,

DIFÍCIL SER FUNCIONÁRIO - POESIA DE JOÃO CABRAL DE MELO NETO

      Difícil ser funcionário Nesta segunda-feira. Eu te telefono, Carlos Pedindo conselho. Não é lá fora o dia Que me deixa assim, Cinemas, avenidas, E outros não-fazeres. É a dor das coisas, O luto…
,

O Caminho Não Percorrido - Poesia de Robert Frost

        Num bosque, em pleno outono, a estrada bifurcou-se, mas, sendo um só, só um caminho eu tomaria. Assim, por longo tempo eu ali me detive, e um deles observei até um longe declive no qual, dobrando,…

A FÚRIA DA LUA (Luna Irae) - Poesia de Cláudio Fonseca

  A FÚRIA DA LUA (Luna Irae) Este é o luar magnético dos loucos, dos assassinos, dos ventos que nas ruínas ... uivam seus violinos. Há nestas horas, mutantes. Há um banquete encarnado. Corpos que pendem azuis, enforcados. Este…

A VERDADE DIVIDIDA (Poesia de Carlos Drummond de Andrade)

  A  VERDADE  DIVIDIDA       A porta da verdade estava aberta mas só deixava passar meia pessoa de cada vez. Assim não era possível atingir toda a verdade, porque a meia pessoa que entrava só…

INTENSAMENTE (Poesia de Paulo Monteiro)

INTENSAMENTE       Se acaso a paixão atracar como nau A atracar-te a jusante Levar-te de roldão Não ices amarras Não subas à mezena Não te escondas no porão   Se perpassar como a brisa do campo A inebriar-te…

MÁSCARAS (Poesia de Paulo Monteiro)

  "The Pride Parade" de Don McLean, 1972     M Á S C A R A S   Odeio o logro de enternecidos sorrisos Doces lábios de mel, línguas de chacal E o pálido sol do amanhã sempre igual A banhar a soleira…

Canção no Exílio (Poesia de Gonçalves Dias)

  Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá.   Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores.   Em…

MEIA LÁGRIMA (Poesia de Conceição Evaristo)

    Não, a água não me escorre entre os dedos, tenho as mãos em concha e no côncavo de minhas palmas meia gota me basta. Das lágrimas em meus olhos secos, basta o meio tom do soluço para dizer o pranto inteiro. Sei…

O MUNDO DO SERTÃO (Poesia de Ariano Suassuna)

  Diante de mim, as malhas amarelas do mundo, Onça castanha e destemida. No campo rubro, a Asma azul da vida à cruz do Azul, o Mal se desmantela. Mas a Prata sem sol destas moedas perturba a Cruz e as Rosas mal perdidas; e a Marca…

A Rua dos Cataventos (Poesia de Mário Quintana)

    Da vez primeira em que me assassinaram, Perdi um jeito de sorrir que eu tinha. Depois, a cada vez que me mataram, Foram levando qualquer coisa minha.   Hoje, dos meu cadáveres eu sou O mais desnudo, o que não…