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DISCO DO MÊS DE OUTUBRO 2019

“Wave”  –  Patrick Watson

A beleza pode estar escondida na mais profunda melancolia

 

 

Não foi o primeiro artista – e provavelmente não será o último – a exorcizar suas perdas pessoais e seus traumas através da música (veja o exemplo de “Plastic Ono Band” de Lennon, “For Emma, forever ago” de Bon Iver, de “Carrie & Lowell” de Sufjan Stevens, e, mais recentemente, do belíssimo “Skeleton Tree” de Nick Cave & The Bad Seeds,para ficar apenas em alguns poucos exemplos), compondo um trabalho catártico e profundamente emocional no seguimento.

Esse é caso de “Wave” do sofisticadíssimo cantor e compositor canadense, Patrick Watson, em seu sexto trabalho de estúdio. É um disco que nos fala sobre sermos derrubados por uma onda de percepção de que tudo o que temos na vida pode desaparecer num instante e, com isso, aprendermos a não nos afogarmos. Durante a criação do álbum, Patrick perdeu a mãe, o baterista de longa data deixou o grupo, e separou-se do seu companheiro. Watson trouxe um caderno debaixo das ondas, e compôs sobre melancolia, ao mesmo tempo em que parece estar escutando o canto das sereias. As músicas são sobre cantar uma canção de amor para nós mesmos, mesmo quando ninguém mais o fará, permitindo que o som nos leve, e aprendendo a confiar onde iremos pousar. É muito pessoal e íntimo, e é o mais delicado de todos os seus registros, o que já significa falar muito.

Acentuando a beleza e a tristeza de cada momento, “Wave” parece resgatar o belo que pode ser extraído da certeza que nem tudo pode estar perdido, enquanto  Watson reflete sobre os acontecimentos da sua vida pessoal, e sobre o inicio da sua carreira no coral da igreja: “É a diferença entre cantar um solo no túmulo de um estranho quando criança e cantar no funeral de sua própria mãe“.

As primeiras 03 músicas do álbum, então, são particularmente belas e devastadoras: a sedutora “Dream for Dreaming” com seus arranjos orquestrais belíssimos, a delicadeza melancólica de “Wave” e “Strange Rain”, todas com uma linha melódica belíssima, construindo um contraponto perfeito para o falsetto de Patrick Watson.

O álbum compreende, também, os singles “Broken” e “Melody Noir“, lançados em 2017 e 2018, respectivamente, durante a sua criação. A NPR Music considerou “Broken”  como “ruminações sonhadoras e ricas em falsete sobre a forma como os seres humanos estão conectados” e o tema integrou várias séries televisivas, incluindo Grey’s AnatomyThe Good Doctor e Burden of Truth. O álbum é encerrado em grande estilo com “Here comes the river” que fala sobre como manter a cabeça fora da água, quando parecemos estar a afogar e pontua um dos mais sensíveis trabalhos musicais que você poderá escutar na música popular.

Patrick Watson compõe, executa e grava os seus álbuns com uma banda completa, que inclui Joe Grass (guitarra), Evan Tighe (bateria), Mishka Stein (baixo). Vencedores do Canada’s Polaris Music Prize de 2007 e nomeados para Juno e Polaris, Watson e sua banda têm percorrido todos os continentes, tocando ocasionalmente com orquestras completas para dar vida à música. Nascido e residente Montreal, Watson compôs várias bandas sonoras para filmes e televisão, incluindo um trailer de The Walking Dead e o filme em 3D de Wim Wenders, Everything Will Be Fine.

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