÊS

Tem uma charge fenomenal que está sendo divulgada pelos argentinos dizendo que a esquerda está de volta ao poder “porque Macri no arregló (consertou) erros do kirchnerismo”.

Ué! Mas, se os próprios argentinos concordam em apontar os erros do kirchnerismo, o que explica que tenham optado por retornar a esses mesmo erros, sabendo que o preço a pagar agora será certamente muito mais alto?

Tentar destrinçar os caminhos que levaram a uma escolha tão absurda e paradoxal – até pelo enunciado da charge em si – e, sobretudo, tentar conseguir com que tal escolha possa ser de tal maneira clareada que consiga evitar que outros países, e muito principalmente aqueles que estão mais próximos geograficamente, venham a cair em tal ratoeira, é o objetivo precípuo deste artigo.

Vamos tentar evitar os aspectos mais notórios e redundantes que rodeiam esse evento aziago no país vizinho, por sabermos que teremos uma enxurrada de ensaios e explicações provavelmente muito mais acertadas e competentes que inundarão a mídia e as redes sociais nos próximos dias e vamos tentar jogar um pouco de luz sobre uma conclusão que certamente será bem menos ressaltada.

A título de ajuda, segue o link abaixo que pode aprofundar mais alguns desses aspectos:

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-49326543

 

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Vamos então encarar o ocorrido sobre outro enfoque. Talvez um daqueles que mais nos interessa analisar.

Se raciocinarmos bem, esse exemplo é mais uma prova do quanto essa tão ansiada Democracia, nos moldes em que está sendo praticada, é ainda absolutamente inviável e certamente indesejável neste momento de nossa realidade sócio-política. Um momento em que estamos muito distantes de galgar o patamar que nos separa dos países mais desenvolvidos, e vivenciamos ainda, por opção e por hábitos arraigados, um estágio onde a visão populista e em curto prazo – e de curtíssima eficácia, observe-se – impera e nos subjuga.

Apesar de sabermos que tal afirmação será chocante para a mentalidade ou para os tabus e devaneios ufanistas e idealizados de muitos, tal conclusão ficou mais do que patente nas eleições argentinas: os hermanos preferiram a opção de chamar de volta o crime, a corrupção e o atraso – que eles próprios até reconhecem, diga-se de passagem – e com isso dar um tiro no próprio pé (que pode e tudo indica que será mortal, pelo retrospecto sempre previsível da opção por eles tomada e pela repetição de tal escolha) do que escolher qualquer outra opção menos nefasta.

Algo um tanto chocante, numa primeira análise, mesmo para aqueles que analisaram somente o desempenho medíocre e hesitante do atual presidente, Mauricio Macri, mas até previsível, para quem conhece embora superficialmente a realidade histórica dos argentinos e a profunda dependência do poder público – e dos cargos a ele ligados – alimentada ininterruptamente tanto pelo peronismo quanto pelo kirchnerismo, as duas escolas até certo ponto divergentes, mas ambas esquerdistas, e, portanto, estatizantes, que preponderaram e estiveram onipresentes no passado mais recente do país platino.

No entanto, acredite se quiser, essa é a realidade chocante, crua e cruel que nos rodeia! E, antes de você dar de ombros e dizer desdenhosamente que essa é uma escolha e uma realidade deles, é bom observar que 1) eles, a grande maioria do povo argentino, assim como nós, foram as grandes vítimas de líderes inescrupulosos, manipuladores, gananciosos e, também, de forças poderosas – internas e externas, terrenas e extraterrenas – interessadas em alimentar esse jugo maquiavélico e diabólico,  e 2) tal ameaça está bem próxima de nós, não duvide!

Serão os hermanos ingênuos e tolos? O futuro nos dirá se não estamos sendo precipitados em tais acusações. No momento, melhor sermos bem cautelosos, pois estamos distantes de poder apontar o dedo sobre os argentinos. Afinal, esse mesmo dedo poderá amanhã ser o mesmo a cair sobre nós.

