,

ELIZABETH I, Rainha da Inglaterra

 

Isabel I (1533 – 1603), também chamada de “A Rainha Virgem”, “Gloriana” ou “Boa Rainha Bess” (“Bess” era como Roberto Durdley, seu favorito, a chamava) foi a Rainha da Inglaterra e Irlanda de 1558 até sua morte e a quinta e última monarca da Casa de Tudor.

Fruto de um segundo casamento, que não fora reconhecido pela Igreja Católica, ela era considerada filha ilegítima. Também tinha um irmão e uma irmã à frente na linha sucessória. Ou seja: ninguém esperava que um dia se tornasse rainha. Muito menos que ela seria uma das mais importantes monarcas a ocupar o trono da Inglaterra, com um longo reinado de 45 anos.

Como filha do rei Henrique VIII, Isabel nasceu dentro da linha de sucessão; entretanto, sua mãe Ana Bolena foi executada dois anos e meio após seu nascimento e o casamento de seus pais foi anulado. Isabel assim foi declarada ilegítima. Seu meio-irmão Eduardo VI sucedeu a Henrique e reinou até morrer em 1553. Ele colocou a coroa em Joana Grey, excluindo da sucessão suas meias-irmãs Isabel e a católica Maria, apesar da existência de um estatuto declarando o contrário. Seu testamento acabou sendo colocado de lado e Maria tornou-se rainha, com Joana sendo executada. Isabel ficou presa por quase um ano durante o reinado de Maria por suspeitas de apoiar os rebeldes protestantes.

Isabel sucedeu Maria em 1558 e passou a reinar com um bom conselho. Ela muito dependia de um grupo de conselheiros de confiança liderados por Guilherme Cecil, Barão Burghley.

O primeiro desafio que a nova monarca enfrentou foi conciliar as diferenças entre católicos e protestantes. Evitando os extremos, ela adotou uma visão mais conciliadora. Embora protestante, ela tolerou a permanência de alguns elementos do catolicismo e procurou isolar os radicais protestantes, conhecidos como puritanos.

Este comportamento passaria a ser uma das grandes marcas do reinado de Elizabeth I. Ela criou um Conselho formado por aliados, a quem sempre consultava antes de tomar decisões.

Uma de suas primeiras ações como rainha foi o estabelecimento de uma igreja protestante inglesa, da qual se tornou sua Governadora Suprema. A Resolução Religiosa Isabelina mais tarde desenvolveu-se na atual Igreja Anglicana. Era esperado que ela se casasse e gerasse um herdeiro para continuar a linhagem da Casa de Tudor. Entretanto, nunca se casou apesar de vários pretendentes. Isabel ficou famosa por sua virgindade enquanto envelhecia. Um culto cresceu ao seu redor em que ela era celebrada em pinturas, desfiles e obras literárias.

 

 

No governo, Isabel foi mais moderada que seu pai e seus meios-irmãos. Um de seus lemas era video et taceo (“Vejo e digo nada”). Era relativamente tolerante em questões religiosas, evitando perseguições sistemáticas. Depois de 1570, quando o papa a declarou ilegítima e liberou seus súditos de obedecê-la, várias conspirações ameaçaram sua vida. Todos os complôs foram derrotados com a ajuda do serviço secreto de seus ministros. Isabel era cautelosa em assuntos estrangeiros, movimentando-se entre as grandes potências da França e Espanha. Ela apoiou, sem entusiasmo, várias campanhas militares ineficazes e mal equipadas nos Países Baixos do Sul, na França e Irlanda. Porém, por volta da década de 1580, uma guerra contra a Espanha já não podia mais ser evitada. Quando os espanhóis finalmente decidiram em 1588 tentar conquistar a Inglaterra, o fracasso da Invencível Armada associou Isabel a uma das maiores vitórias militares da história inglesa.

