HERMANN HESSE

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Nascido na Suábia (Alemanha) no seio de uma rígida família de missionários protestantes, o escritor e Prêmio Nobel de Literatura de 1946, Hermann Hesse, foi um dos escritores mais lidos e uma das influências mais marcantes na formação de várias gerações de admiradores e entusiastas de suas ideias no decorrer do século XX. O adolescente introvertido e franzino não aceitou e muito menos se conformou com o ambiente no qual nascera e crescera. Muito cedo deu mostras de rebeldia contra a “camisa de força” que lhe fora imposta pelo severíssimo ambiente familiar, que levou, inclusive, seu irmão mais jovem, Hans, a um suicídio precoce. No círculo familiar sua rebeldia contra a extremada religiosidade causou tanto incompreensão quanto preocupação, pois os Hesse, por gerações, além de intelectuais renomados, eram crentes convictos, engajados na igreja em serviços missionários e na publicação de literatura religiosa.

Em 1891, o pai matriculou Hermann Hesse, de 14 anos, no tradicional mosteiro de Maulbronn, onde o avô materno estudara. Depois de sete meses Hermann fugiu do internato e só foi encontrado dois dias depois, confuso e transtornado. Após uma tentativa de suicídio, foi internado numa clínica psiquiátrica. O jovem Hermann foi a primeira ovelha negra de uma linhagem familiar que não conhecia nada além do sacrifício à religião. No ápice desse conflito resolveu enfrentar o pai escrevendo-lhe uma carta com uma frase ao mesmo tempo incisiva e reveladora: “Serei escritor ou nada”.

 

 

 

Resultado de imagem para hesseParadoxalmente, mais tarde Hesse confessaria, num claro manifesto das ambiguidades e polaridades que tanto o incomodaram: “Quanto mais avançava em idade, tanto mais compreendi quanta semelhança eu tinha com o meu pai”… O ambiente familiar pietista rígido e repressivo foi o “background” que, se por um lado alimentou todos os conflitos psíquicos de Hesse, um solitário e depressivo crônico, que, durante toda a sua vida, teve que lutar contra dúvidas, anseios e aflições e que não suportava pessoas por muito tempo ao seu redor (mesmo suas mulheres — teve três —, só as tolerava a certa distância), por outro foi o húmus que ajudou a produzir uma das obras literárias mais profundamente humanistas e profundas da história da humanidade.

Resultado de imagem para hesse knulpEm 1904 publica seu primeiro romance “Peter Camenzind”, casa com a fotógrafa Maria Bernoulli e compra uma propriedade em Gaienhofen, no Lago de Constança, na divisa da Ale­manha com a Suíça. Em 1991, parte para uma viagem à Índia e lá toma conhecimento com a espiritualidade oriental; no início da Primeira Guerra Mundial, Hermann Hesse se engaja em projetos e serviços humanitários. Um de seus trabalhos foi a criação de um grupo que se ocupou com a remessa de livros para presos em campos de concentração. Em 1915 publica “Knulp”, obra na qual o autor mostra ao leitor o quanto o homem depende de convenções sociais.

 

Em 1916 Hermann Hesse é acometido de uma crise nervosa que o prende por meses no sanatório Sonnmatt, em Lucerna, na Suíça. Tem início uma profunda amizade com o psicanalista J. B. Lang, discípulo de Carl Jung e posteriormente com o próprio Jung, com quem iniciou um tratamento psicanalítico. Tanto a admiração pela espiritualidade vinda do Oriente, quanto o contato com Lang e Jung ( também um admirador confesso das escolas místicas do Oriente) estão na base de todos os grandes livros de Hesse.

Em 1919 publica “O Regresso de Zaratustra”, obra dirigida aos jovens: “O mundo não está aí para ser melhorado. Mas vocês estão aí para serem vocês mesmos. Vocês estão aí a fim de que este mundo sombrio, com esse acorde e com esse tom de vocês, fique mais rico. Seja você mesmo e o mundo tornar-se-á mais belo e mais rico”. Paralelamente Hermann Hesse muda-se para a Casa Camuzzi, em Montagnola, no Tessino, onde permanece até 1931.

Resultado de imagem para hesseAinda em 1919 Hesse publica “Demian”, sob o pseudônimo de Emil Sinclair, e faz amizade com Ruth Wenger, com a qual acaba se casando. O casamento dura apenas três anos, de 1924 a 1927. Em 1921 Hesse começa a escrever “Siddhartha”, o qual teve que interromper em virtude de um bloqueio psíquico. Hesse cai em profunda depressão. Começa a sua segunda análise psicanalítica, dessa vez, com o renomado psiquiatra C. G. Jung. Em 1922 termina e publica “Siddhartha”, sobre o qual Henry Miller escreveu: “Siddhartha é, para mim, um medicamento mais eficiente do que o Novo Testamento”.

Nesse entretempo Hesse pu­blicou várias obras, entre elas, “O Lobo da Estepe” (“Der Steppenwolf”  1927), talvez seu livro mais famoso, e que juntamente com “Demian” e “Siddhartha” formam a trilogia de Hesse dedicada às três  Fases de Vida do Homem: a juventude encarnada no Emil Sinclair de “Demian”, Harry Haller, o homem maduro protagonista do “Lobo da Estepe” e o ancião de “Siddhartha . Resultado de imagem para hesseEm 1931 Hesse começa a escrever “O Jogo das Contas de Vidro” e  casa-se com Ninon Dolbin, sua secretária. Em 1931 Hesse muda-se para a “Casa Rossa”, uma mansão construída por um abastado admirador, H.C. Bodmer, que deu a Hesse o direito de ocupá-la até a sua morte. No muro da porta de entrada Hermann Hesse prendeu uma tabuleta com os seguintes dizeres: “Não recebo visitas”. Certo dia subiu à montanha seu amigo Thomas Mann. Este, ao ler os dizeres, deu meia-volta. Conta-se que nunca mais os dois escritores voltaram a se encontrar.

Resultado de imagem para hesse e jungTravou contacto com a espiritualidade oriental a partir de uma viagem à Índia em 1911 e com a psicologia analítica por meio de um discípulo de Carl Gustav Jung, em decorrência de uma crise emocional causada pela eclosão da Primeira Guerra Mundial. Estas duas influências seriam decisivas no posterior desenvolvimento da sua obra.

 

 

Em 1946 recebeu o Prêmio Goethe e, passados alguns meses, o Nobel de Literatura “por seus escritos inspirados que, enquanto crescem em audácia e penetração, exemplificam os ideais humanitários clássicos e as altas qualidades de estilo”.

Hermann Hesse morreu em 9 de agosto de 1962, em Mon­tagnola, aos 75 anos. Suas obras, no entanto, continuam vivas e hoje, mais do que no passado, o número de leitores e admiradores de Hermann Hes­se aumenta em todos os quadrantes, especialmente na Eu­ropa, Estados Unidos, Ja­pão, China, Índia e Coreia do Sul. Talvez seja essa a razão pela qual em Calw, sua cidade natal na Suábia, existe uma estátua de bronze do grande escritor, em que a expressão de felicidade estampada em seu rosto parece dizer: “Hoje sei muito bem que nada na vida repugna tanto ao homem quanto seguir pelo caminho que o conduz a si mesmo”.

 

Artigo inspirado no texto de Edgar Welzel, “Hermann Hesse: o Guru dos Hippies” publicado na Revista Bula

 

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PENSAMENTOS  DE  HESSE

 

Em um exercício de fútil vaidade, se tivesse a possibilidade de escolher uma frase para  algum dia ornar o local onde forem jogados os restos mortais que me serviram de guarida na atual encarnação, escolheria sem dúvida alguma esta citação de “Demian” :

 

” (…) Não creio ser um homem que saiba. Tenho sido sempre um homem que busca, mas já agora não busco mais nas estrelas e nos livros: começo a ouvir os ensinamentos que meu sangue murmura em mim. Não é agradável a minha história, não é suave e harmoniosa como as histórias inventadas; sabe a insensatez e a confusão, a loucura e o sonho, como a vida de todos os homens que já não querem mais mentir a si mesmos.

A vida de todo ser humano é um caminho em direção a si mesmo, a tentativa de um caminho, o seguir de um simples rastro. Homem algum chegou a ser completamente ele mesmo; mas todos aspiram a sê-lo, obscuramente alguns, outros mais claramente, cada qual como pode. Todos levam consigo, até o fim, viscosidades e cascas de ovo de um mundo primitivo.

Há os que jamais chegam a ser homens e continuam sendo rãs, esquilos e formigas. Outros são homens da cintura para baixo. Mas cada um deles é um impulso em direção ao ser. Todos temos origens comuns: as mães; todos proviemos do mesmo abismo, mas cada um – resultado de um tentativa ou impulso inicial – tende a seu próprio fim. Assim é que podemos entender-nos uns aos outros, mas somente a si mesmo pode cada um interpretar-se.

(Demian) Hermann Hesse

 

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“Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo.”

Hermann Hesse

 

“Se você odeia alguém, é porque odeia alguma coisa nele que faz parte de você. O que não faz parte de nós não nos perturba.”

Hermann Hesse

 

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“Todo o humorismo sublime começa com a renúncia de se levar a sério a própria pessoa.”

Hermann Hesse

 

“A sabedoria não pode ser transmitida. A sabedoria que um sábio tenta transmitir soa mais como loucura.”

Hermann Hesse

 

“Não existe nada tão mau, selvagem e cruel, na natureza, quanto os homens normais.”

Hermann Hesse

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“Não devemos fugir da vida ativa para a vida contemplativa, nem vice-versa, mas variando entre as duas, estar sempre a caminho, nas duas ter a nossa morada, participar de ambas. (O Jogo das contas de vidro)”

Hermann Hesse

 

“A alegria e o sofrimento são inseparáveis como compassos diferentes da mesma música.”

Hermann Hesse

 

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