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Algumas questões sobre as origens da epidemia do Covid-19

A política é a forma que a humanidade encontrou para viabilizar as ações de interesse individual e coletivo. Todos são, na essência, políticos. Inclusive aqueles que se dizem apolíticos.”  (Silvanio Alves)

 

Prometi fazer silêncio sobre Política durante essa semana de Isolamento – bendita, em meu entendimento, pelos motivos já exaustivamente expostos por várias fontes que esclarecem esses motivos – a que estamos sendo submetidos no Brasil, neste momento. E pretendo manter isso no que concerne à Política Brasileira, especificamente. Aliás, para ser honesto, quase tudo o que havia a ser dito sobre esse tema específico, já foi dito e reprisado centenas de vezes. Como cidadão comum que sou, nada mais me cabe, neste instante, do que aguardar as atitudes que julgo que precisariam ser tomadas por quem de direito. Por que a nossa parte, como cidadãos comuns – e somos inegavelmente a maioria que compartilha dessa mesma opinião -, já está mais do que suficientemente esclarecida e manifestada.

Contudo, isso não significa que não tenhamos que falar sobre a epidemia do Covid-19 e tentar esclarecer os motivos que nos trouxeram ao momento que atravessamos. Pois só a informação irá servir como aprendizado e prevenção para que não se repitam os erros cometidos. E isso, ou seja, pesquisar em busca de informações, significa inevitavelmente tocar em temas políticos. Aliás, grandes pensadores do passado já afirmaram que o ser humano é um ser político por natureza.

“A política é a forma que a humanidade encontrou para viabilizar as ações de interesse individual e coletivo. Todos são, na essência, políticos. Inclusive aqueles que se dizem apolíticos.”  (Silvanio Alves)

 

 

Resumidamente, hoje é fato sabido que a epidemia iniciou-se em Wuhan, na China, provavelmente em setembro ou outubro de 2019 e permaneceu oculta do resto do mundo por pelo menos seis semanas.

Sabe-se também que a China, mais uma vez, ganhou bilhões na esteira dessa epidemia, como, aliás, ocorreu em algumas situações anteriores que, casualmente ou não, se originaram na China e os mesmos procedimentos financeiros “oportunistas” favoreceram os chineses. Isso é um fato! Não é uma acusação, são fatos. Quem quiser extrair conclusões desse fato – e as possibilidades são inúmeras, sem dúvida -, sinta-se à vontade. Prefiro não ir por esse caminho e ater-me ao que nós, cidadãos comuns, já sabemos. Da mesma forma, prefiro não opinar sobre a acusação feita pelo governo chinês de que o vírus teria chegado a Wuhan trazido pelos americanos. Francamente, parece fantasioso demais, até por que eles não apresentaram prova alguma que fundamente acusação tão grave. Gostaria apenas de relembrar que governos com cultura comunista costumam fazer uso indiscriminado e irresponsável de um dos preceitos básicos da Cartilha de Lênin (exatamente aquele decálogo que os Comunistas tanto querem invalidar aos olhos dos outros, mas, basta uma visão superficial sobre os procedimentos deles para comprovar como são exatamente aqueles recomendados pela Cartilha): acuse os outros daquilo que você é! Isso é mais um fato embasado em vários procedimentos de pessoas/grupos de pessoas e até governos com essa cultura em seu histórico, ao longo dos anos. No mais, quem quiser que tire suas conclusões.

Posto isso, o que sabemos é que da China a epidemia se alastrou para a Itália e para o Irã – respectivamente o segundo e o terceiro país com maior número de infectados, após a China (em números atualizados hoje, 19/03/2020, a Itália já superou a China em número de casos infectados). Por que isso, se nós sabemos que tanto a Itália quanto a China estão distantes geograficamente da China? Vamos lá tentar entender, então.

A razão pela qual esses dois países foram diretamente afetados é devido aos laços comerciais estreitos que mantêm com o Governo Chinês, fundamentalmente através da iniciativa denominada iniciativa “One belt and 0ne road” (OBOR). Literalmente, isso significaria, “Um cinturão, um caminho”.

A OBOR é a política de negócios estrangeiros de Beijing (Pequim). Em linhas genéricas, isso funciona da seguinte forma: a China e o país X concordam em cooperar num projeto para melhorar a infraestrutura no tal país X.  Por esse acordo, o tal país X tem que tomar emprestado fundos de bancos chineses para financiar tal projeto. Um contrato é garantido a companhias chinesas que trazem então os recursos e mão-de-obra chinesa para tocar o projeto nesse país.

Detalhe importante para o assunto Covid-19: os trabalhadores vêm da China!

Esse acordo garante aos chineses novos mercados e uma demanda extraordinária para os bens e serviços chineses, cria empregos e oportunidades para os trabalhadores chineses e garante à China acesso estratégico a locais estratégicos na geopolítica e a recursos naturais valiosos. Como o acordo é claramente favorável aos interesses chineses, pelo menos 08 países que aderiram ao OBOR estão tão endividados com os chineses que podem ser considerados praticamente quebrados. O nome desse procedimento é capitalismo selvagem. Entende melhor agora por que razão a China “comunista” é considerada o país mais capitalista do mundo?

Pois bem, a Itália, atualmente capitaneada pelo Primeiro Ministro, Giuseppe Conte,  essa mesma Itália que teve a economia em frangalhos por duas décadas, passou por duas recessões em dez anos, com indústrias envelhecidas, leis trabalhistas rígidas e ineficientes, um sistema bancário também ineficiente, altos níveis de corrupção e que teve uma rotação absurda de 65 governos de 1946 a 2016, incapaz de implementar reformas estruturais, preferiu buscar o caminho “mais simples” e, mesmo com os avisos de cuidado provenientes dos governos da Inglaterra e do Estados Unidos, aderiu em Março de 2019 ao OBOR, tornando-se o primeiro país do G7 a assinar esse acordo com a China.  Como parte do acordo, a Itália abriu vários setores aos investimentos chineses, da infraestrutura aos transportes, inclusive permitindo que companhias estatais chinesas controlem parte das operações em 04 dos maiores portos italianos.

Resumindo a história para nos atermos ao que neste momento importa para este artigo: com a abertura de fronteiras causada pelo OBOR, existem hoje mais de 300.000 chineses vivendo na Itália. Deu pra sacar o resto? Pois é, são fatos! As conclusões eu deixo ao encargo de quem quiser fazê-las.

 

Iran And Italy Are Paying A Hefty Price For Close Ties With Communist China

 

Quanto ao Irá, a narrativa não é tão diferente assim. O processo é idêntico e, além do mais, pouco há a acrescentar, pois todos sabem as inclinações e as afinidades ideológicas e políticas do governo dos aiatolás iranianos. Isso dito, acrescente-se que em 2019, o Governo Iraniano também aderiu ao OBOR chinês. A China que vê os iranianos como parceiros preferenciais, não apenas por causa do petróleo, mas também pela intenção chinesa de construir uma ferrovia de 2.000 milhas (aproximadamente 3.200 quilômetros) que irá da zona mais ocidental da China até à Europa, passando por Teerã no Irã e pela Turquia. Detalhe fundamental: essa ferrovia passa pela cidade de Qom, no Irã, uma cidade de 2 milhões de habitantes, “coincidentemente”, onde técnicos chineses, além de participar da construção da ferrovia, também ajudam a renovar uma usina nuclear, nas imediações. Mais um detalhe: Qom é justamente o epicentro da epidemia do coronavírus no Irã. Autoridades médicas iranianas suspeitam (não esqueça que o Irã é um país bastante fechado à comunidade internacional do ocidente) que ou os trabalhadores chineses em Qom ou homens de negócios iranianos que viajaram a negócios para a China causaram a difusão da epidemia em Qom. Agrava mais o cenário o fato de sabermos que que os líderes religiosos e o governos iraniano, assim como ocorreu na China, demoraram muito tempo a tomar medidas contra a epidemia.

Se a inclinação iraniana em geopolítica é conhecida de todos, resta concluir, e nunca é demais lembrar que tanto a Itália, quanto a Espanha e a França, para onde a epidemia se dirigiu num estagio subsequente, sem dúvida pela proximidade geográfica, têm governos com inclinações inegavelmente esquerdistas – e todos sabem quais os procedimentos e como pensam os “progressistas”. Da mesma forma, nos Estados Unidos, também já bastante atingidos pela epidemia, a região mais atingida é justamente a que está mais próxima da China: a “democrata e progressista” California. Coincidências, quem sabe…

Enfim, tudo isso podem ser apenas mais “coincidências” surpreendentes trazidas por essa epidemia. Quem sabe? Que são “coincidências” demais, é inegável. mas, conclua quem desejar e do jeito que preferir. Limito-me a divulgar esses fatos, para trazer mais informações aos demais.

Com tudo isso em mãos, cada qual acredite no que quiser. Agora, usar todas essas conexões para acusar formalmente e com inteira convicção disso não cabe a mim, pessoalmente, pois não tenho embasamento suficiente, mesmo com tantas evidências – ou coincidências, ou casualidades, como preferirem – para fazer uma acusação TÃO PESADA, numa questão tão grave quanto essa. Mesmo com tantas “coincidências”, evidências e conexões, longe de mim criminalizar o governo da China, nem é essa a minha função. Cabe a quem de direito e com capacidade para tal, investigar e chegar à realidade plena dos fatos, se é que isso algum dia será possível, neste plano. A cada um de nós, cabe apenas tentar se informar o mais possível dos motivos que podem estar na origem do momento tão grave que atravessamos.

Afinal, se não pudermos aprender com os erros praticados, estaremos condenados a vê-los repetirem-se indefinidamente!

 

Helen Raleigh

 

Este artigo é inspirado e fundamenta-se quase integralmente no artigo “Why Italy and Iran?” escrito por Helen Raleigh e publicado no The Federalist

Helen Raleigh é uma colaboradora sênior do The Federalist. Tendo imigrado da China, ela é a autora de vários livros em inglês. Sigam Helen Raleigh no Twitter, @HRaleighspeaks, ou acessem o site dela helenraleighspeaks.com.

 

Quem quiser ler o artigo completo, em inglês, clique aqui. Se não dominar a língua inglesa, tente o tradutor do Google. Não é nenhuma maravilha, mas quebra o galho. E garanto que vai valer muito a pena e será bastante esclarecedor em muitos pontos.

 

4 respostas
  1. Rodrigo Larese
    Rodrigo Larese says:

    Gostei do artigo , mas achei exageradísdimo o número de 300000 chineses morando na Itália por conta do acordo mencionado no mesmo . 30 000 já seria difícil de imaginar e 3k aceitável. Alguém sabia dizer a fonte dessa informação ?

    Responder

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