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FRANCISCO DE GOYA

Francisco José de Goya y Lucientes (1746 —  1828) foi um pintor e gravador espanhol.

 

Goya nasceu em  Aragão, Espanha, no dia 30 de março de 1746, filho de José Benito de Goya y Franque e de Gracia y Lucientes Salvador. Passou sua infância em Aragão, onde sua família morava em uma casa com o brasão da família de sua mãe. O pai ganhava a vida como dourador . O artista iniciou seus estudos na cidade de Saragoça, onde teve os ensinamentos do pintor José Luzán Y Martinez, que lecionava na Academia de Desenho de Saragoça. Outro de seus professores foi Francisco Bayeu, pintor da Corte da Espanha. Como era costume na época, começou fazendo cópias de pinturas de vários mestres.

Aos dezessete anos, transferiu-se para Madrid, onde estudou com Anton Raphael Mengs, um pintor que era popular na realeza espanhola, e lá iniciou a pintura de um lote de telas para a Real Fábrica de Tapeçarias de Santa Bárbara. Cinco anos depois, o pintor ganha o título de membro da Real Academia de São Fernando de Madrid com a pintura do quadro “Cristo na Cruz”. Os biógrafos atribuem a Goya todo o tipo de aventuras nos anos que se seguiram, como a de ter se tornado toureiro em Roma e de ter se envolvido em inúmeras aventuras amorosas.

No final de 1771, inscreveu-se em concurso da Academia de Belas Artes de Parma, recebendo uma menção honrosa e sua primeira encomenda: o afresco na Igreja Nossa Senhora do Pilar, em Saragoça. A partir daí, seguiram-se encomendas para o Palácio de Sobradiel e o Monastério Aula Dei. Entre os anos de 1773 e 1774 foram executadas, provavelmente, as últimas pinturas desse período em que esteve em Saragoça.

Goya se casou com Josefa Bayeu, irmã dos artistas Francisco e Ramon Bayeu. Enquanto esteve em Madrid, trabalhou para várias fábricas, fazendo desenhos para tapeçarias. São desse período os desenhos que ganharam fama, com reprodução de cenas folclóricas e de paisagens. Contudo, ele não era um artista interessado em paisagens e o fundo de suas obras mostra o pouco interesse que ele tinha por elas.

Depois de estabelecido em Madrid, começou a pintar retratos. No ano de 1780, entrou para a Academia de San Fernando e apresentou a obra “La Crucificada”. Nessa pintura, Goya seguiu as regras acadêmicas, provando que era um mestre do estilo convencional. Em 1785, começou a receber encomendas da aristocracia. No mesmo ano, executou o primeiro retrato de um membro da nobreza, a Duquesa de Osuna. Em 25 de abril de 1785, depois da morte de Carlos III e da coroação de Carlos IV, foi nomeado “Primeiro Pintor da Câmara do Rei”, tornando-se o pintor oficial do monarca e sua família. Naquela época, Goya já era o artista mais bem sucedido da Espanha.

 

 

Muitas de suas gravuras, em referência à moral, ao estranho e ao bizarro da alma humana, encontraram grande aceitação.

 

Em 1790, pintou um de seus autorretratos.

Em 1792, numa viagem à Andaluzia, contraiu uma doença séria e desconhecida, transmitida por seu amigo Sebastián Martínez, ficando temporariamente paralítico, parcialmente cego e totalmente surdo. Com a doença, perdeu sua vivacidade, seu dinamismo, sua autoconfiança. A alegria desapareceu lentamente de suas pinturas, as cores se tornaram mais escuras e seu modo de pintar ficou mais livre e expressivo. Das andanças de Goya no Sul espanhol, acaba surgindo sua amizade com a duquesa de Alba, que foi retratada em 1795. Entres os anos de 1796 e 1797, o artista começa a produzir gravuras em áqua-tinta aos quais nomeia como “Os Caprichos”, que constituem um lote de 80 telas.

Devido à doença, também, Goya passou a não ter mais muito respeito pela aristocracia, expondo nas suas pinturas as verdadeiras identidades e as fraquezas dos modelos. Um exemplo é o retrato do rei Fernando VII da Espanha. Seus retratos deste período mostram, todavia, a sua fascinação pelas mulheres e pelas crianças, não igualada por nenhum outro artista, com a possível exceção de Renoir. Dois retratos de mulheres, executados nessa época, mostram claramente essa qualidade: Doña Antonia Zarate, orgulhosa, ereta, coquete e algo triste; e a Condesa de Chinchón, o mais terno de seus retratos de mulheres, no qual o rosto infantil e a postura frágil dos ombros contrastam com o traje elegantemente pintado. Estes retratos foram como um último adeus às alegrias da vida, porque pouco depois Goya se exilou em sua Quinta del Sordo, em Madrid.

Porém, em 1808, as tropas francesas de Napoleão Bonaparte invadiram Portugal, fazendo a família real portuguesa fugir para o Brasil. A Espanha, que era aliada dos Franceses, acabou sendo traída e sofreu as mesmas consequências que os portugueses. Este foi o início da Guerra Peninsular, que envolveu Portugal, Espanha, Grã-Bretanha e França. Dentro deste cenário atroz, que causava milhares de morte, Goya observou argutamente os terrores da guerra e registrou em suas telas momentos de crueldade.

As guerras napoleônicas vieram e se foram, e os horrores sofridos pelos espanhóis deixaram um Goya amargo, transformando a sua arte em um ataque contra a conduta insana dos seres humanos, passando a retratar a falta de sentido do sofrimento humano, tanto injusto como não merecido.

 

 

Entre os anos de 1810 e 1814, produziu sua famosa série de pinturas “Los Desastres de la Guerra” e suas duas obras primas “El Segundo de Mayo 1808” e “El Tercero de Mayo 1808” (também conhecido como “Los fusilamientos en la montaña del Príncipe Pío” ou “Los fusilamientos del tres de mayo” ). Estas pinturas demonstram um uso de cores extremamente poderoso e expressivo. Pela primeira vez, a guerra foi descrita como fútil e sem glória, e pela primeira vez não havia heróis, somente assassinos e mortos.

Um ano depois, a Inquisição inicia um processo contra Goya. A alegação era de obscenidade nos quadros denominados “Majas”, pinturas onde uma formosa mulher é retratada de corpo inteiro, deitada em um leito e olhando na direção dos observadores. Porém, Goya consegue sua “purificação” e volta a ser o Primeiro Pintor da Câmara.

Durante a última parte de sua vida, Goya cobriu as paredes de sua Quinta del Sordo com as famosas “pinturas negras“, as últimas e mais misteriosas de seu gênio atormentado, como “Saturno devorando um filho” (1819-1823) que se encontra atualmente no Museu do Prado. Esta pintura constitui uma referência aos conflitos internos de Espanha, durante o reinado absolutista de Fernando VII, mas será também um reflexo da degradação da sua saúde física e mental.

Conhecido como “Goya, o Turbulento” e considerado às vezes como “o Shakespeare do pincel, suas produções artísticas incluem uma ampla variedade representativa de retratospaisagens, cenas mitológicastragédiacomédiasátirafarsa, homens, deuses e demônios, feiticeiros, e um pouco do obsceno.

Em 1824, Goya exilou-se em Bordéus, França, vindo a morrer quatro anos depois naquela cidade. Encontra-se sepultado em San Antonio del la Florida, Madrid na Espanha.

 

 

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