ASSIM FALOU ZARATUSTRA

 

Assim falou Zaratustra narra a peregrinação de um filósofo que habitou uma caverna talhada na montanha. Ali, durante dez anos, ele respirou o ar rarefeito das alturas e fez uso da solidão e do silêncio para arar o seu espírito.

Então, um evento extraordinário ocorreu: Zaratustra presenciou um caminho que estava oculto pelas densas névoas do niilismo. Era o caminho da superação; ao percorrê-lo, o sentimento de negatividade foi dissolvido e Zaratustra tornou-se livre para amar o próprio destino (amor fati) – amor que o dotou de poder para “transmutar todo ‘Foi’ em Assim eu quis’!”

No mesmo então, Zaratustra se fez porta-voz da vida e falou. Fez-se mensageiro da sabedoria alegre e se colocou em missão: desceu de sua montanha para anunciar valores novos a quem quisesse e a quem não quisesse ouvir.

Zaratustra falou para acionar (mobilizar, ligar…) a cultura européia. Falou para acusá-la e, quem sabe, redimi-la por ter se tornado uma usina de “nadificação” e enfermidade.  A fala de Zaratustra não abre as portas de um edifício construído por um raciocínio programático e argumentações lineares. Ao invés disto, ela nos transporta para o interior de um labirinto feito de imagens, enigmas, cantos, parábolas, alegorias, cenas trágicas…

Nietzsche aloja no labirinto vários temas que ele ama e criou para nos desacomodar: a urgência de abandonar o ressentimento e transfigurar o espírito; a morte de Deus; o eterno retorno; o perigo da compaixão; a vontade de potência ou poder; como tornar-se o que se é; a dança como expressão do espírito livre; o sentido da amizade; a redenção; a superação do ser humano pelo Übermensh (“além-do-homem” ou “super-homem”)…

 

 

 

George Barcat, Conselheiro e Professor de Filosofia e Ética da Associação Palas Athena. Palestrante. Consultor em Ética Empresarial. Diretor da Integrow – Beyond Numbers.

 

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