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O ESTOICISMO

 

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Zenão de Cítio(334-262 a.C.), fundador do estoicismo

 

Estoicismo é um movimento filosófico que surgiu na Grécia Antiga, fundado em Atenas por Zenão de Cítio no início do século III a.C.e que preza a fidelidade ao conhecimento, desprezando todos os tipos de sentimentos externos, como a paixão, a luxúria e demais emoções e que defendia que todo o universo seria governado por uma lei natural divina e racional.

 

Cleanto  (330 a.C. – 230 a.C.)

O estoicismo floresceu na Grécia com Cleantes de Assos e Crisipo de Solis, sendo levado a Roma no ano 155 a.C. por Diógenes da Babilônia. Ali, seus continuadores foram Marco Aurélio, Sêneca, EpitetoLucano.

Desde a sua fundação, a doutrina estoica era popular com seguidores na Grécia romana e por todo o Império Romano, aí se incluindo o imperador romano Marco Aurélio (r. 121–180), um de seus mais nobres seguidores.

Com isso, o estoicismo tornou-se a filosofia mais popular entre as elites educadas do mundo helenístico e do Império Romano e a mais influente escola do mundo greco-romano, a ponto de quase todos os sucessores de Alexandre se declararem estoicos. Isso perdurou até ao fechamento de todas as escolas de filosofia ditas pagãs, em 529, por ordem do imperadorJustiniano (r. 527–565), que as percebeu  em desacordo com a fé cristã.

Na compreensão dos estoicos, para o ser humano alcançar a verdadeira felicidade, deveria depender apenas de suas “virtudes” (ou seja, o conhecimento, de acordo com os ensinamentos de Sócrates), abdicando totalmente o “vício”, que é considerado por eles um mal absoluto.

Os estoicos ensinaram que as emoções destrutivas resultavam de erros de julgamento, da relação ativa entre determinismo cósmico e liberdade humana e a crença de que é virtuoso manter uma vontade (chamada prohairesis) que está de acordo com a natureza. Devido a isso, os estoicos apresentaram sua filosofia como um modo de vida e pensavam que a melhor indicação da filosofia de um indivíduo não era o que uma pessoa diz, mas como essa pessoa se comporta. Para viver uma boa vida, era preciso entender as regras da ordem natural, uma vez que ensinavam que tudo estava enraizado na natureza.

Para a filosofia estoica, a paixão é considerada sempre má, e as emoções um vício da alma, seja o ódio, o amor ou a piedade. Os sentimentos externos tornariam o homem um ser irracional e não imparcial. Um verdadeiro sábio, segundo o estoicismo, não deveria sofrer de emoções externas, pois estas influenciariam em suas decisões e em seus raciocínios.

A escola estoica preconizava, também, o cultivo da equanimidade frente à dor de ânimo causada pelos males e agruras da vida. Reunia seus discípulos sob pórticos (“stoa“, em grego) situados em templos, mercados e ginásios. Foi bastante influenciada pelas doutrinas cínica e epicurista, além da influência de Sócrates.

Os estoicos apresentavam uma visão unificada do mundo consistindo de uma lógica formal, uma física não dualista e uma ética naturalista. Dentre estes, eles enfatizavam a ética como o foco principal do conhecimento humano, embora suas teorias lógicas fossem de mais interesse para os filósofos posteriores. Muitos estudiosos do estoicismo afirmam que chegou a influenciar os primórdios do Cristianismo.

O estoicismo, como já foi dito, ensina o desenvolvimento do autocontrole e da firmeza como um meio de superar emoções destrutivas. Defende que tornar-se um pensador claro e imparcial permite compreender a razão universal (logos). Um aspecto fundamental do estoicismo envolve a melhoria da ética do indivíduo e de seu bem-estar moral: “A virtude consiste em um desejo que está de acordo com a natureza”. Este princípio também se aplica ao contexto das relações interpessoais; “libertar-se da raiva, da inveja e do ciúme” e aceitar até mesmo os escravos como “iguais aos outros homens, porque todos os homens são igualmente produtos da natureza”.