Por outro lado, se alguns haverá que quererão contemporizar e se apressarão em dizer que esse período de aprendizado faz parte da trilha de aprimoramento do próprio processo democrático e que quase todos os países que hoje colhem resultados mais satisfatórios já penaram nesse processo e que precisaram atravessar esse Vale das Sombras, atrevo-me a discordar veementemente.

 

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E por que discordo? Por dois motivos básicos:

Primeiro porque acredito que o exercício da Democracia requer uma maturidade e um tempo de maturação que está muito distante das escolhas sociais e econômicas feitas pela imensa maioria dos jovens países latino-americanos – Brasil inclusive. Se outros países tão jovens quanto nós e os argentinos, como Canadá e Austrália, por exemplo, já auferiram resultados muito mais satisfatórios no exercício da Democracia é porque desde o início fizeram escolhas mais propícias e gozaram de um tempo de maturação muito mais suave e menos traumático na prática do exercício democrático. Esse tal Vale das Sombras ficou bem distante da trajetória deles, pois com certeza aprenderam a evitar dar passos tão funestos ao longo do trajeto de consolidação de seus processos democráticos.

E segundo, como corolário óbvio do primeiro, é por que a Democracia, como, aliás, qualquer outra Filosofia originalmente virtuosa e que um dia terá seu processo de consolidação bem-sucedido – o que invalida por inteiro o Marxismo, apresso-me em acrescentar, antes que alguém tenha a intenção maliciosa de forçar tal comparação sofismática, que jamais terá a menor chance de ser bem sucedido, por ser notória e comprovadamente falho em seus fundamentos teóricos – é inimiga visceral de transições abruptas. Tende a reagir mal a experimentos utópicos e, com certeza, não recomenda opções suicidas desse teor, que poderão ser fatais.

Em consequência, se essa parece ser a utilidade da aplicação prática da Democracia para a realidade sul-americana, atrevo-me a afirmar, convicto, que, a um preço tão pesado e maléfico quanto o que certamente será colhido pela eleição argentina, melhor seria enterrarmos de vez essa invenção aparentemente tão desastrosa de nossos ancestrais atenienses.

E sabemos que isso não é de fato verdadeiro, como o demonstram os exemplos já citados, muito mais bem sucedidos nesse campo. Sabemos então, por experiências comprovadas que a Democracia é sim um ideal virtuoso a ser aprimorado e atingido. Sabemos, também, que não é uma Utopia inatingível, pois seus fundamentos, embora nem sempre possam ser corretamente aplicáveis, nos moldes praticados pressurosamente na América do Sul, são, contudo, inteiramente corretos, se forem consolidados com sabedoria e paciência, de acordo com a realidade de cada país. E, finalmente, sabemos também que isso envolve escolhas muito diversas daquelas que, nós, latino-americanos, sempre temos privilegiado para pavimentar as nossas escolhas.

Afinal, é até bíblico afirmar que ninguém consegue semear serragem e pretender colher trigo no final. Por isso, mudar tais escolhas requer sabedoria, maturidade e tempo de maturação, volto a enfatizar. Assim sendo, o que nos restaria então? Que caminhos indicar a esse pobre e sofrido continente?

Bem, indicar caminhos está longe de ser o objetivo destas linhas. Estou bem distante de ter a pretensão para tal objetivo. Mas, é possível, contudo, apontar outros exemplos mais bem sucedidos e provavelmente bem menos traumáticos do que a opção argentina, que poderão suavizar e muito a nossa trajetória e evitar tragédias como essa. E é aí que chegamos ao exemplo do “fenômeno” chinês e às conexões que dão título a este ensaio. Um modelo que não deveria jamais ser encarado como um exemplo a ser copiado, mas que certamente deveria ser muito bem analisado por algumas similaridades conosco: os desafios criados pelas dimensões continentais, a superpopulação, a desinformação das massas e a inadequação histórica aos preceitos democráticos, entre vários outros.

A China saiu de um isolamento e de um atraso econômico secular, exacerbado pelo longo período de trevas e miséria do Marxismo Maoísta iniciado em 1949 e que durou até à subida ao poder, em 1976, do extraordinário líder político, Deng Xiaoping e à “desmaoização” – que é o termo como os chineses e a mídia conivente preferem se referir ao processo real de passagem para o Capitalismo -, iniciado em finais de 1978.

 

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Vamos então, inicialmente, tentar decodificar o que foi essa tal “desmaoização”. Deng Xiaoping, provavelmente o maior líder político já surgido nesses últimos 100 anos foi aquele tal que entre tantas outras coisas – e certamente a mais fabulosa de todas elas foi ter livrado para sempre sua pátria da pústula do Marxismo, que levou tantos milhões de conterrâneos dele à morte e à miséria – num arroubo de malícia e de rapidez de raciocínio tipicamente oriental “sacou” da cartola espertamente o tal Socialismo de Mercado (???)  e ainda teve a audácia de tripudiar dizendo o seguinte: “não importa se o gato é preto ou branco; importa que cace ratos”. Genial né? Também acho. Pois é! E, com isso abriu as portas para que o tal “fenômeno chinês” explodisse no mundo. Graças a que doutrina econômica, de fato? Ao bom Capitalismo, velho de guerra, lógico! Até ao momento, ideologia nenhuma conseguiu inventar nada que possa derrubar as Leis do Livre Mercado.

Ah! Sim, antes que me esqueça: raciocínio similar, embora não tão nítido quanto o da China, pode ser aplicado ao trilhado pela Rússia pós União Soviética; mas essa é outra história, que foge ao tema proposto.

Posto isso, voltemos ao que importa e fiquemos no que pede o título deste artigo. Concluindo este tópico e deixando isso bem claro, antes que tentem lhe manipular e lhe informar errado, entenda: a China, atualmente, é um exemplo de Capitalismo que deu certo. Jamais, em hipótese nenhuma, um exemplo de Marxismo que tenha dado certo. Caso duvide, procure entender que Marxismo na sua acepção clássica é um método de análise socioeconômica que se opõe visceralmente ao Capitalismo, ou seja, ao Livre Mercado. Entenda melhor então: como você consegue se autodenominar marxista e praticar o Livre Mercado, ou seja, o Capitalismo? Impossível! A não ser usando o truque de prestidigitação oriental de Deng Xiaoping e mudando a “embalagem” do pacote, mas sem alterar o conteúdo. Entendeu agora a sacada genial do cara? O gato é o mesmo e caça ratos: só mudou de nome!

Pior ainda, no caso chinês, é que eles praticam o Capitalismo mais selvagem já existente em toda a face da terra, responsável por ter colocado no SOS as economias de vários países africanos e centro-americanos com suas práticas comprovadas de Capitalismo Selvagem e que avança agora, insaciável, sobre os mercados sul-americanos. Isso mesmo, você entendeu certo: Capitalismo Selvagem. Aquele mesmo que eles os “marxistas” tanto gostam de imputar a seus rivais, os tais “imperialistas” americanos. Que coisa né? Pois é!

Tanto a China quanto a Rússia abandonaram há muito o Marxismo como via econômica, mas isso não significa que tenham esquecido as velhas táticas de guerra leninistas. Que, pelos vistos nada têm de surradas. Pelo contrário. Não se iluda! O Brasil até já deveria conhecer sobejamente quase todas elas, sobretudo na arena política, já que nosso cotidiano, atualmente, está repleto desses exemplos absurdos. Mas, vamos ser honestos, aqui o “professor” da maioria dessas táticas vis não foram os chineses. O que não quer dizer que eles não sejam Mestres nelas. Afinal, eles são orientais e muito sabidos, não se esqueça. E os serviços de inteligência deles, idem. Sofisticadíssimos e letais.

