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O CASO SUZI, O PAPEL DA REDE GLOBO E O DO DOUTOR DRÁUZIO VARELA

Antes de analisar o papel desempenhado por cada um desses três personagens na polêmica desencadeada pela reportagem veiculada pelo programa Fantástico da Rede Globo, no domingo, 01 de março, esclareço que não sintonizo nenhum programa de televisão (muito menos dessa emissora que tenho no pior dos conceitos, em todos os sentidos) provavelmente há mais de trinta anos – com a honrosa exceção das transmissões dos jogos de futebol nas Copas do Mundo, que procuro assistir na íntegra, religiosamente, a cada quatro anos. De forma que apenas tomei conhecimento do episódio pelas notícias nas redes sociais e por alguns “blogs” de notícias que acompanho. Apesar disso, pelo detalhamento que envolveu todo o episódio, permito-me tecer alguns comentários que julgo podem contribuir para enriquecer mais ainda a compreensão sobre alguns aspectos, que talvez não tenham sido suficientemente enfatizados.

Começando a análise pelo personagem central, o transexual Suzi, acusado e condenado à pena prisional máxima de trinta anos por pedofilia e pelo assassinato de um menor de nove anos, gostaria de enfatizar alguns pontos: tudo indica que o julgamento do transexual tenha sido um julgamento limpo, legal e imparcial. Até ao momento nada surgiu que possa indicar qualquer irregularidade ou corrupção em tal julgamento. Assim sendo, qualquer tentativa de configurar um crime fora do contexto judicial e legal em que está inserido não passa de uma tentativa torpe e oportunista de deturpação ideológica.

Dito isso, cabe-me acrescentar que me recuso terminantemente a analisar ou considerar esse ou qualquer outro episódio similar, vinculado a qualquer opção – ou condição, se preferirem – sexual do acusado, pois julgo que isso só faz o jogo perverso daqueles que buscam de qualquer forma inverter, corromper e sujar a noção de Ordem e de Justiça e do que é correto no nosso país. E todos sabem quais são as correntes e quais são os interesses que atuam dessa forma e o que pretendem de fato.

Contudo, como até prova em contrário sodomizar e assassinar um menor constitui um crime sob qualquer lei, preceito religioso, ou norma de conduta que se queira tomar como parâmetro, nada mais nos resta do que criminalizar e julgar cada fato em si, sob essa ótica, inicialmente fazendo a ressalva – sempre necessária – de que o julgamento de fato de qualquer ser humano compete apenas ao Criador e que a nós, homens, compete apenas o julgamento dos atos efetivamente cometidos por cada ser humano e não o julgamento de um ser humano em si, seja ele quem for, numa análise final,  no âmbito e nos limites em que isso é permitido, pois existe um foro legal e próprio para julgar tais fatos: os tribunais.  E, embora saibamos que em vários casos, num passado recente e até mesmo atualmente, até isso tem sido desvirtuado no Brasil, em detrimento de “privilegiados” pela posição social ou pela coloração ideológica, mesmo assim nada nos levaria a crer que, aparentemente, o crime desse cidadão tenha qualquer diferencial nítido que o faça ser incluído no rol dos “julgamentos corrompidos” por interesses espúrios, como vem ocorrendo com tantos outros julgamentos – ou procedimentos jurídicos – dos vários cidadãos “diferenciados” que ainda existem neste país, que, ao que tudo indica, continuam agindo impunemente e debochando da Lei.

A não ser que esse perfil possa ser incluído no rol daqueles que determinadas correntes, maliciosamente tentam situar no mesmo patamar de “julgamentos diferenciados” por interesses puramente ideológicos. Bingo! E nos quais a opção ou condição sexual do individuo só está sendo enfatizada e defendida devido ao interesse ideológico dessas correntes “espertas, oportunistas” e com interesses escusos nitidamente configurados. Nada mais do que isso.  Por que, na realidade, um pedófilo ou um criminoso de qualquer sexo, cor, credo, posição social, ou profissão é apenas um pedófilo e um criminoso. E nada há que possa diferenciá-lo desse perfil. Seja ele, branco, negro, amarelo, homem, mulher, homossexual, transexual , heterossexual ou o que mais inventarem para catalogar pessoas, o que de fato é relevante é que ele apenas agiu como pedófilo e criminoso e apenas como tal deve ser criminalizado. E, por ter agido assim, mereceu tal denominação. Apenas isso e nada mais do que isso. Tudo o mais, por ser desnecessário e inoportuno é apenas embromação, manipulação, malícia e canalhice. E ponto!

Mais grave ainda do que essa promiscuidade confusa e essa conexão inapropriada que é encenada maliciosamente e rotineiramente entre a opção sexual (ou a cor, ou o credo, etc.) de uma pessoa e os atos que comete, contudo, é ver que muitas pessoas ligadas supostamente à assim denominada ala “conservadora” – uma rotulação que vou deixar passar sem muitas delongas que aqui seriam supérfluas, apenas por simplificação – continuam a reagir cegamente ao episódio deixando assomar seus mais obscuros preconceitos e ódios sexuais, permitindo-se vincular o crime à opção – ou condição, se preferir – do transexual. Se assim não for, como justificar que vejamos tantos comentários referindo-se ao criminoso como “veado escroto” ou “bicha nojenta” (peço perdão pela linguagem chula, mas limito-me a transcrever um dos muitos comentários colhidos a esmo em redes sociais, para configurar meu raciocínio). O que isso, ou seja, a opção ou condição sexual do criminoso tem a ver com o caso em si? Será que veríamos o mesmo tratamento de “Macho escroto” (mais uma vez, com o perdão da linguagem chula, mas apenas me vejo obrigado, por circunstâncias, a reproduzir o que leio) caso se tratasse de um elemento heterossexual pedófilo e criminoso, como tantos que cotidianamente cometem crimes hediondos e infrações similares? Duvido muito. Ou pelo menos, nunca vi tal tipo de tratamento nas redes e na opinião pública. Estou errado? Alguém me corrija, se eu estiver sendo precipitado ou injusto, então. OK, condenar a gente vê, sem dúvida. Mas será que essas pessoas se referem ao macho criminoso dessa forma sexualmente depreciativa, algo como “macho escroto”, da mesma forma que não hesitam em se referir ao transexual, como “bicha nojenta” ou algo similar?

Além do mais, ponderemos: o que essas pessoas de “miolo mole”, digamos assim, julgam conseguir? O que esses “irados” e insensatos cidadãos pensam que ganham, expressando dessa forma desabrida e pouco polida tais sentimentos menos ”nobres”, senão expor seus preconceitos mais abjetos e agravar ainda mais os conflitos e os diferenciais existentes entre todos os seres humanos, quando, além do mais, todos sabemos que todos somos falhos, nunca é demais ressaltar? Será que precisamos disso num mundo já suficientemente polarizado e conflitado como o que ainda vivemos?

Pior ainda: será que essas pessoas não conseguem perceber que agindo dessa forma nada mais fazem do que alimentar e validar os argumentos e procedimentos “revolucionários e progressistas” (me poupem, please!) da corrente contrária, muito mais capacitada para a guerra ideológica, ressalte-se mais uma vez, que, com suas atitudes absurdas e grotescas, visa inteligentemente despertar a ira – e o comportamento jurássico – dos opositores (os assim denominados “conservadores”) para poderem ter motivos para “criminalizar” abertamente e destruir moralmente seus adversários. Afinal, esses tais “conservadores” desmiolados, ingenuamente lhes fornecem a munição desejada ao assumir tal comportamento. Quer embasamento mais apropriado do que esse, que muitos ingenuamente fornecem, para eles se passarem pelos “bons moços” da história e tentarem vender seus absurdos pacotes “revolucionários e progressistas” e ainda posando de humanitários e defensores dos menos favorecidos e das minorias?  Chama-se a isso entregar a cabeça na boca do lobo. E eles, os espertos, obviamente batem palminhas, satisfeitíssimos, não se iludam. Conseguiram o objetivo deles! Será que é tão difícil entender isso?

Posto isso e como o mais no que concerne aos atos envolvendo o cidadão conhecido como Suzy já foi suficientemente esmiuçado, passemos à análise mais óbvia e transparente, e por isso mais curta: a da malfadada emissora que a cada dia parece mais esmerar-se em se configurar não como uma mídia veiculadora de notícias, como ocorre em países menos corrompidos – mesmo naqueles em que sabidamente a maioria das mídias é nitidamente tendenciosa, mas, tudo tem um limite, o que não ocorre no Brasil -, mas como apenas um órgão militante e apodrecido a serviço de uma ideologia e de interesses espúrios e criminosos aliados dessa ideologia. E o episódio aqui focado é apenas mais um no longo cotidiano de episódios similares. Até quando?

Dito isso, resta-nos a análise mais delicada e complexa: a que envolve o papel assumido pelo Dr. Dráuzio Varela.

