Mário de Sá-Carneiro: “PIED-DE-NEZ”

 

 

Mário de Sá-Carneiro (1890 — 1916) foi um poeta, contista e ficcionista português, um dos grandes expoentes do Modernismo em Portugal e um dos mais reputados membros da Geração d’Orpheu.

Infelizmente, é quase desconhecido no Brasil, fora do meio acadêmico e literário. Lamentável!

Iniciou-se na poesia com doze anos, sendo que aos quinze já traduzia Victor Hugo, e com dezesseis, Goethe e Schiller. Em 1912, conheceu  Fernando Pessoa, de quem se tornou o melhor amigo, e radica-se em Paris, para estudos na Sorbonne, que trocou pela vida boêmia e psicologicamente instável. É entre 1912 e 1916, ano de sua morte por suicídio, que ele registra toda a sua fugaz, porém profícua, carreira literária. Entre 1913 e 1914, por força do início da   I Grande Guerra Mundial, retorna várias vezes a Lisboa e, juntamente com Pessoa e Almada Negreiros, cria o primeiro grupo modernista português, responsável pela curtíssima edição – apenas dois números – da revista literária Orpheu, que deu nome ao grupo, e que hoje é reconhecidamente um dos marcos da Literatura Portuguesa.

Fonte: Wikipédia  Mário de Sá-Carneiro

 

“Pied-de-Nez”, de sua autoria, é um dos  mais  belos Sonetos  da  Língua  Portuguesa:

 

PIED-DE-NEZ

 

Lá anda a minha Dor às cambalhotas

No salão de vermelho atapetado –

Meu cetim de ternura engordurado,

Rendas da minha ânsia todas rotas…

 

O Erro sempre a rir-me em destrambelho –

Falso mistério, mas que não se abrange…

De antigo armário que agoirento range,

Minha alma atual o esverdinhado espelho…

 

Chora em mim um palhaço às piruetas;

O meu castelo em Espanha, ei-lo vendido –

E, entretanto, foram de violetas,

 

Deram-me beijos sem os ter pedido…

Mas como sempre, ao fim – bandeiras pretas,

Tômbolas falsas, carrossel partido…

 

 

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