Epitecto   (55 d.C – 135 d.C)

A ética estoica defende uma perspectiva determinista. Com relação àqueles que não têm a virtude estoica, Cleanto uma vez opinou que o homem ímpio é “como um cão amarrado a uma carroça, obrigado a ir para onde ela vai”. Já um estoico de virtude, por sua vez, alteraria a sua vontade para se adequar ao mundo e permanecer, nas palavras de Epicteto, “doente e ainda feliz, em perigo e ainda assim feliz, morrendo e ainda assim feliz, no exílio e feliz, na desgraça e feliz”, assim afirmando um desejo individual “completamente autônomo” e, ao mesmo tempo, um universo que é “um todo rigidamente determinista”.

 

Características do estoicismo

  • Virtude é o único bem e caminho para a felicidade;
  • Indivíduo deve negar os sentimentos externos;
  • O prazer é um inimigo do homem sábio;
  • Universo governado por uma razão universal natural;
  • Valorização da apatheia(equanimidade);

 

Os estoicos acreditavam que o conhecimento pode ser atingido por meio do uso da razão. A verdade pode ser distinguida da falácia, embora, na prática, apenas uma aproximação possa ser conseguida. De acordo com os estoicos, os sentidos recebem constantemente sensações: pulsações que passam dos objetos através dos sentidos em direção à mente, onde deixam uma impressão na imaginação (phantasia). Uma impressão originária da mente era designada de phantasma.

A mente tem a capacidade de julgar (sunkatathesis) — aprovar ou rejeitar — uma impressão, permitindo que possa ser feita uma distinção entre uma verdadeira representação da realidade de uma falsa. Algumas impressões podem ter um assentimento imediato, enquanto que outras podem apenas atingir diferentes graus de aprovação hesitante, que podem ser chamadas de crenças ou opiniões (doxa). É apenas através da razão que podemos atingir uma clara compreensão e convicção (katalepsis). A certeza e o conhecimento verdadeiro (episteme), alcançável pelo sábio estoico, podem apenas ser atingidos pela verificação da convicção com a experiência dos pares e pelo julgamento colectivo da humanidade.

 

Produz para ti próprio uma definição ou descrição da coisa que te é apresentada, de modo a veres de maneira distintiva que tipo de coisa é na sua substância, na sua nudez, na sua completa totalidade, e diz a ti próprio se é seu nome apropriado, e os nomes das coisas de que foi composta, e nas quais irá resultar. Pois nada é mais produtivo para a elevação da alma, como ser-se capaz de examinar metódica e verdadeiramente cada objeto que te é apresentado na tua vida, e sempre observar as coisas de modo a ver ao mesmo tempo que universo é este, e que tipo de uso tudo nele realiza, e que valor todas as coisas têm em relação com o todo.”  (Marco Aurélio)

(Marco Aurélio)

 

Outra característica distintiva do estoicismo é o seu cosmopolitismo: todas as pessoas seriam manifestações do espírito universal único e deveriam, de acordo com os filósofos estoicos, em amor fraternal, ajudarem-se uns ao outros de maneira eficaz. Os estoicos da época promoviam a ideia de que as diferenças externas, como status e riqueza, não são importantes nas relações sociais. Em vez disso, advogavam a irmandade da humanidade e a natural igualdade do ser humano.

Em particular, os estoicos eram notados pela sua defesa à clemência aos escravos. Sêneca, talvez o maior representante do estoicismo, exortava: “Lembra-te, com simpatia, de que aquele a quem chamas de escravo veio da mesma origem, os mesmos céus lhe sorriem, e, em iguais termos, contigo respira, vive e morre.”

Atualmente, os seguidores do estoicismo o definem como um movimento filosófico que defende valores como a humildade, o autoconhecimento, a aceitação, a compaixão e a confiança.

Resultado de imagem para SênecaPara os modernos seguidores do estoicismo a questão é tomar de fato as rédeas de sua vida. Só então poderemos abandonar para sempre qualquer atitude vitimista. Para os estoicistas modernos, só então se poderá verificar o verdadeiro crescimento. Cultivar a responsabilidade pessoal traz maior habilidade para responder de forma construtiva e eficiente aos diferentes estímulos que se recebe a cada dia; aumenta a motivação para cada um tomar suas próprias decisões e reduz infinitamente o interesse em se queixar, reclamar ou se indignar com a maneira como a sociedade se organiza. Em vez disso, transborda uma força espiritual que leva à mudança.

Uma das pílulas de cura desse mais brilhante orador do Senado romano, Sêneca, diz o seguinte:

Poucos de nós acertam, antes de errar. Sem erros, a aprendizagem não é possível”.

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