Antes de existir o grande mar e a fértil terra, e o céu azul que recobre o mundo; antes que a natureza, que nossos olhos veem e nossos sentidos sorvem, vivesse como vive agora: organizada, plástica, sábia, poderosa; antes de tudo isso, era o Caos: massa rude e informe, constituindo o Universo.

No começo, o que existia era inerte, diz Ovídio, poeta latino. Era um peso morto. Um amontoado de elementos díspares: os germes de todas as coisas.

Nesse tempo, nenhuma luz dispensava ao mundo calor e claridade. Nem o Sol nem a Lua percorriam ainda a abóboda celeste, transformando cada dia num novo dia, cada noite numa noite clara.

A Terra ainda não estava suspensa no ar, equilibrada por seu próprio peso. E Anfitrite, a rainha do mar, não tinha escondido seus doces braços pelas margens terrestres.

Terra e Mar eram uma mescla indistinta de vida e agitação.

O solo não tinha densidade. O mar não fluía. O ar não tinha luz. Nada possuía forma própria. E no interior dessa massa única, travava-se a constante batalha dos princípios opostos: o frio combatendo o calor; a umidade lutando contra a seca; a leveza, contra o peso.

Pouco a pouco, um deus ordenador emergiu do Caos. Tudo definiu e harmonizou, segundo sua inteligente e soberana vontade. Fez-se a paz no universo. Mas, permaneceu para sempre acesa a centelha do conflito …

 

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