BEAUTIFUL BOY

Sigur Ros – “Svefn-G-Englar”

Seis anos após a indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro com “The Broken Circle Breakdown”, o diretor e roteirista belga, Felix Van Groeningen faz sua estreia no cinema americano em grande estilo. Seu mais novo filme, Beautiful Boy é estrelado por Steve CarellTimothée Chalamet,  à frente de um elenco de peso.

 

Inspirado na história real e nas memórias de David e Nic Sheff, o longa aborda a relação entre um pai e seu filho. David (Carell) é um consagrado jornalista, com textos publicados na Rolling Stone e no New York Times. Ele vive em San Francisco, em local paradisíaco, juntamente com a segunda esposa e seus três filhos. O mais velho, Nic (Chalamet), fruto do primeiro casamento de David, está prestes a entrar para a universidade. Aparentemente, um mundo perfeito. No entanto, esse universo paradisíaco começa a ser profundamente abalado quando o adolescente, Nic, dá início a uma rotina de consumo de drogas que começa a tornar seu dia cada vez mais sombrio – e por extensão de toda a sua família. Acompanhamos através de flashbacks a excelente relação entre o filho e seu pai, e somos assim obrigados a embarcar na jornada de ver uma família modelo sendo praticamente destruída.

Prezando sempre pela naturalidade e sem querer tratar nada como tabu, a obra não cria vilões ou situações de antagonismo. Nic é sempre o garoto que ama sua família, o que torna o fato de vê-lo sofrendo algo ainda mais difícil. Como é sofrido também observar o que tudo aquilo faz com o pai, com a madrasta, com os irmãos e a mãe.

Também roteirista, Felix Van Groeningen cria um cenário desolador, mas também consegue passar muito bem a sensação de amor vivida pelas pessoas em cena. O jovem e expressivo Timothée Chalamet mostra por que é um dos melhores atores de sua geração. O ator passa com brilhantismo por todas as mudanças na personalidade e no físico do personagem. Mas o grande nome em cena é mesmo Steve Carell. Ele passa toda a complexidade e desespero de um pai que se vê sem saber o que fazer.

Profundamente didático o filme mostra em detalhes a passagem de um jovem usuário à literal descida até ao inferno de um drogado viciado em metanfetamina e em outros tipos de drogas e se constitui em um libelo comovente e esclarecedor sobre um dos grandes males que assolam as sociedades modernas. Sem oferecer soluções milagrosas e sem demonizar o usuário de drogas, Beautiful Boy é um bom exemplo de drama que consegue ser profundo sem precisar ser exagerado, pois mostra bem que a jornada na dependência química não é somente do viciado, mas de todos aqueles que o amam. E o faz isso sem julgamentos, mostrando também os momentos de delicadeza e amor vividos em família. E que muitas vezes mesmo uma criação repleta de carinho a atenção pode desencadear em algo triste.

O “belo garoto” (Beautiful Boy) do título é uma referência ao livro de David que inspirou o filme e também à clássica canção de John Lennon feita para o filho Sean. A propósito, a trilha sonora é fantástica e traz também além do Beatle citado, os escoceses do Mogwai, a eterealidade quase sacra do Sigur Rós, David Bowie, Amon Tobin, Aphex Twin, Neil Young (apenas no filme), Nirvana e Tim Bucley na pungente “Song to the Siren”, entre vários outros e irá seduzir os apreciadores da música da melhor qualidade, em várias de suas vertentes. Embora não faça parte do cd da trilha, sobra espaço para o fabuloso Perry Como ilustrar uma das cenas do filme com “Sunset, Sunrise”. Trilha realmente matadora e adequada para um filme que irá lhe tocar até à medula!

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