Helena Blavatsky

Elena Petrovna Blavatskaya (em russo: Елена Петровна Блаватская, Ekaterinoslav, Império Russo, atualmente na Ucrânia, em 1831 — Londres, 1891), mais conhecida como Helena Blavatsky ou Madame Blavatsky, foi uma prolífica escritora, filósofa e teóloga da Rússia, responsável pela sistematização da moderna Teosofia e cofundadora da Sociedade Teosófica

 

Personalidade complexa, dinâmica e independente, desde pequena Elena Blavatskaya mostrou possuir um caráter forte e dons psíquicos incomuns, e logo em torno dela se formou um folclore doméstico. Imediatamente após um casamento frustrado, deixou o esposo e partiu em um longo período de viagens por todo o mundo em busca de conhecimento filosófico, espiritual e esotérico, e nesse intervalo alegou ter passado por inúmeras experiências fantásticas, entrado em contato com vários mestres de sabedoria ou mahatmas e deles recebido na condição de discípula um treinamento especial para desenvolver seus poderes paranormais de forma controlada, a fim de que pudesse servir-lhes de instrumento para a instrução do mundo ocidental. A partir de 1873 iniciou sua carreira pública nos Estados Unidos, e em pouco tempo se tornou uma figura tão celebrada quanto polêmica. Exibiu seus poderes psíquicos para grande número de pessoas, deslumbrando a muitos e despertando o ceticismo em outros, que não raro a acusaram de embuste, muitas vezes com boas evidências para tal. Entretanto, em muitos outros casos seus poderes pareceram autênticos.

Resultado de imagem para ísis sem véuA controvérsia a acompanhou por todo o resto de sua vida e ainda hoje está acesa. Nos Estados Unidos estabeleceu uma duradoura aliança de trabalho e companheirismo com Henry Olcott, com quem fundou a Sociedade Teosófica, e em 1877 Blavatsky publicou sua primeira obra importante, “Ísis sem Véu”, já tendo escrito antes inúmeros artigos. Pouco depois ela e Olcott transferiram a sede da Sociedade para a Índia, e passaram a viver lá, até que um incidente, o Caso Coulomb, abalou gravemente sua reputação internacional, quando foi declarada culpada de fraude num relatório publicado pela Sociedade de Pesquisas Psíquicas de Londres. Voltou então para a Europa, onde continuou escrevendo e divulgando a Teosofia. Seus anos finais foram difíceis, estava frequentemente adoentada e envolvida em discussões públicas, tinha de administrar a Sociedade que fundara e que crescia rapidamente, e a quantidade de trabalho que se impunha era enorme. Mesmo assim pôde concluir seu livro mais importante, A Doutrina Secreta, uma síntese de História, Ciência, Religião e Filosofia, e deixar outras obras de relevo, além de profusa correspondência e grande coleção de artigos e ensaios.

Resultado de imagem para blavatskyBlavatsky surgiu em um momento histórico em que a religião estava sendo rapidamente desacreditada pelo avanço da Ciência e da Tecnologia, e que testemunhou o nascimento de uma série de escolas de ocultismo ou de pensamento alternativo, muitas delas com base conceitual pouco firme ou desenvolvendo práticas apenas intuitivas, que ganhavam grande número de adeptos em virtude do fracasso do Cristianismo em fornecer explicações satisfatórias para várias questões fundamentais da vida e sobre os processos do mundo natural. A importância da contribuição de Blavatsky foi então reafirmar o divino, mas oferecendo caminhos de diálogo com a Ciência e tentando purgar a Religião institucionalizada de seus erros seculares, combatendo o dogmatismo e a superstição de todos os credos e incentivando a pesquisa científica, o pensamento independente e a crítica da fé cega através da razão. Lutou contra todas as formas de intolerância e preconceito, atacou o materialismo e o ceticismo arrogante da ciência, e pregou a fraternidade universal. Sem pretender fundar uma nova religião, sem reivindicar infalibilidade nem se intitulando proprietária ou autora das ideias que trouxe à luz, apresentou ao mundo ocidental uma síntese de conceitos, técnicas e interpretações de uma grande variedade de fontes filosóficas, científicas e religiosas do mundo, antigas e modernas, organizando-as em um corpo de conhecimento estruturado, lógico e coerente que compunha uma visão grandiosa e positiva do universo e do homem. Com isso a Teosofia se tornou, ainda que contestada por vários críticos, um dos mais bem sucedidos sistemas de pensamento eclético da história recente do mundo, unindo formas antigas e novas e provendo pontes entre vários mundos diferentes – sabedoria antiga e pragmatismo moderno, oriente e ocidente, sociedade tradicional e reformas sociais. Influenciou milhares de pessoas em todo o mundo desde que apareceu, desde a população comum a estadistas, líderes religiosos, literatos e artistas, e deu origem a um sem-número de seitas e escolas de pensamento derivativas.

 

Helena Blavatsky foi descrita por seus contemporâneos em extremos de admiração e de desprezo, embora fosse uma figura fascinante para todos, pelo menos no que diz respeito ao seu carisma, inteligência e vivacidade pessoal, onde não estava ausente um grande senso de humor, que se expressava da maneira mais cômica quando falava mal de si mesma e levava às gargalhadas seus amigos. Seu comportamento nada tinha de previsível ou polido, estava longe das convenções sociais, era dramática, impulsiva e propensa a dar escândalos, a opinião alheia lhe era indiferente, mas não era esnobe. Não demonstrava ter uma natureza sensual mas falava abertamente sobre sexo. Era muito obesa, adorava comidas gordurosas e vestia-se de modo confuso, preferindo largas túnicas exóticas e vestidos soltos que tornavam seu perfil volumoso ainda mais indistinto; gostava de usar uma profusão de anéis. Era barulhenta, falava incessantemente exceto quando escrevia, mas era uma conversadora brilhante que cativava imediatamente seus ouvintes com uma ininterrupta série de histórias deslumbrantes sobre suas viagens e experiências incomuns em países exóticos. Na discussão pública era praticamente imbatível, mantendo uma posição de extrema autoconfiança e veemência, suportadas por uma erudição e versatilidade que impressionavam a todos.Fumava sem parar cigarros de fumo turco que ela mesmo enrolava e oferecia a todas as suas visitas, gostava de haxixe, de café e de chá. Contrariada, tinha acessos de intensa cólera, quando proferia maldições e outros impropérios nas cerca de quarenta línguas e dialetos que dominava, e que em segundos passavam para um humor tranquilo, carinhoso e jovial. Em certas épocas bebia brandy em quantidade “o suficiente para matar um iaque tibetano”, como ela mesma dizia. Na fase de apogeu de sua carreira as excentricidades de seu comportamento e sua própria figura física eram o exato oposto de quem, de acordo com as expectativas da época, se apresentava como uma discípula de santos e sábios. Esteve durante toda sua carreira pública envolvida em polêmicas e deixou muitas declarações intencionalmente contraditórias sobre sua vida.

Os fenômenos paranormais que produziu ao longo de toda sua vida foram testemunhados por inúmeras pessoas, e se manifestavam em uma imensa variedade de formas. Perguntada por um repórter em Nova Iorque o motivo de ela produzi-los, disse que era uma das maneiras de provar a realidade do mundo espiritual e a existência dos espíritos. Seu próprio pai era cético sobre seus poderes, até que ela o convenceu adivinhando o nome de um antigo soldado que somente ele conhecia.Produzia sons variados e música sem auxílio de instrumentos; podia saber o que diziam ou pensavam pessoas a quilômetros de distância; muitas vezes previu o futuro; era capaz de materializar objetos vários, que às vezes dava de presente, e de alterar as propriedades físicas de objetos pré-existentes, como quando certa vez em uma reunião com grande número de familiares e amigos fez uma mesa pequena se tornar tão pesada que ninguém conseguiu movê-la. Podia materializar desenhos sobre papéis em branco, no chamado processo de precipitação, descobriu a localização de pessoas desaparecidas, fez curas inexplicáveis pela ciência de então, levitava objetos, fazia aparecerem cenas e figuras em espelhos, fazia personagens de pinturas parecerem vivos e se mover. Outros fenômenos aconteciam em seu redor sem sua intervenção direta. A Condessa de Wachtmeister afirmou que ruídos como raspagens surgiam todas as noites de uma mesa de cabeceira junto ao leito de Blavatsky em intervalos regulares, outra vez uma vela voltou a acender todas as vezes que foi apagada. O cuco de um relógio que possuía se comportava às vezes como se estivesse vivo, cantando de várias maneiras diferentes e imprevisíveis, e às vezes suspirava ou grunhia; uma coruja empalhada que manteve em seu apartamento novaiorquino foi vista a piscar por várias pessoas, e cartas e bilhetes dos mestres se materializavam com frequência para ela e outros.Às vezes apareciam luzes em torno de objetos ou elas pairavam no ar, e davam um choque elétrico quando tocadas. Os fenômenos psíquicos que sempre a acompanharam foram a principal causa das inúmeras acusações de charlatanismo que sofreu. É preciso dizer que a maioria dessas acusações não puderam ser comprovadas, mas ela própria reconheceu que em alguns casos de fato se valeu de métodos fraudulentos para fazer valer suas proposições ou autenticar os fenômenos psíquicos que produzia. O problema maior para sustentação de sua credibilidade, desta forma, é a impossibilidade de se distinguir onde terminavam as fraudes e onde começavam as manifestações autênticas, cuja linha divisória permanece, para os pesquisadores modernos, uma incógnita.

 

FONTE:  Wikipédia   Helena Blavatsky

 

 

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