DISCO DO MÊS DE NOVEMBRO 2018

“Wild Hxmans” – Christian Kjellvander

 

 

Em seu oitavo trabalho, o disco do sueco é um amálgama entre os trabalhos de Nick Cave e do vocalista do Tindersticks, Stuart Staples, e isso diz tudo do quão sensacional é esse disco e por que razão não dá mais para ignorar esse cara.

Abrindo com uma longa e glacial introdução, a faixa Strangers in Nordheim introduz o tom apocalíptico e soturno de todo o disco com uma canção que foca na questão da imigração e no medo do estranho e do desconhecido que isso pode trazer, pedindo um pouco de empatia e encorajando a aceitação mútua na letra:

There aren’t enough wild horses running the streets
They only care for those who care for them first
We once were the wild horses running the streets
We never cared for those who cared for themselves

 

(“Não há bastantes cavalos selvagens correndo nas ruas

Eles só se preocupam com quem se preocupa com eles primeiro

Em algum momento, fomos esses cavalos selvagens correndo nas ruas

Nunca nos preocupamos com os que se preocupam com eles”)

 

Ainda um pouco mais longa do que a faixa inicial, a dolorida e suave “Curtain Maker” , com quase 10 minutos de duração, fala do encontro do cantor com uma refugiada síria que trabalha fazendo cortinas (“Curtain Maker”) em Verona (Itália), para enfatizar mais ainda o drama dos refugiados.

A barra suaviza um pouco na faixa seguinte, “Stiegga” em que as notas desoladas de um piano se juntam a toques de eletrônica para relembrar tempos mais felizes com a amiga niilista do título.

Mas volta a pesar com um dos grandes destaques do disco, a faixa “The Thing is”, na qual ele relembra a morte do pai e do irmão mais jovem, ativistas da causa de Ateístas Americanos que pregam a separação entre igreja e estado, que foram assassinados por um empregado deles em 1995.

Halle Lay Lu Jah “ evoca o ambiente cinemático das trilhas de Sergio Leone com o apoio da guitarra luxuosa de Warren Ellis. E o disco termina em grande estilo com a genial e seca “Faux Guernica”, baseada numa viagem rodoviária feita com seu filho mais jovem através dos Países Bascos e retorna ao tema de zelo pelo próximo e como o autoconhecimento abre as portas para a transformação, finalizando com os versos: “You are capable of murder/You are capable of change/In that shame and in that light/ Lays a better Day” (“Você tem capacidade para o assassinato/ Você tem capacidade para a mudança/ Nessa vergonha e nessa Luz/ Existe um dia melhor”)

Um disco adulto e primoroso que encerra em grande estilo os lançamentos musicais de destaque deste ano de 2018.

 

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