Mas, não vamos nos estender muito sobre isso, pois nos afastaremos um pouco ao pretendido pelo título deste ensaio. Apenas para deixar mais claro ainda que na verdade o regime econômico praticado atualmente pelos chineses é diametralmente oposto ao preconizado pelo Marxismo. E por que tanta pantomima para disfarçar o óbvio? Fundamentalmente por interesses geopolíticos.

Essa velha “raposa”, o Deng Xiaoping não quis mudar a nomenclatura do Partido único, talvez até por razões internas, mas, sobretudo, por saber acertadamente que num eventual confronto econômico iria encontrar pela frente seus maiores opositores, amplamente identificados com o Capitalismo: os Estados Unidos.

Bingo! É muito mais eficaz demonizar a prática econômica do inimigo para enfraquecê-lo na guerra e ao mesmo tempo usar as armas, que tanto sucesso e prosperidade trouxeram a seu rival, mas, adotando uma nomenclatura que induza ao despiste. Uma nomenclatura como é o comunismo, já bem identificada como opositora desses odiosos capitalistas imperialistas, certo? Além disso, como demonizar alguém, se tiver que dar o braço a torcer e tiver que admitir que uso as mesmas armas, e pior com ferocidade redobrada? Deu pra entender a genialidade do Deng Xiaoping?  Dissimulação costuma ser a palavra de ordem básica na Geopolítica.

Para finalizar este tópico, resta complementar que o atual imperador da idílica Catay de outrora, chama-se Xi Jinping, é um dedicado seguidor do genial Deng Xiaoping e tudo indica que é tão astuto quanto ele. E, certamente, muito mais preparado e atualizado. Ponto para a China no tabuleiro frio e cruel da Geopolítica.

 

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Ou seja, falando português claro, repito:  a China pratica economicamente o Livre Mercado, controlado com mãos de ferro nas esferas de negociações governamentais pelo mecenas em exercício, Xi Jinping, mas, em termos políticos o regime chinês tem tudo a ver com o oposto de Democracia: a Ditadura. E nesse quesito ela continua obedecendo aos cânones tradicionais Comunistas.

Temos então que a China Capitalista e Ditatorial está tendo um imenso sucesso (digamos assim, do ponto de vista econômico e financeiro, pelo menos), exatamente porque teve competência tecnológica, porque fez escolhas econômicas mais corretas e, também – não há como negar isso – porque na China, democracia é um cometa absolutamente invisível que passa a anos-luz de distância do território asiático e é inegável que isso em países despreparados para o exercício da Democracia (como é o caso, também, de Brasil e Argentina,) facilitou e muito o sucesso econômico chinês, entre vários outros fatores. E como facilitou. Afinal, a consolidação da trilha realmente democrática é de fato tão árdua que nem a tradicional paciência oriental mostrou o menor interesse em experimentá-la.

Por isso, nem precisa ser gênio para vaticinar que os chineses, exatamente por isso, têm tudo para saírem vitoriosos na guerra comercial pela hegemonia econômica que travam com os Estados Unidos. Fora outros fatores imponderáveis, os méritos próprios e seu próprio “preparo” para um conflito econômico, os chineses partem de um handicap infinitamente mais vantajoso, pois diferentemente deles, os líderes americanos vão ter sempre que quebrar o caroço de uma pupunha com os dedos, primeiramente  para tentar esclarecer e convencer os milhões de cérebros desinformados – que existem nos EUA, também –  quais os caminhos mais corretos a serem trilhados para sobreviver a essa guerra, por mais óbvias e esclarecidas que sejam tais escolhas.

Começa assim a dificuldade (e que dificuldade!) antes até de conseguir esboçar qualquer movimentação e dar o primeiro passo, num regime democrático: fazer essa multidão de cidadãos conseguirem entender e acreditar que se trava um conflito e que, afinal, os líderes eleitos num processo democrático minimamente corrompido são os mais estruturados e preparados para oferecer soluções.