Vamos iniciar informando que o Dr. Dráuzio Varela tem dedicado parte de sua vida a dar assistência a criminosos e marginais encarcerados nos presídios do Brasil, sem cobrar um tostão, atuando com solidariedade, tanto em presídios, quanto em asilos e comunidades carentes. Isso é extraordinário, merece o aplauso de todos e faz dele, inegavelmente, um ser humano de qualidades excepcionais. E, quanto a isso, estamos inteiramente conversados! Pois, só por isso, O Dr. Dráuzio, sem dúvida, faz jus a todo o reconhecimento e ao respeito absoluto que sua pessoa e seus atos humanitários fizeram por merecer. Até por que – apenas relembrando, pois no calor das emoções por vezes podemos esquecer com alguma facilidade certos princípios – todos sabemos que já tivemos um Mestre no Amor e na Sabedoria que nos legou algumas máximas preciosas, tais como “atire a primeira pedra aquele que não tiver dívidas”, ou acaso esquecemos esse ensinamento na primeira oportunidade? Como acredito que todos nos denominamos cristãos, eu repito que só por isso, ele não merece ser crucificado. De maneira nenhuma. Se esse alerta não bastar aos mais inflamados recito mais uma máxima do Nazareno: “aquele que com ferro fere, com ferro será ferido”. Se isso não servir de alerta, siga em frente!

Posto isso e tendo sempre em consideração a dimensão humana que o doutor Varela merece, ou seja, ressalvando, mais uma vez, que isso nada tem a ver com a figura pessoal do Dr. Dráuzio Varela, vamos passar à análise de seu papel em mais um desses factoides nojentos criados por essa dita “emissora”.

Se o Dr. Varela merece todo o respeito por seus atos de benevolência social, pelo ser humano que é e até por suas crenças pessoais (sejam elas quais forem, por que não?), desde que permaneçam no âmbito privado e não se convertam em militância explícita, certamente o mesmo não pode ser dito quando analisamos sua postura pública e suas atitudes explícitas de endosso a uma ideologia, que além de usar métodos criminosos, vis e incorretos, sob qualquer ponto de vista, ainda se alia a bandidos e criminosos para retomar o poder e para fazer valer a ideologia que professa, como ficou mais uma vez patente.

E aí, sim, ele se coloca ao alcance da mira e da justíssima indignação dos demais cidadãos que não compartilham das mesmas crenças e que têm sim o direito de condenar – com respeito e civilizadamente – tal atitude explícita e pública, nitidamente infratora e incorreta.

Por que, apesar de sua incontestável competência profissional como médico, o Dr. Dráuzio não esteve com Suzi como médico e sim em solidariedade com a ideologia da qual se tem mostrado um ardoroso defensor. Quem leu “Estação Carandiru” de sua autoria e quem acompanha minimamente sua trajetória militante – não apenas como o médico renomado que ele não deixa de ser – sabe que ele MAIS UMA VEZ “meteu os pés pelas mãos”, como se diz no vulgo, para tentar dar apoio a seus companheiros de crenças e de ideologias.

Pois, nesse caso, é inegável que ele estava consciente de que atuava não como médico, mas como “jornalista” ou, pior, como militante. E todos sabem que o digno doutor tem um histórico alentado em tal função.

Pois o Dr. Varela, mais do que ninguém deveria saber que se estivesse exercendo sua profissão no dito programa, não haveria câmeras filmando sua “atuação”. E ele pode inventar qualquer coisa, mas dizer que não sabia disso, aí já é tripudiar da inteligência de todos. Como, da mesma forma, alegar desconhecer que estava “atuando pretensamente numa causa humanitária (sic)”, num programa de audiência – lamentavelmente – ainda elevada, levado a público através de uma emissora notoriamente “fora-da-lei” e que todos com um mínimo de informação – e o Dr. Dráuzio, inclusive – sabem com sobras quais as causas espúrias que ela abraça e quais os motivos pelos quais as abraça, é chamar todos os cidadãos brasileiros de tolos.

Ok! Hoje sabemos que quase todos nós fomos feitos de tolos por mais de trinta anos pelo sistema esquerdista que nos governou até uns escassos quatorze meses atrás e pelas elites governamentais e seus aliados, que se empenharam com afinco em esconder seus inúmeros e consecutivos malfeitos e seus “arranjos e conchavos por baixo dos panos” para se perpetuar no poder e levar o país ao caos e ao atraso. Mas, com o advento avassalador das redes sociais, com tudo aquilo que tem sido divulgado da suja forma de governabilidade dos governos predecessores e do papel desempenhado pela mídia – e mais particularmente, neste caso, da atuação permanentemente vergonhosa da emissora em foco – alegar ingenuidade ou até querer “tapar o sol com a peneira” como fez o Dr. Varela, emitindo uma nota de “esclarecimento” após ver a terrível repercussão negativa de sua atuação, só convence mesmo a quem paga pra ser convencido: seus companheiros de ideologia. Para os demais não colou mesmo.

