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Como os “Estudos da Injustiça” corrompem o ensino universitário

Um trabalho recente mostra que os acadêmicos progressistas aceitam qualquer artigo que corrobore sua visão politicamente correta da realidade. Artigo do professor e economista Walter Williams, traduzido para a Gazeta:

 

As universidades norte-americanas estão completamente corrompidas. Mas o aperto financeiro resultante do coronavírus é uma oportunidade de redenção. Analisemos primeiro qual é a raiz da corrupção acadêmica, contida no título de um estudo recente, “Estudos da Injustiça e a Corrupção da Academia”.
O estudo foi feito pela Areo, revista digital de análise e opinião. Areo, por sinal, é abreviação de “Areopagítica”, discurso feito por John Milton diante do Parlamento Britânico em 1644, em defesa da liberdade de expressão. Os autores, Helen Pluckrose, James A. Lindsay e Peter Boghossian, dizem que há algo de profundamente errado na academia, sobretudo em certos campos do estudo de humanidades.
Eles chamam esses campos de “estudos da injustiça”, nos quais a pesquisa não se baseia muito em encontrar a verdade, e sim em corrigir injustiças sociais. Os estudiosos disso pressionam alunos, administradores e os outros departamentos das universidades a aderirem à sua visão de mundo. A visão de mundo que eles promovem não é nem científica nem rigorosa. Os estudos da injustiça consistem em disciplinas como sociologia, antropologia, estudos de gênero e estudos de raça e sexualidade.
Em 2017 e 2018, os autores começaram a submeter artigos acadêmicos falsos para periódicos especializados em estudos sobre raça, gênero, obesidade e sexualidade para determinar se eles seriam submetidos à revisão dos pares e aceitos para publicação. A aceitação de pesquisas questionáveis que os editores dos periódicos consideravam alinhadas à sua visão esquerdista, pós-moderna e interseccional de mundo é uma demonstração do problema do baixo padrão acadêmico atual.
Vários dos artigos falsos foram aceitos. Um periódico sobre estudos da obesidade publicou um artigo falso que dizia que o termo “fisiculturismo” era exclusivista e deveria ser substituído por “fisiculturismo obeso, como uma forma de demonstração politizada inclusiva aos gordos”. Um dos que analisaram o artigo disse: “Adorei ler o artigo e acredito que ele tem uma contribuição importante a dar ao campo de estudos e a esse periódico”.
“Nossa Luta é Minha Luta: Feminismo Solidário como uma Reação Interseccional ao Feminismo Neoliberal” foi aceito para a publicação pela revista Affilia, periódico feminista de assistentes sociais. O artigo consistia, em algumas partes, de passagens tiradas de “Minha Luta”, de Adolf Hitler.
Dois outros artigos falsos foram publicados, entre eles “A Cultura do Estupro e a Performatividade Homossexual nos Parques Urbanos para Cães”. O tema desse artigo era o sexo entre cães. Mas o artigo sobre o sexo entre cães acabou obrigando Boghossian, Pluckrose e Lindsay a se revelarem prematuramente. Um repórter do Wall Street Journal percebeu o que eles estavam fazendo.
Alguns artigos que foram aceitos em periódicos acadêmicos defendiam que homens fossem treinados como cães e que universitários brancos fossem punidos pela escravidão com a obrigatoriedade de se sentarem em silêncio no chão, acorrentados, durante as aulas, aprendendo com esse sofrimento. Outros artigos celebravam a obesidade mórbida como uma escolha de vida saudável e diziam que a masturbação solitária era uma forma de violência sexual contra a mulher.
Em geral, os editores de periódicos acadêmicos submetem artigos à análise de especialistas. Ao recomendarem que os artigos fossem publicados, muitos desses especialistas elogiaram entusiasmadamente os trabalhos.
O cientista político Zach Goldberg submeteu certos conceitos desses estudos de injustiça ao banco de dados LexisNexis para descobrir com que frequência eles apareceram na imprensa ao longo dos últimos anos. Ele descobriu um aumento enorme no uso de termos como “privilégio branco”, “preconceito inconsciente” e “branquidade”. Tudo isso está sendo lecionado aos universitários, muitos dos quais viram professores de ensino fundamental e médio que mais tarde doutrinam os jovens.
Tenho dúvidas quanto à capacidade de a crise financeira causada pelo coronavírus levar os administradores das universidades — que estão entre a cruz e a espada — a terem coragem de restaurar a credibilidade acadêmica.
Até porque muitos deles conseguem o apoio político de que precisam nos campi justamente dos alunos dos estudos da injustiça que fazem membro do corpo docente e dos departamentos de diversidade e multiculturalismo. A melhor esperança está no conselho de administração, embora muitos concordem com tudo o que os reitores dizem.
Acho que um bom começo seria encontrar os anais dos anos 1950 ou 1960. Olhe o currículo oferecido na época, quando os universitários sabiam ler, escrever e calcular, e compare-os com os currículos atuais. Outro instrumento útil seria cogitar seriamente eliminar todas as disciplinas do gênero. Aposto que, se restaurassem a missão acadêmica tradicional, as universidades teriam mais condições de enfrentar as dificuldades financeiras causadas pelo coronavírus.
Walter E. Williams é colunista do Daily Signal e professor de economia na George Mason University.
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