Se você não consegue avaliar corretamente tal dificuldade, simplesmente avalie a “canseira” atroz que estamos  passando aqui na pátria amada para convencer uma multidão de seres – não vamos nos estender, pela milionésima vez sobre esse tema, sorry – da culpabilidade óbvia de um criminoso, legitimamente condenado em duas instâncias por um emérito Juiz de comprovada honestidade e senso ético e também, em seguida, por uma Junta de Magistrados isenta e competentíssima? Sacou?

Pois é! Então, se para convencer as pessoas de algo tão óbvio, está sendo o inferno em vida que todos estão acompanhando, imagine ter que contornar algo muito mais complexo e bem menos óbvio e palpável como é o caso de um conflito econômico e político dissimulado, como o que o mundo atravessa?
Só Jesus na causa!

Contudo, e mesmo ao preço de um fantástico sucesso econômico, não há raciocínio que avalize a defesa de uma Ditadura como solução. Nada paga a ausência de Liberdade e não há truque de mágica oriental que consiga vender gato por lebre e tornar tal lacuna suportável, como ocorre na China. Mas, se essa foi opção deles, nós não temos nada com isso. Ou não deveríamos. Pelo menos até enquanto a opção alheia não nos atingir. Até lá, cada qual que pague o preço de suas escolhas.

Tomamos, então, o exemplo do modelo chinês exclusivamente para clarear definitivamente qual a fórmula escolhida pelo dito Governo Comunista para ter o sucesso de hoje: o Capitalismo. Não que isso signifique, nem de longe, endossar as práticas de Capitalismo Selvagem adotada pelos orientais; muito menos deveria isso ser verdade – mas é – para o tal Socialismo de Mercado Chinês! Como explicar semelhante absurdo, se o Marxismo foi de fato uma resposta ao Capitalismo Selvagem? Só por meio de um sarcasmo devastador, concorda?

Assim, mencionamos o exemplo chinês de sucesso econômico – e apenas isso, embora saibamos que o sucesso no governo de uma nação não dependa apenas dos acertos na Economia, (mas, que ajuda, ajuda sim) – apenas pelo privilégio inegável de não ter que ficar dando satisfação, a cada vez que se respira, de quantas vezes por dia se faz uso de uma sanita, a uma horda de cabeças quase sempre despreparadas e com incompleto domínio da situação, mas, cada qual com sua própria opinião e fórmula de como fazer o mundo dar certo, na teoria. Afinal, numa Democracia, nesse modelo anárquico e caótico que é seguido por Brasil e Argentina, cada cabeça se acha detentora da melhor solução para todos os problemas. Ou, como dizemos no outrora país do futebol, na prática, cada país democrático é um time com milhões de treinadores. Na China, o treinador é só um. Ele jamais terá que transpor os desafios colocados a países democráticos. Dá, então, para jogar uma bola bem redondinha e ganhar de goleada, se o treinador for bem esclarecido e os jogadores disciplinados, obedientes e com alguma competência.

Poder-se-ia, então, ter optado por mostrar outro modelo menos radical do que a China ou a “democracia” argentina para oferecer como modelo? Quem sabe algum país europeu da Europa Central, algum desses tão decantados sistemas nórdicos, ou até o modelo americano? Julgo que não. O background deles é radicalmente diferente do nosso e qualquer pretensão a tomá-los como modelo nesse nosso estágio atual seria um mero e inútil devaneio utópico. Perda de tempo!

Coloca-se, portanto, a opção por mostrar o modelo chinês com seu autoritarismo férreo, a ausência de liberdade e até com os desacertos pouco éticos de suas escolhas econômicas mais excessivas, apenas como um contraponto visceral à opção pela Democracia anárquica – ou pelo menos com pouca sabedoria – dos países latino-americanos e justifica-se tal escolha apenas pela sua inadequação histórica básica – exatamente como a nossa – ao figurino democrático.