Eventuais parceiros de fé do estimado doutor, mais renitentes em suas crenças – ou mais cínicos, numa definição mais acertada – poderiam até argumentar: por que condenar alguém, como o Dr. Dráuzio Varela, apenas por apoiar publicamente a ideologia marxista? Ok. Vamos lá então. Vamos fazer como o Instituto Mises sugere em um de seus artigos e vamos dar de barato os tais cem milhões de mortos computados nas contas dos regimes marxistas (estatísticas “bobinhas” como essa, na provável avaliação deles) e “coisas como paredón, campos de trabalho forçado e a atuação sempre “discreta” das tais polícias secretas (embora a Venezuela esteja bem aí do lado, e neste exato momento, fazendo exatamente isso)”; vamos dar de barato, também, o fato de que todos os regimes que adotaram os preceitos econômicos marxistas foram um completo e absoluto fracasso e condenaram as populações dos países que adotaram tais preceitos à fome e à miséria, para tentar a todo o custo absolver o Socialismo/Marxismo que eles praticaram e “brincar” de criar um novo Socialismo Marxista, como eles tentam argumentar – algo que nos autorizaria a usar o mesmo raciocínio grotesco para dizer que nazismo na verdade não é bem aquele que foi praticado por Hitler, por Goebbels, por Himmler e por outros que tais para, da mesma forma, “brincar” de ressuscitar um “novo nazismo” (já pensou? Pois é, então pense, pois o silogismo que tentam nos impingir é idêntico) – para tentar absolver quem apoia essa ideologia. Ou pelo menos pensar em ter algum tipo de tolerância para com quem age dessa forma.

Por que na verdade, nós brasileiros somos tão privilegiados que nem precisamos desses argumentos tão devastadores e históricos – nem argentinos (aparentemente), nem os sul-americanos ou centro-americanos que conviveram ou convivem de perto com regimes bolivarianistas/socialistas/marxistas – para condenar quem quer que seja que apoie uma ideologia que prega e pratica descaradamente a inversão e a destruição de valores básicos como família, religião e pátria, que promove os agentes trevosos que tentam disseminar tal deturpação e combate desaforadamente quem os defende. Não precisamos disso para condenar quem quer que seja que apoie uma ideologia que se alia despudoradamente com traficantes e narcotraficantes, com corruptos e com quadrilhas de criminosos da mais alta periculosidade, na maior cara de pau. Precisa mais? Não creio! Entende agora por que insistir que vivemos um conflito entre esquerda e direita é jogar areia no ventilador para enganar incautos. Pois, de fato, o que vivemos primariamente é o conflito nítido entre Sombra e Luz. Se conseguirmos entender essa verdade, veremos que as eventuais diferenças que possam existir entre o conceito de esquerda e o de direita é algo ainda inteiramente secundário (e até irrelevante, neste momento e no estágio que vivemos) e estamos muito distantes do tempo em que possamos debater racionalmente tais diferenças, pois isso é completamente obscurecido e tornado até secundário pelo real e muito mais grave conflito que vivemos: a disputa entre Ordem e Caos! Se entendêssemos isso claramente, tudo ficaria muito mais simples – e muito menos doloroso – de ser solucionado.

Assim, como única justificativa para tal ato insano, podemos apenas e mais uma vez minimizar parcial e compassivamente a atitude conivente e militante do Dr. Dráuzio Varela – e de outros tantos como ele e até supostamente de igual ou maior envergadura moral pessoal – e optar por realçar o carácter nocivo, pérfido e insidioso da ideologia nefasta e predadora que ele apoia e da qual se poderá dizer que ele é apenas mais uma das muitas vítimas seduzidas e cooptadas.

Contudo, adentraríamos, então, num campo de responsabilização complexo e psiquiátrico, algo que já foi esmiuçado por vários estudos psicológicos abalizados, mas que foge neste momento ao foco deste artigo. Resta-nos, portanto, lamentar mais uma vez a atitude pública tomada pelo Dr. Dráuzio Varela, algo que nada de positivo acrescenta a um profissional com o seu currículo invejável e admirado. Pelo contrário! E isso é inegável.

 

Paulo Monteiro

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