MERCADÃO : 80 anos com São Paulo

 

O Mercado Municipal Paulistano, o Mercado da Cantareira, o Mercado do Parque D. Pedro, ou simplesmente o “Mercadão”, como é conhecido popularmente, está comemorando um feito muito especial: 80 anos.  São 80 anos, dedicados à cidade de S. Paulo; mesmo antes de se transformar no grande mercado central, sua vocação e sua identidade paulista e paulistana já se revelava. Em 1932, quando eclodiu a Revolução Constitucionalista, o prédio destinado a abrigar as barracas de verduras, frutas, peixes, cereais, especiarias, carnes e todos os tipos de alimentos, abrigou também, durante um período, os jovens revolucionários que ali aguardavam, no imponente prédio idealizado pelo arquiteto Ramos de Azevedo, o momento certo de  embarcarem nos trens que partiam de São Paulo para os campos de batalha.

Como se vê, a agitação do Mercadão começou bem cedo;  e  é começando  bem cedo, até aos dias de hoje, que o Mercadão mais faz contribui para tornar Sampa a cidade que não para, exatamente como diz a música: “São Paulo, que amanhece trabalhando…”.

Durante toda a noite, madrugada adentro, caminhões e caminhões, carregadores e carregadores, permissionários (como são chamados os comerciantes que possuem boxes ou bancas no Mercadão), feirantes, atacadistas,donos de restaurantes e serviçais em geral realizam a proeza de fazer chegar  do campo até ao consumidor final a alegria de poder dispor em suas mesas de um abacaxi ( docinho, freguesa” na  voz do feirante), de uma caixinha de morangos, de um peixe ou um pernil assado ao ponto… tudo isso e o bacalhau!  Sim, o bacalhau que  é a grande estrela do “show”, sobretudo em épocas festivas.

 

 

No entanto, nem sempre tudo foi festa no Mercadão; o prédio do Mercadão sofreu desde sempre com as chuvas; a região onde está situado era por onde o rio Tamanduateí, um rio antes cheio de curvas, espraiava as suas águas; não é à toa que bem próximo a ele se situe a Ladeira Porto Geral, antigo porto por onde desembarcavam as mercadorias vindas de toda a parte e por onde hoje, na estação de metrô, desembarcam diariamente milhares de pessoas vindas de todos os cantos do Brasil, ávidas por compras nas lojas da rua “25 de Março” e cercanias. Por conta das enchentes, do uso contínuo, da ação de vândalos e do abandono pelo poder público, o Mercadão de tempos em tempos exigia uma reforma para seguir em frente com o seu destino; na última, datada de 2003, o Mercadão, além das reformas estruturais necessárias, ganhou uma cara nova, aumentou de tamanho e de freguesia, com a chegada dos turistas e transformou-se num dos destinos de passeio mais populares em Sampa.

 

 

A reforma trouxe à cena os vitrais do mestre Conrado Sorgenitch, que , em 1926, iniciou uma série de visitas a fazendas no interior de S. Paulo para registrar em seu acervo fotográfico, e depois nos vitrais, a história econômica do Estado, com destaque para o ciclo da lavoura cafeeira com toda a sua pujança e brilho; recuperados os vitrais, as luminárias, as ruas internas, o “Salão de Eventos”e toda a sua área construída, o velho Mercado viu agregar-se a ele, não sem alguma revolta de seus tradicionais ocupantes, um novo “mezzanino” onde estão instalados diferentes restaurantes e bares temáticos, que  juntamente com os tradicionais lanchonetes e bares do térreo, oferecem às intermináveis filas de consumidores os famosos sanduíches de mortadela, pastéis e bolinhos de bacalhau, e muitas outras delícias que fazem do Mercadão um ponto gastronômico imperdível para quem vive ou visita a cidade.

 

 

Aos 80 anos, tendo em seu interior 290 empresas funcionando sem parar, este centro de abastecimento é campeão de vendas em muitos itens, graças à dedicação e ao empenho das famílias de portugueses, italianos, árabes, japoneses, brasileiros e estrangeiros de toda a parte que ali se estabeleceram, pioneiros desde a fundação, 80 anos atrás, quando a cidade dava seus primeiros passos para o lado Leste, e o trem da Cantareira, sucesso maior  do grande Adoniran Barbosa, fazia o elo de ligação entre os chacareiros da zona norte, Jaçanã, com o Centro, através do Mercadão.

 

 

Por tudo isso, por seu imenso amor a S. Paulo, é que o Mercadão é um pedaço muito especial da história da “locomotiva brasileira”, e prova disso é o fato de celebrarem nesta mesma data, eternamente juntos, sua existência indissociável.

 

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