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NADA TE PERTENCE

 

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Meu discurso se dirige aos imperfeitos, aos medíocres e doentes, não ao sábio. Este não deve andar timidamente nem de modo vacilante, já que tem tanta confiança em si que não receia ir ao encontro do destino, ao qual não fará nenhuma concessão. Nem tem por que temê-lo, porque não apenas os escravos, as posses, a dignidade, até o seu corpo, os olhos e as mãos com tudo o que faça a vida mais agradável, e até a si próprio, tudo está entre as coisas precárias. Tem consciência de que a vida é algo que lhe foi dado de empréstimo e, por isso, sujeita à restituição, sem tristeza, quando lhe for reclamada.

Não perde a auto-estima por saber que não é dono de si. Ao contrário, faz tudo tão diligentemente, tão cuidadosamente quanto um homem religioso e santo guarda o que lhe é confiado.
E, quando coagido a devolver, não se queixa da sorte e diz: “Obrigado pelo que tive e utilizei. Eu cultivei teus bens com grande esforço, mas, já que ordenas, cedo e devolvo agradecido e de bom grado. Se ainda queres que eu tenha algo teu, eu o guardarei. Se decidires o contrário, eu te entrego a prata, a casa e a minha família. Devolvo-te tudo”.

Se a natureza reclama suas dádivas, já que foi ela, primeiro, que nos deu, eu diria: “Recebe esta alma melhor do que quando a concedeste”. Não sou evasivo nem fujo. Acolha-a pronta e acabada de quem a recebeu. Leva-a.

Retornar de onde se veio, qual é o problema disso? Mal vive aquele que não sabe morrer bem.

Assim pois, primeiramente deve-se diminuir o valor disto e situar a vida na categoria de coisa descartável.”

 

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(Sêneca)

 

 

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