MIA COUTO: “ PARA TI “

 

Mia Couto, pseudônimo de António Emílio Leite Couto  (Beira – Moçambique, 1955), é um biólogo e escritor moçambicano. Mia Couto nasceu e foi escolarizado na Beira, cidade moçambicana. Adotou esse pseudônimo porque tinha uma paixão por gatos e porque o seu irmão não sabia pronunciar o nome dele.

Além de ser considerado um dos escritores mais importantes de Moçambique, é o escritor moçambicano mais traduzido. Em muitas das suas obras, Mia Couto tenta recriar a língua portuguesa com uma influência moçambicana, utilizando o léxico de várias regiões do país e produzindo um novo modelo de narrativa africana. “Terra Sonâmbula”, o seu primeiro romance, publicado em 1992, ganhou o Prêmio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos em 1995 e foi considerado um dos dez melhores livros africanos do século XX por um júri criado pela Feira do Livro do Zimbabué.

Em 2013 foi homenageado com o Prêmio Camões, que lhe foi entregue a 10 de Junho no Palácio de Queluz pelas mãos do presidente de Portugal, Cavaco Silva e da presidente do Brasil, Dilma Rousseff

 

Mia Couto tem uma obra literária extensa e diversificada, incluindo poesia, contos, romance e crónicas.

Muitos dos livros de Mia Couto são publicados em mais de 22 países e traduzidos em alemão, francês, castelhano, catalão, inglês e italiano.

 

Estreou com um livro de poesia, “Raiz de Orvalho” , publicado em 1983. Este livro revela o mesmo comportamento literário de estreita relação com a tradição e memória cultural africanas que evidenciam a orientação regionalista, marcante em toda a sua criação ë é desse livro   que reproduzo   a belíssima poesia:

 

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PARA     TI

Foi para ti

que desfolhei a chuva

Para ti soltei o perfume da terra

toquei no nada

e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras

e todas me faltaram

no minuto em que talhei

o sabor do sempre

Para ti dei voz

às minhas mãos

abri os gomos do tempo

assaltei o mundo

e pensei que tudo estava em nós

nesse doce engano

de tudo sermos donos

sem nada termos

simplesmente porque era de noite

e não dormíamos

Eu descia em teu peito

para me procurar

e antes que a escuridão

nos cingisse a cintura

ficávamos nos olhos

vivendo de um só

amando de uma só vida

(Do livro  ” Raiz de Orvalho e Outros Poemas”  de  Mia  Couto)

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