Artigo de Ronaldo O. Vicente: “A ONTOLOGIA DIMENSIONAL DE VIKTOR FRANKL”

 

 

Viktor Frankl concebe o ser humano como “totalidade de corpo, alma e espírito”. Ele é uma realidade “somático-anímico-espiritual”. Dessa forma, a característica da existência humana é a coexistência entre a unidade antropológica com as diferenças ontológicas. Em síntese, a  existência humana é unitas multiplex. Essa concepção é aprofundada por Frankl na sua ontologia dimensional.

Segundo esta, “ a unidade do ser humano não pode ser achada em suas faces psicológica, nem biológica, mas deve ser procurada em sua dimensão noológica, na qual o homem foi de início projetado”. Por isso, a projeção no plano biológico apresenta apenas fatos somáticos e a projeção no plano psicológico apenas fenômenos psíquicos, tão fechados e determinados quanto as imagens de um círculo e do retângulo. A dimensão espiritual é a dimensão propriamente humana, que torna a pessoa humana sempre única, irrepetível, portadora de características próprias que fazem com que a humanidade toda seja diferente segundo cada pessoa que já existiu, existe e existirá.

Dessa forma, a dimensão espiritual pode ser considerada a dimensão mais pessoal do homem, uma dimensão superior porque mais compreensiva, que inclui e abarca uma dimensão inferior.

Para Frankl, o organismo psicofísico é herdado geneticamente. O espiritual, todavia, é intransmissível. O psíquico, além de herdado através da disposição genética, é ainda plasmado pela educação. Chegamos à seguinte formulação: o físico é dado pela hereditariedade, o psíquico é dirigido pela educação; o espiritual, contudo, não pode ser educado, tem de ser realizado; o espiritual é só na auto-realização, na realidade da realização da existência.

A ontologia dimensional postula ainda a inalienável abertura do homem ao mundo; isso contrasta com o determinismo de outras teorias psíquicas que concebem o ser humano como um sistema fechado e, por isso, determinado.

“Ora, o homem quando projetado em uma dimensão mais baixa do que a que lhe é própria, acaba por parecer um sistema fechado, seja de reflexos fisiológicos ou de reações psicológicas a estímulos. As teorias motivacionais advindas desse pensamento, ainda aderindo ao princípio da homeostase, lidam com o homem como se ele fosse de fato um sistema fechado. Isso, contudo, acaba por negligenciar a abertura essencial da existência humana”  (Viktor Frankl)

Em suma, o homem é mais do que o organismo psicofísico: é pessoa espiritual.

 

 

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(Ronaldo de O. Vicente em “O sentido do amor na Logoterapia e Análise Existencial de Viktor Frankl” )

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