A Música Popular Brasileira

 

 

Isso que conhecemos como Música Popular Brasileira, na verdade é o resultado do cadinho cultural e musical resultante da miscigenação entre as três raças que formam o que conhecemos como o “brasileiro”: a indígena, a africana e a européia.

Já bem antes de Cabral aportar com suas caravelas em solo americano, a música já estava presente na rotina das populações ameríndias, em rituais e festas religiosas; o canto era entoado para embalar o bate-pau e as danças eram ritmadas com o uso do bambu. A maioria dos povos indígenas associava sua música ao universo transcendente e mágico, e empregava a música em todos os rituais religiosos. A música indígena é ligada desde suas origens imemoriais a mitos fundadores e usada com finalidades de socialização, culto, ligação com os ancestrais, exorcismo, magia e cura. É importante também nos ritos catárticos e guerreiros.

Resultado de imagem para a música popular brasileira nos tempos coloniaisA chegada do colonizador português acrescentou vários instrumentos à sonoridade, com instrumentos como violão, viola, cavaquinho, tambor e pandeiro. Até aos dias atuais, esses são elementos que são identificados com a identidade musical brasileira.

Somente no século XVII, instrumentos de harmonia mais sofisticada, como o piano, foram incorporados ao arsenal musical brasileiro e mesmo assim ficavam restritos às famílias nobres ou abastadas.

Em geral, o colonizador português utilizou a música como instrumento de catequese. Os padres jesuítas musicaram peças teatrais e autos como forma de facilitar a compreensão do evangelho. O Padre José de Anchieta, por exemplo, é reconhecido como compositor de muitas dessas peças e autos.

A música popular brasileira também recebeu influência francesa, que pode ser observada nas tradicionais quadrilhas. A dança em pares, comum nas festas de São João, é uma alegoria às danças da corte francesa.

Resultado de imagem para a música popular brasileiraJá quanto ao elemento africano, sua maior contribuição foi, sem dúvida, a diversidade rítmica e também a influência decisiva em algumas danças e instrumentos, como o maracatu. A tradição das danças, do ritmo e do som dos africanos foi decisiva para aquilo que hoje conhecemos como música popular brasileira. O batuque, extraído de instrumentos como atabaques, cuíca, reco-reco, pandeiro e tambor, formam a base do que seria, mais tarde, o samba.

Nos séculos XVIII e XIX, destacavam-se nas cidades, que estavam se desenvolvendo e aumentando demograficamente, dois ritmos musicais que marcaram a história da Música Popular Brasileira: o lundu e a modinha.

As composições de modinhas e o lundu africano foram enriquecidos com elementos eruditos e influenciaram o surgimento de novos ritmos, como a polca, o maxixe e o choro.

O ano de 1870 é considerado o ano de surgimento do choro, que celebrizou muitos artistas, entre eles Chiquinha Gonzaga. Em 1899, a maestrina e pianista carioca lança “Ó Abre Alas”, a primeira marchinha de Carnaval.

Resultado de imagem para a música popular brasileiraO pioneirismo de Chiquinha Gonzaga foi reconhecido por meio da Lei Federal N.º 12.624, que instituiu o dia 17 de outubro como o “Dia da Música Popular Brasileira”. A data lembra o aniversário da artista. A trajetória de Chiquinha influencia compositores como Anacleto de Medeiros, Irineu Almeida e Pixinguinha.

As composições de Pixinguinha representaram um divisor de águas na história da música popular brasileira, pois contribuíram diretamente para que o choro encontrasse uma forma musical definitiva.

O gênero conhecido como samba, que surge a partir de 1917, é considerado uma revolução.

Até 1950, o choro, o samba e suas variações, como o samba-canção revelaram nomes que ainda são efemérides da música brasileira, nomes como o carioca Noel Rosa,  Ary Barroso, Jacob do Bandolim e Nelson Gonçalves. Essa é a época da chamada “Era do Rádio“, com a influência de intérpretes como Dalva de Oliveira, Cauby Peixoto e Ângela Maria.

Também nessa época, entre os anos 30 e 50, quem brilhou foi a luso-brasileira, Carmen Miranda, que com seu figurino exótico e exuberante contribuiu para popularizar a música brasileira no exterior.

O início dos anos 50 também é marcado pela influência de Cartola, considerado um dos maiores mestres do samba nacional.

Resultado de imagem para a música popular brasileiraParalelo ao sucesso do samba e do choro, surge no final dos anos 50 o movimento que ficou conhecido como Bossa Nova e que teve como seus maiores expoentes a dupla constituída pelo compositor e maestro, Antonio Carlos Jobim e o dublê de diplomata, poeta e letrista musical, Vinicius de Moraes. A Bossa Nova, por si só mereceria um capítulo à parte na história da Música Popular Brasileira e revelou ao mundo uma penca de grandes artistas; a bossa evidenciava a mistura da música erudita, com influências do jazz norte-americano e recebeu seu cunho identificador maior com aquilo que ficou conhecido como batida da Bossa, criado por João Gilberto, tendo sido catapultada para o reconhecimento internacional sobretudo após o notável concerto realizado no Carneggie Hall em Nova Iorque, em 1961. A Bossa Nova é também o ponto de partida para movimentos musicais que ocorreram em paralelo entre o fim da década de 50 e a década de 60. Foram eles a Tropicália e a Jovem Guarda, que evidenciavam a rebeldia das novas gerações.

A década de 60 é considerada um período de ebulição na música brasileira. É quando passam a coexistir o samba, o jazz, a Bossa Nova, o sertanejo de raiz, a moda de viola, o baião nordestino, o rock e outros.

Resultado de imagem para a música popular brasileiraEsse período é considerado um marco para a indústria da música nacional. A partir dessa fase é popularizada a sigla MPB, sigla surgida em 1966, que caracteriza aquilo que modernamente se conhece como sendo a Música Popular Brasileira e que tem como seus maiores expoentes, Chico Buarque, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Elis Regina, Edu Lobo, Djavan, Paulinho da Viola, Jorge Ben, Milton Nascimento, Zé Ramalho, Gilberto Gil, Ney Matogrosso e Dorival Caymmi, entre muitos outros.

 

 

2 respostas

Deixe uma resposta

-
Sinta-se livre para contribuir!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *