DISCO DO MÊS DE MAIO 2019

“I Am Easy to Find”  –  The  National

 

 

Com um time de vocalistas femininas de peso que conta com a colaboração de vozes como como Lisa Hannigan, Sharon Van Etten e Gail Ann Dorsey guiando e redirecionando as músicas, mas jamais ofuscando o característico vocal de Matt Berninger, o vocalista e líder da banda,  “I am easy to find” o oitavo disco da banda de indie art rock estadunidense de Ohio, mas baseada em Nova Iorque, é com certeza o mais longo e mais ambicioso projeto da banda

Isso não significa que o líder tenha abdicado de seu papel central na sonoridade do grupo. Pelo contrário, Berninger soube aproveitar bem os seus momentos de protagonismo em músicas como “You Had Your Soul With You”, primeiro single do disco, e “Rylan”, uma canção composta pelo grupo há mais de cinco anos que só chegou a ser finalizada para esse álbum — com direito a novos arranjos e letras.

Na verdade, o disco, baseado em demos que o The National estava trabalhando das sessões do disco anterior, “Sleep Well Beast” de 2017, serve como uma espécie de acompanhamento para o filme, uma história emocionante na qual Alicia Vikander interpreta uma mulher desde o seu nascimento até sua morte. E, nesse sentido, I Am Easy To Find funciona mais como um trabalho colaborativo do que apenas outro título no catálogo do National

Em meio a todas as mudanças que aconteceram no cenário indie ao longo das últimas décadas, é curioso notar como o The National conseguiu se manter incrivelmente consistente, clássico e sem necessitar de grandes transformações sonoras.

Além das letras e dos arranjos vocais, a produção do disco também merece destaque. Apesar de não receber uma atenção especial na mixagem, a bateria de Bryan Devendorf é extremamente completa e se molda perfeitamente com os diversos arranjos de orquestra, pianos e guitarras que comandam a maioria das canções — em especial em faixas como “Quiet Light” e “The Pull of You”, que possuem seções instrumentais impecáveis.

Outros destaques de peso são “Oblivions”, “Roman Holiday” e a delicada faixa de encerramento, “Light Years”.

Um disco pra lá de classudo que reafirma o The National como um dos mais espetaculares agrupamentos sonoros atuais – o Radiohead que se cuide. Hahahahaha!  – e desmente a tese de que não se faz mais música de qualidade como outrora.

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