Disco do mês de Janeiro 2014: Marissa Nadler – “July”

 

 

 

Marissa Nadler não vive neste plano, simplesmente: ela paira numa dimensão que não pertence a nós comuns mortais! Um espaço fluídico de encantamento e profunda serenidade que apenas nos é dado intuir e cujos portais só ela descerra e faz entrever a quem possua a necessária leveza para acompanhá-la.

Nascida em uma família de artistas de Boston, Massachusetts, desde adolescente toca violão e estuda várias técnicas de pintura a guache e carvão, encadernação e entalhamento; com semelhante currículo, não é de admirar que em 2004, aos 23 anos,  já tenha lançado seu primeiro trabalho, “Ballads of living and dying” , e em 2007 tenha sido indicada como Melhor Intérprete Feminina do Ano pelo ábum “Song III: Bird on the water”.

Este “July”, seu quinto trabalho, que acaba de ser lançado, é a consolidação e prova maior do amadurecimento de uma artista/compositora de sensibilidade ímpar e que, apesar da pouca idade, alega não ter escrito as canções, e sim tê-las vivido; com produção de Randall Dunn, mais conhecido pelos trabalhos com grupos de “post-metal” e de psicodelia, ela surge primorosamente secundada por  Eyvand Kang (orquestrações), Steve Moore (sintetizadores) e Phil Wandscher (guitarras) emoldurando sua voz de mezzo-soprano, uma voz de sereia que já foi descrita pela revista Pitchfork como a de “alguém que lhe conduziria de olhos fechados ao Hades”, ou quiçá ao Olimpo, acrescentaríamos: afinal, tal é a sina das sereias mitológicas, de longos cabelos e rostinho lindo como os de Marissa.

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