MITOLOGIA: VERDADE E FANTASIA

 “Western Sky”  –  Mark Eitzel

 

É uma honra poder disponibilizar a partir de hoje mais uma seção ao Cults & Raridades, como esse de Mitologia Grega, para tentar agregar e levar conhecimento. Sem dúvida um tema fascinante, que está na raiz de nossa formação cultural e que espero possa contribuir para levar informações relevantes a todos e agradar em cheio aos seguidores do site.

 

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A Mitologia Helênica é uma das mais geniais concepções que a humanidade produziu. Os gregos, com sua fantasia, povoaram o céu e a terra, os mares e o mundo subterrâneo de divindades principais e secundárias.  Amantes da ordem, instauraram uma precisa categoria intermediária para os semideuses e heróis. Grandes observadores, criaram novos nomes e figuras para os diferentes fenômenos da realidade natural. A mitologia grega apresenta-se como uma transposição da vida em zonas ideais. Superando o tempo, ela ainda se conserva com toda a sua serenidade, equilíbrio e alegria. Prodigamente, alimentou a literatura e as artes através dos séculos. A cultura ocidental deve-lhe muito do espírito e do sentido, senão do próprio fato de existir.

Os gregos não foram grandes políticos, nem criaram, militarmente, nenhum império coeso. Admite-se mesmo que seu espírito crítico deve ter contribuído para sua fragmentação política em um punhado de pequenos Estados. Mas levou-os, ao mesmo tempo, à contemplação da vida, do mundo, do homem, para perguntar: qual é a origem dos seres?

A resposta obtida não visava ao Nada, nem a um deus criador, mas a um espaço aberto chamado Caos, onde existe matéria informe à espera de ser organizada. Não podiam chegar ao Nada, porque para os gregos o Nada é algo impensável. Mesmo sua matemática ignora o zero. “Do não-existente nada pode nascer e nada pode desaparecer no nada absoluto” diz o filósofo Empédocles (495? – 435? a.C.). Não chegaram à ideia de um deus criador, pois perceberam que tudo o que existia, embora se mostrando regido por uma força vital única, apresentava várias formas, diferentes maneiras de ser, múltiplas funções, graus infinitos. Um deus criador único, segundo eles, não poderia ter deixado escapar uma variedade tão imensa e até contraditória de fenômenos, sem perder ele mesmo, deus único, a sua unidade criadora essencial.

Portanto, conceberam o Caos, algo já existente, massa rude e carente de estrutura, onde forças intrínsecas e latentes poderiam, se organizadas, produzir e perpetuar a vida. O Caos não é, pois, a desordem, a confusão. É a possibilidade de tudo. A sua ordenação não foi providenciada por um deus operando de fora. Ao contrário, os próprios deuses nascem, de alguma maneira, dessa matéria. Pois é a Terra – condensação da matéria – que, em amoroso amplexo com o Céu, dá origem às divindades primordiais.

O homem também nasceu assim. Por isso, o poeta Píndaro (518-446 a.C.) canta: “Igual é o gêneros dos homens ao dos deuses, pois todos tiramos a vida da mesma mãe; apenas uma força completamente diferente distingue os deuses”.

A força que ordenou o Caos deixou nas entranhas da Terra uma multiplicidade de poderes geradores, que engendraram todas as formas existentes na superfície terrestre: seres vegetais e animais, trazendo cada qual dentro de si o seu próprio dáimon (força misteriosa). A vida e suas manifestações são obra de um dáimon, que elas guardam como elemento responsável, também, por sua maneira de ser.

Aqui se encontram as raízes do mito, como tentativa de penetrar, pela imaginação, os esconderijos do que não se explica de outra maneira: o mistério da existência.

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