No mais, ressalvemos que colocar lado a lado esses dois modelos opostos significa exatamente algo como mostrar as duas pontas de uma corda apodrecida em ambas as extremidades.

Na extremidade que nos compete, o populismo esquerdista que impregnou a história de quase toda a América Latina é um câncer e uma verdadeira prisão mental que envenenou os caminhos das duas grandes nações sul-americanas, – vizinhas certamente não por acaso: Argentina e Brasil.

 

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Lá, esse populismo atende pelos nomes de peronismo e kirchnerismo; aqui, é conhecido pelos nomes de petismo e tucanato.

Todos eles populistas e esquerdistas, apenas variações de um tema mofado com vários disfarces e sutis diferenças. Ou seja, na essência, tanto lá como cá, mudaram várias vezes as vestes do mesmo gato, que nunca serviu para pegar baratas e muito menos para caçar ratos. E nunca vai servir.

E é esse populismo arraigado, o grande obstáculo e o imenso desafio a ser transposto numa trajetória que as impúberes Democracias da América Latina estão apenas iniciando. Ou sequer iniciaram, para ser bem claro. A não ser que você queira considerar esses simulacros tragicômicos de “democracia” aqui praticados como exemplo de algo a ser levado em conta no percurso democrático.

Divergências analíticas à parte, o certo é que ambos precisarão abandonar urgentemente certas práticas arcaicas, totalmente avessas à Ética, à Sabedoria e até à verdadeira Democracia, para evoluir urgentemente do estágio anárquico em que se encontram para um estágio mais sábio e eficaz, provavelmente a meio caminho da opção radical e autoritária tomada pela China.

Ah! Sim, antes que a gente esqueça e já que estamos falando do país vizinho, você que pouco conhece do passado recente da Argentina, dá uma olhadinha no gráfico abaixo e observe que, em 1895, eles tinham o maior PIB per capita do planeta, o que significa que cada cidadão argentino, na média e individualmente, tinha a maior renda do mundo.

 

 

Uau, né? Pois é. De lá pra cá, o esquerdismo conseguiu fazer despencar essa estatística e transformar a Argentina num país pobre. A escrita é sempre a mesma. Nunca mudou e sabemos que não vai mudar nunca. A Economia tem regras rígidas e implacáveis, totalmente contrárias aos preceitos populistas esquerdistas.  E, pelos vistos, o fiasco do resultado da eleição platina indica que a queda em direção ao precipício vai continuar firme e inexorável.

Ok, prosperidade econômica não é tudo? Claro que não. Existem outros fatores que pesam a acrescentar no caldeirão de ingredientes que contribuem para o sucesso de uma nação: educação, saúde, justiça equilibrada, boas políticas ambientais, e por aí vai.

Mas, convenhamos que esse é um fator primordial e talvez preponderante no coletivo. Nenhum dos demais sobrevive incólume ao desgaste incessante dos cofres vazios.

Pouquíssimos cidadãos, talvez apenas 0,000001% dos habitantes deste planeta, conseguiriam manter-se equilibrados e sustentados psiquicamente por ideais elevados de amor, fraternidade, compaixão e elevação da consciência, por exemplo, para transcender e superar o trauma profundo de ter que chegar a sacrificar seus animais de estimação para tentar saciar a fome desesperadora de seus entes queridos.

Não estou afirmando que tais valores sejam inúteis. Apenas que a esfera é outra!

Por isso, afirmo que, para os restantes 0,99999%, seriam de pouquíssima valia tais preceitos idealísticos superiores – para não dizer inúteis -, ao ver seus filhos morrerem à míngua por conta de escolhas terríveis como as que acabaram de ocorrer no país vizinho.

Se você acha que está entre os tais 0,000001% de iluminados, então, amigo, você está livre para topar o desafio. Mas antes dê uma boa olhadinha em seu derredor e veja se o mesmo se aplica, pelo menos, a um que seja de seus entes queridos.

 

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