HARUN AL-RASHID (O califa das 1001 Noites)

 

Hārūn al-Rashīd (em  árabe: هارون الرشيد; pronunciado Hārūn ar-Rashīd– “Aarão, o Justo” ou “Aarão, o Bem-guiado”), também referenciado como Harune Arraxide , foi o quinto califa abássida, reinando entre 786 e 809, numa época marcada pela prosperidade científica, cultural e religiosa no Islã. Ele foi o fundador da lendária biblioteca chamada de “Casa da Sabedoria” (Bay al-Hikma) .

Como Harun era intelectualmente, politicamente e militarmente habilidoso, sua vida e a sua corte – sob a qual ele tinha completo domínio – são temas de diversos histórias: algumas supõe-se que são fatos, mas a maioria são fictícias.

Foi sob Harun al-Rashid que Bagdá floresceu e se tornou uma das mais esplêndidas cidades do mundo. Muitos governantes pagavam tributo ao califa e estes fundos eram utilizados em obras arquitetônicas, nas artes e para sustentar a vida na corte.

Historiadores do período, como Eginhardo e Nokter o Gago fazem referência a enviados viajando entre as cortes de Harun e a do Imperador Franco, Carlos Magno, tratando principalmente do acesso dos cristãos à Terra Santa e trocando presentes. Notker menciona que Carlos Magno teria enviado a Harun cavalos espanhóis, belas roupas coloridas da Frísia e grandes cachorros de caça. Em 802, Harun enviou seda, candelabros de latão, perfumes, bálsamo de Meca, peças de xadrez em marfim, uma tenda colossal com muitas cortinas coloridas, um elefante chamado Abul-Abbas e um relógio de água que marcava as horas derrubando bolas de bronze numa bacia conforme cavaleiros mecânicos – um pra cada hora – emergiam de portinholas que se fechavam atrás de si. Os presentes eram sem precedentes na Europa Ocidental e influenciaram a arte carolíngia.

 

Quando a imperatriz bizantina Irene foi deposta, Nicéforo I o Logoteta se tornou imperador e se recusou a pagar o tributo a Harun, afirmando que Irene é que deveria estar recebendo um tributo durante o seu reinado. As novidades enfureceram Harun, que escreveu uma mensagem no verso da carta do imperador dizendo “Em nome de Alá, o misericordioso, do Amir al-Mu’minin  Harun al-Rashid, comandante dos fiéis, a Nicéforo, cão dos romanos. Tu não ouvirás a minha resposta, irás vê-la.” Após campanhas na Ásia Menor, Nicéforo foi forçado a firmar um novo tratado em termos humilhantes.

Al-Rashid apontou também Ali bin Isa bin Mahan como governador do Coração, região histórica da antiga Pérsia que englobava os atuais Afeganistão, Tadjiquistão, Turcomenistão, Uzbequitão e parte do Irã. O novo governador tentou subjugar os príncipes e líderes militares da região para reimpor a autoridade do governo central na região. Esta nova política foi recebida com grande resistência e provocou diversas revoltas na região. Uma delas, liderada por Rafi ibn al-Layth, iniciou-se em Samarcanda e obrigou al-Rashid a se dirigir para a região. Ele primeiro depôs e mandou prender Ali, o que não arrefeceu a revolta. O califa morreu logo depois de chegar na vila de Sanabad, em Tus, e foi enterrado no palácio de verão de Humaid bin Qahtabah, o antigo governador abássida do Coração, localizado nas proximidades. O local posteriormente ficou conhecido como Mashhad (“O local do Martírio”) por causa do martírio do imam Ali ar-Ridha. Outra tradição defende que a tumba de Harun foi arrasada na invasão mongol em 1220.

 

Após a sua morte, uma guerra civil se iniciou entre as facções que apoiavam seus dois filhos, al-Amin e al-Ma’mun. Após um longo período de combates e descontrole sobre o califado, a guerra terminou com o triunfo de al-Ma’mun, após o cerco de Bagdá.

 

O nome  do  califa  está  também  ligado  a  centenas  de  anedotas e ao famoso livro As Mil e uma Noites, que contém muitas histórias fantásticas sobre a corte de Harun e sobre o próprio califa.

 

FONTE : Wikipédia  Harun

 

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