Julgo ser o artigo mais BOMBÁSTICO que pude ler sobre este tema (o Covid 19) e penso que merece ser lido por todos. Afinal, refere-se a procedimentos adotados pelo Einstein e pela Santa Casa, dois dos estabelecimentos hospitalares mais prestigiados no Brasil

COMO A MAIORIA DOS TEXTOS ESCLARECEDORES, ESTE É UM TEXTO  LONGO.

 

“Mandetta está errado”, diz Paolo Zanotto, virologista da USP.

Zanotto participou da elaboração de um protocolo que vem sendo adotado nas últimas semanas por alguns dos principais hospitais de São Paulo — como a Santa Casa e o Albert Einstein— no tratamento de pacientes com sintomas iniciais de Covid-19. De acordo com esse protocolo — ao qual a reportagem do BSM teve acesso exclusivo —, a cloroquina deve ser administrada aos pacientes logo no início da doença, preferencialmente do 2º ao 4º dia do aparecimento dos primeiros sintomas, como febre, tosse, coriza e respiração superior a 22 vezes por minuto. As pessoas que manifestam esse quadro devem receber o medicamento na própria casa, o que desafogaria as redes hospitalares e o sistema de saúde como um todo. Segundo Zanotto, não faz sentido dar o remédio apenas para pacientes que se encontram na fase avançada da doença, como vem defendendo o Ministério da Saúde. “Mandetta está errado”, diz Zanotto.

“O que nós sabemos, com base nas observações das últimas três semanas? A pessoa é infectada e até o 4º dia de aparecimento dos sintomas — o que chamamos de “fase de expansão viral” —, o pulmão vai acumulando lesões. Os primeiros sintomas são febre, coriza, um estado gripal muito leve. No período que vai 2º ao 4º dia, é preciso dar o remédio à pessoa — e esse remédio é a hidroxicloroquina. Se você não der o remédio, no 7º dia o paciente já estará com o pulmão completamente comprometido. Quando surgir a tosse seca e dificuldade respiratória, será muito difícil tratar a doença. A rede Prevent descobriu que, iniciando o tratamento do 2º ao 4º dia, e usando hidroxicloroquina em associação com azitromicina, você salva a pessoa. Ela nem vai ser hospitalizada.”

Paulo Briguet: Mas por que esse protocolo não está sendo aplicado em larga escala?

Paolo Zanotto: Acho que eu entendi por quê. A hidroxicloroquina ficou sendo o “remédio do Bolsonaro” e o “remédio do Trump”. Agora, eles estão sob fogo cerrado — inclusive de dentro dos seus próprios governos. Tecnicamente, o remédio deveria ser dado entre o 2º e o 5º dia da doença; depois disso, a pessoa precisa ser internada porque vai precisar de apoio respiratório. É uma terapia curta, e os efeitos adversos não estão se manifestando, segundo diversos trabalhos. Em São Paulo, a rede Prevent teve 96 mortes por coronavírus até o dia 22 de março, praticamente metade de todas as mortes reportadas pelo governo de São Paulo. Hoje eles estão com apenas uma pessoa na UTI. Desde que a Prevent adotou esse protocolo, não registrou mais mortes por coronavírus. E as pessoas que tiveram problema são as que entraram tardiamente nesse protocolo, já com a doença avançada. A Santa Casa e o Albert Einstein também adotaram esse protocolo, além de vários hospitais do interior de São Paulo, sempre com ótimos resultados. No Hospital Sancta Maggiore, em São Paulo, a equipe médica entendeu o que está acontecendo e colocou o ovo de Colombo em pé. Temos um protocolo que está salvando vidas.

Paulo Briguet: Existem, portanto, razões ideológicas para a recusa do tratamento por cloroquina?

Paolo Zanotto: Se o povo não estivesse falando que esse é o “remédio do Bolsonaro” ou o “remédio do Trump”, seria diferente. Se fosse a “droga do Doria” ou a “droga do Lula”, eu garanto que seria um sucesso. Há muita ideologia envolvida no problema. Para alguns, se for necessária a morte de milhões para tirar o Trump e o Bolsonaro, que seja assim.

Paulo Briguet: O protocolo adotado pelo Ministério da Saúde prevê o uso de hidroxicloroquina somente na fase final da doença, em pacientes graves. Como o sr. vê isso?

Paolo Zanotto: De todos os pacientes entubados, 50% morrem se tiverem alguma comorbidade. Os que sobram podem ficar com 50% de comprometimento pulmonar e sair de lá com menos de 20% de capacidade respiratória. Hoje (quinta-feira), eu alertei o Wanderson de Oliveira (secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde) sobre isso e afirmei claramente: “O ministro Mandetta está errado”. Passei para ele o protocolo, os dados, todas as informações, a timeline da doença, mostrando que qualquer tratamento medicamentoso depois do 4º dia tem pequenas chances de sucesso. Mas não tive resposta — e acho que não vou ter. Volto a dizer: o protocolo de uso da cloroquina na fase inicial da doença vem salvando vidas, mas está sendo desprezado e criticado pela imprensa, pelos governos e até por gente da área científica. A doutrina do “quanto pior, melhor” está no interesse de alguns grupos por aí.

Paulo Briguet: Mas isso não pode acontecer… São vidas que estão em jogo!

Paolo Zanotto: Mas quem lhe disse que vidas são importantes? Para alguns grupos, o importante é o poder. Joseph Ratzinger (o papa emérito Bento XVI) disse outro dia algo muito interessante: “Quando não há princípios superiores, tudo é poder pelo poder”. A gente vive numa realidade em que os aspectos que definem a civilização humanista estão deixando de valer. Hannah Arendt, uma das filósofas mais importantes do século passado, resgatou a necessidade de valores, da distinção entre o certo e o errado, entre o bonito e feio. Quando jovem, ela foi aluna do filósofo Martin Heidegger. Tiveram até um caso amoroso. Depois disso, com a ascensão do nazismo, ela foi para os Estados Unidos e se tornou uma acadêmica muito respeitada. Durante a Segunda Guerra, Heidegger se tornou reitor da Universidade de Freiburg. Em seu discurso de posse, ele fez uma apologia do nazismo. Quando acabou a guerra, Hannah Arendt visitou Heidegger na Alemanha. Todo mundo ficou horrorizado. Mas por que ela fez isso? Porque precisava saber como uma pessoa como Martin Heidegger se dobrou àquilo. Esse encontro foi fundamental para que, tempos depois, ela participasse do julgamento do criminoso nazista Eichmann em Jerusalém, que resultou em um de seus mais famosos livros. Esse período de Hannah Arendt em Jerusalém se resume a uma única frase, que eu guardo no meu coração: “Quando a necessidade substitui a verdade, o mal se torna banal”. Ela não foi conversar com Heidegger porque tinha saudades do velho professor. Ela fez isso para coletar informações e entender o problema do mal. No julgamento de Eichmann, ela encontra um burocrata, que cuidava da família, que se preocupava porque os soldados nazistas matavam as pessoas com um tiro na cabeça de forma errada, fazendo com que as pessoas sentissem dor. Eichmann era uma “pessoa normal”. Ela escreveu sobre a banalização do mal, que é uma decorrência da falta de valores superiores nos seres humanos. E é exatamente o que estamos vendo acontecer agora, com a pandemia do coronavírus. O materialismo histórico e a dialética marxista invalidaram o aspecto transcendente da humanidade. Se o ser humano não possui transcendência, a morte de milhões de pessoas para impor uma ideologia é totalmente válida. Estamos vivendo num período em que o transcendente foi eliminado ou está em processo de eliminação. Aí você entende o grande poder que o Partido Comunista Chinês tem no mundo todo. Eles estão comprando nossa imprensa, nossos intelectuais, nossas indústrias. Eles são a consequência da desumanização. Sob o pretexto de promover a igualdade, estão criando a realidade que Hayek chama de servidão. Em certo sentido, o que estamos vivendo é compreensível na dimensão filosófica. Apesar de ser um técnico e trabalhar com a evolução de vírus, tenho essa preocupação com a ética. Essa modernidade está avançando a um preço caríssimo, que é a essência do homem. Certa vez, Saul Alinsky encontrou uma senhora que havia acumulado vários feitos na militância radical e perguntou a ele: “O que devo fazer agora?” Ele respondeu: “Agora você deve morrer, e de uma morte bem pavorosa, porque não precisamos mais de você”. É algo parecido que estão dizendo para todos nós agora. Se a gente imagina um país como o Brasil, que viveu por 40 anos com uma educação de linha socioconstrutivista, não é de se estranhar que tenhamos tanta gente fazendo oposição à vida.

 

Paolo Zanotto - PerfilPaolo Zanotto

Paolo Marinho de Andrade Zanotto atualmente é professor doutor da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Microbiologia, com ênfase em Virologia, atuando principalmente nos seguintes temas: evolucao de flavivirus, baculovirus, filogenia viral, arboviroses emergentes e filogenia molecular.

10 respostas
  1. Daniel Soares
    Daniel Soares says:

    Dr Paolo. Gostei muito de seu texto. Mas pergunto se não há possibilidade de que o Ministério da Saúde não tenha recomendado essa conduta terapeutica mais precoce por falta de publicações sólidas e expressivas que a fundamentem ? Mandetta parece rigoroso quanto à Medicina baseada em evidências científicas publicadas.

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    • Felipe Dello
      Felipe Dello says:

      Pois é.. existiam publicações sólidas que validem a quarentena total da população?! Não né?! Entao oq vejo é um diversionismo.. e as pessoas usando mea-verdades pra justificar suas narrativas.. a busca não é mais pela verdade, pelo bem.comum.. pela vida … A guerra e ideologica e politica

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      • André Martins
        André Martins says:

        Acredito que os pontos apresentados são linhas bem distintas do mesmo problema. Primeiro ponto – Sobre a medicação: Mandetta, como médico, não quer recomendar o uso da medicação, exatamente, por causa da fragilidade dos tratados cientificos publicados até o momento. Devemos lembrar que Mandetta não está na linha de frente do campo de batalha, onde os “soldados” (medicos) tem experiencia prática com a medicação.
        Segundo ponto – Sobre a quarentena: A quarentena é sim uma alternativa válida a contenção da propagação do vírus. Mas sai da esfera da medicina, e toma aspectos sociais importantes, e dessa forma, deixa de ser somente uma atitude médica, para ser uma atitude politíca, e ai, aparece as questões de interesse politico, vaidade e poder que como o Dr. Zanotto tão bem escreveu nesse artigo.
        Como ultima observação, Mandetta, não assinou embaixo da Hidroxido-Cloroquina como solução definitiva a toda a população brasileira, e deixou aberto para que os médicos do campo de batalha prescrevam ou não o medicamento aos seus pacientes pois estes médicos podem analisar caso-a-caso a situação e necessidade de cada paciente. Não sou médico, mas li que a cloroquina tem diversos efeitos colaterais em que o arritimia-cardiaca é o mais conhecido e existem outros efeitos colaterais não muito conhecidos importantes, acredito que isso seja a cautela do Dr. Mandetta.

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  2. Igor
    Igor says:

    Se o Mandetta aparecendo em rede nacional varias vezes por dia (as emissoras repetem as noticias), se ele tivesse falado que a cloroquina é o remedio certo, os brasileiros iriam com certeza comprar o remédio pra ter em casa e tomar, sem nenhum acompanhamento médico, e íam passar mal. Claro que ele teve que dizer pra não tomar. Deixar pros médicos usarem, porque os médicos sabem o que estão fazendo e são responsabilizados pelo ato médico. Agora, pensa no monte de gente passando mal pelo uso indiscriminado de cloroquina, ficando cego e tudo mais e isso não tem antídoto, não tem volta. Teria muito mais internação por uso de cloroquina do que por COVID-19. Ele fez muito certo falar daquele jeito. Eu acho que nada a ver com a questão política ou que o remédio “é do Bolsomito”…. Vocês estão fazendo tempestade em copo de água e não enxergam que cada palavra dita por eles gera um efeito enorme na população e se tivessem dito que tinham a cura, ia ser um desastre. Está tudo funcionando certinho. Temos poucas mortes e estamos salvando gente. Se não fosse assim, estaria o caos igual Italia, Espanha e Estados Unidos….mas que tá calmo pra nós aqui, está! Concordo em liberar um pouco a economia pra não matar o povo de fome!!!

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    • Marcos
      Marcos says:

      O problema não é necessariamente o que ele diz, e sim o que ele faz.
      Concordo contigo que deve se ter cuidado com oa informação que o povo absorve. Mas como foi dito, a instrução dada aos médicos é que deveria ser a que foi descrita pelo entrevistado. E aí sim, muito mais vidas seriam salvas.

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  3. Marco Andre
    Marco Andre says:

    Bom dia, quanta bobeira escrita em um lugar só. Primeiro o prof Paolo não é do lab de virologia do IMT- HC FMUSP e dos laboratórios que foram responsáveis pelo sequenciamento genético do vírus no Brasil. O Mandetta está seguindo recomendações sólidas, baseadas em evidências. Não fazendo medicina baseada no desespero. Como em outras epidemias (febre amarela), cada centro fazia uma coisa, transplante, aferese, antiviral sem resposta. Vários centros de qualidade não estão utilizando hidroxicloroquina inclusivise o HCFMUSP. Quanto a prevent ter diminuído a mortalidade após o uso da medicação é um dado mentiroso, as notificações de casos e mortalidade do grupo são as mesmas. Não podemos sair dando ivermectina, Kaletra, hidroxicloroquina empiricamente. Antes das drogas serem aprovadas para patologias existe um nível mínimo de evidencia se nao acontece igual a fosfoetanolamina que houve importante pressao popular.
    Antes de citar os serviços de saúde, confirme as informações. Apesar do HCFMUSP nao utilizar a droga, a mortalidade dos pacientes críticos é a mesma de outros centros terciários e dados apresentados por outros países em grandes jornais médicos (NEJM, JAMA)

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  4. Valter Moura
    Valter Moura says:

    POR FAVOR ANTES DE ATRIBUIR AO MINISTÉRIO DA SAÚDE O USO DE ALGUM MEDICAMENTO …..POR FAVOR SENHORES ENTENDAM QUE EXISTE A FIO CRUZ, MANGUINHOS QUE SOLICITAM A ANVISA PARA REALIZAREM AS PESQUISAS COM DETERMINADOS MEDICAMENTOS ……ISSO FEITO FAZEM SOLICITAÇÕES PARA HOSPITAIS E REDES FEDERAIS, ESTADUAIS E MUNICIPAIS PARA APLICAREM AS DROGAS…..MINISTRO FICA SABENDO DAS PESQUISAS SIMPLESMENTE …..

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  5. LÊDA MARIA PINHEIRO
    LÊDA MARIA PINHEIRO says:

    Queria ver esses, que acham certo não aplicar o protocolo logo que o paciente chegue ao hospital ,caso se descubram contaminados…vcs devem estar de brincadeira, né?
    Vão mesmo aceitar quietinhos até a doença evoluir a tal ponto de lhes causar danos irreversíveis aos pulmões e até a morte?
    Ah,minha gente…o tratamento são só 5 dias corridos,remédio algum causa efeitos colaterais graves a curto prazo, nem aos doentes de malária, lúpus, artrite, que fazem uso em tratamentos longos,imagine…deixem de emprenhar pelos ouvidos,pensar não dói.

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    • André Martins
      André Martins says:

      Lêda, dei minha resposta acima, e você disse um ponto importante que a Dra. Nize deu a dica de forma bem sútil na entrevista que vi na CNN Brasil, e que os médicos não tem dito. O periodo de administração do remédio (5 dias) não causa efeitos colaterais graves a curto prazo. Uma informação importante que serve para contrabalançar os discursos dos efeitos colaterais. A obviedade do périodo de administração x efeitos colaterais só é visivel aos olhos de médicos e profissionais da área, não à nós simples mortais.

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  6. Valdecir Pereira
    Valdecir Pereira says:

    É não é mesmo de se estranhar que tantos hoje mostrem-se alinhados co essa ideologia claramente em França oposição a vida. Me leva inclusive ser arremetido a lembrar dos defensores do ABORTO, eles consideram como liberdade e direito o ato de decidir ceifar a vida de quem nem ainda sequer nasceu. Noutro momento, os mesmos sendo confrontados com seu próprio discurso, sim, esse que sem o mínimo escrúpulo, frente ao Covid-19, estes declaram-se preocupados com a possibilidade dos idosos que já viveram seus 70, 80 anos, caso contaminem-se fundem morrendo. E é justamente aí que mora tamanha hipocrisia. Alguém há ingênuo tanto que acredite que abortistas se preocupem realmente com quem muito já viveu, sendo que desprezam aos que nem sequer ainda nasceu?

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