DISCO DO MÊS DE FEVEREIRO 2019

“ALL”  –  Yann Tiersen

 

 

O francês Yann Tiersen é um músico de vanguarda, multi-instrumentista e compositor  de origem judaica com raízes belgas e norueguesas. Compondo para piano, sanfona e violino, sua música aproxima-se de Erik Satie e do minimalismo de Steve ReichPhilip Glass e Michael Nyman. Tornou-se internacionalmente conhecido ao compor trilhas sonoras de filmes como O fabuloso destino de Amélie Poulain e Goodbye Lenin!

Passou sua infância em Rennes,  na sua Bretanha natal, onde estudou violino, piano e regência orquestral. De formação clássica, encaminhou-se para o rock já na idade adulta.

Seu trabalho recente, “All” é uma mistura dessas influências. “All”, como o próprio nome indica traz uma certa grandeza a esse trabalho do francês, e é um projeto conceitual que pretende exprimir o significado de ser humano na imensidão do cosmos. E o resultado, gravado no estúdio caseiro do artista, na ilha de Ushant, é um extraordinário trabalho de comovente beleza.

A orquestração de “Amélie”, que o tornou famoso, está presente em todo o disco e é realmente sensacional, tanto na abertura com “Tempelhof”, quanto na melancolia soturna de “Koad” com o apoio vocal quase lírico da sueca, Anna Von Hausswolff e na enigmática “Erch” que conta com o apoio vocal do dinamarquês, Ólavur Jákupsson – lembrando o clima dos discos do Sigur Rós –  e ressurge solitária em “Usal Road”.

Mas, talvez, o exemplo mais límpido da beleza deste trabalho apareça em “Pell” onde o dedilhar ao piano do artista é secundado por um coral de vozes infantis e o chilrear de aves, que realçam o clima espectral e ao mesmo tempo mágico da música. Deslumbrante.

Os poucos vocais, todos falados, são esparsos e juntamente com os corais grandiloqüentes , funcionam exemplarmente para deixar no ar o clima etéreo de beleza ; o exotismo está presente nos vocais bretões de Denez Prigent, em “Gwennilied” transmitindo universalidade. As solitárias notas de piano  de “Prad”, que antecedem o grand finale com ‘Beura Kentañ’, (literalmente, a Primeira Manhã), concentra o clima geral do trabalho e o clima meditativo parece deixar a impressão de que não há pressa em deixar o disco.

A mesma tranqüilidade contemplativa que nos fica ao final, pois embora não seja propriamente um disco para meditação, transporta-nos a um universo de Paz. Paz para todos. ALL!

 

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