Seu reinado é conhecido como Período Isabelino, famoso acima de tudo pelo florescimento do drama inglês, liderado por dramaturgos como William Shakespeare e Christopher Marlowe, além das proezas marítimas de aventureiros ingleses como Sir Francis Drake. É interessante notar, também,  que Elizabeth I era uma das mulheres mais cultas da sua época. Poliglota, ela falava fluentemente diversos idiomas, como latim, francês, italiano e o espanhol, entre outros.  Alguns historiadores são mais contidos em suas avaliações de Isabel. Eles a representam como uma governante temperamental, às vezes indecisa e que teve muita sorte. Uma série de problemas econômicos e militares diminuíram sua popularidade ao final de seu reinado. Isabel é reconhecida como uma intérprete carismática e uma sobrevivente obstinada em um período quando o governo era desorganizado e limitado, e monarcas de países vizinhos enfrentavam problemas internos que ameaçavam seus tronos. Assim foi o caso de sua rival Maria da Escócia, quem ela prendeu em 1568, e acabou por executar em 1587. Depois dos curtos reinados de Eduardo VI e Maria I, seu período de 44 anos no trono deu estabilidade ao reino e ajudou a criar um sentimento de identidade nacional.

A imagem triunfalista que Isabel cultivou ao final de seu reinado, contra um fundo de dificuldades econômicas, faccionalistas e militares, foi tomada como se realidade fosse e sua reputação foi inflada. Godofredo Goodman, Bispo de Gloucester, lembra: “Quando tivemos a experiência de um governo escocês, a Rainha parecia reviver. Então sua memória foi muito ampliada. Seu reinado foi idealizado em uma época que a coroa, igreja e parlamento trabalhavam em equilíbrio constitucional.

Em um sistema de governo onde a linhagem é determinante para a sucessão, é grande a pressão para que um rei ou rainha tenha filhos. Mas no caso de Elizabeth I, a primeira expectativa era saber quem seria o escolhido para ser o seu marido.

Durante parte do seu longo reinado, este foi o tema mais recorrente nas esferas do poder e entre a população. Ela sofria constante pressão para que se casasse. Foram muitos os pretendentes, alguns deles pertencentes a outras famílias reais na Europa, especialmente Espanha, França e Áustria.

Em certos momentos, parecia que o casamento aconteceria. Ela também ganhou o apelido de Rainha Careca (the Bald Queen), por ter raspado a cabeça. Um símbolo da sua recusa a casar-se.

Entre todos os nomes que poderiam ter-se tornado o marido de Elizabeth, o amigo de infância Roberto Dudley parece ter sido o único homem pelo qual ela realmente se apaixonou.

Quando ele ficou viúvo, tudo indicava que eles se casariam. O problema é que, além da vontade pessoal, o casamento de Elizabeth I envolvia muitas questões políticas. Uma decisão errada poderia gerar até uma guerra civil.

Assim, quando completou 50 anos, ela, que ficaria conhecida como a Rainha Virgem, desistiu definitivamente da ideia de um dia casar-se. Sem herdeiros, a morte dela, em 1603, no Palácio de Richmond, marcaria o fim da Dinastia Tudor no poder.

A imagem de Isabel retratada por seus admiradores protestantes no início do século XVII mostrou-se duradoura e influente. Sua memória também foi reavivada durante a Guerras Napoleônicas, quando a nação encontrou-se novamente à beira de uma invasão. Na Era Vitoriana, a lenda Isabelina foi adaptada para a ideologia imperial da época, e no meio do século XX ela era um símbolo romântico da resistência nacional contra uma ameaça estrangeira. Alguns historiadores do período como J. E. Neale e A. L. Rowse interpretaram seu reino como uma época de ouro do progresso. Para além de quaisquer polêmicas envolvendo seu reinado é certo que o reinado de Elizabeth I marcou o início da Consolidação do Grande Império que a Inglaterra se tornaria dois séculos depois.

A saúde da rainha permaneceu boa até o outono de 1602, quando uma série de mortes entre seus amigos a colocaram em uma grande depressão. A morte de Catherine Carey, Condessa de Nottingham e sobrinha de sua amiga Catarina Carey, em fevereiro de 1603 a atingiu severamente. Isabel adoeceu no mês seguinte e permaneceu em uma “melancolia assentada e irremovível”. Isabel morreu no dia 24 de março de 1603 no Palácio de Richmond entre as 2h e 3h da madrugada.

 

0 respostas

Deixe uma resposta

-
Sinta-se livre para contribuir!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *