O MINHO

Uma Homenagem às Raízes Lusitanas

 

Minho é uma província tradicional (ou região natural) portuguesa, situada  no  extremo norte do país, limitada a Norte

e a Nordeste com a Galiza, na Espanha,  a Leste com Trás-os-Montes e Alto Douro, a Sul com o Douro Litoral – onde se situa a cidade do Porto –  e a Oeste com o Oceano Atlântico e dividida em duas regiões (ou Distritos) : o Alto Minho, que corresponde ao Distrito de Viana do Castelo, e o Baixo Minho que corresponde ao Distrito de Braga, capital e maior cidade dessa Província Lusitana. Outras cidades e vilas importantes da região são: Guimarães, berço da nacionalidade portuguesa e a primeira capital portuguesa, ainda no medieval Condado Portucalense, Barcelos, Ponte do Lima, Arcos de Valdevez, Melgaço, Valença e Monção.

Região tradicional de cultivo do apreciado vinho verde – a bem da verdade, uma exclusividade dessa região – o Minho deve seu nome ao rio do mesmo nome que nasce a uma altitude de 750 mts. na  serra de Meira , na Galicia espanhola e percorre cerca de 300 quilómetros até desaguar no oceano Atlântico na vila minhota de Caminha. Nos últimos 75 quilómetros do seu percurso, no coração da região do vinho verde,
entre Melgaço  e a foz, o Minho serve de fronteira entre os dois países ibéricos.

Com uma população superior a 1,1 milhão de habitantes e uma área geográfica de 4.700 m2,  a região  é também associada ao verde deslumbrante da paisagem  natural, onde abunda a água, e a uma morfologia acidentada e montanhosa, de enorme beleza e biodiversidade, que se aplana nos vales dos quatro rios que a atravessam e nas inúmeras praias da zona costeira.

 

A singular paisagem humana tradicional, marcada por pequenos campos, pelas vinhas e campos de milho, pelas aldeias com construções em granito ou pelas casas senhoriais, é outra dimensão frequentemente assumida na caracterização da região, juntamente com a hospitalidade minhota e a riqueza da gastronomia.

Um capítulo à parte no roteiro turístico português, a culinária da região, além dos tradicionais cozido à portuguesa e dos diversos tipos de bacalhau, tem entre seus diferenciais a  lampreia, um ciclóstomo de água doce com forma de enguia, que, apesar do aspecto e consistência exóticos para paladares menos acostumados, revela-se um inesquecível manjar, os famosos rojões à minhota, feitos de carne de porco e as papas de sarrabulho, uma iguaria local à base de porco, galinha e “enchidos” diversos; desnecessário dizer que todos esses pratos da culinária minhota são condignamente acompanhados pelo vinho verde da região e coroados ao final pela famosa doçaria conventual portuguesa.

Finalmente,  falar no  Minho é lembrar também das vibrantes tradições, festas e romarias da região, das quais as principais são: a Festa das Cruzes em Barcelos, cuja antiguidade remonta ao século XVI, a Festa da Senhora da Peneda em Setembro e a Romaria da Senhora da Agonia na segunda quinzena de Agosto em Viana do Castelo. É nessas festas e romarias que se pode apreciar os emblemáticos  trajes típicos – traje oficial que representa Portugal onde quer que ele seja apresentado folcloricamente – com cores muito vivas e garridas, sempre acompanhados por excessivos e riquíssimos adereços em ouro, usados como elemento decorativo do traje e que manifestam a rivalidade secular da mulher e seu desejo de querer ser a mais bela, a mais rica, a escolhida.   Por seu lado, as expressões artísticas, muitas delas de natureza religiosa, remontam ao românico, passando pelo renascentista e pelo barroco. A religião foi, e é ainda, um traço identitário forte, manifestando-se nos hábitos, nos costumes e na própria geografia humana do Minho.

Indubitavelmente a região mais bonita desse país adorável  que é conhecido por ser  “o jardim à beira-mar plantado”, várias vezes escolhido  como  o  melhor  destino  turístico  da  EuropaResultado de imagem para o minho,  o Minho guarda ainda, para nós brasileiros, uma significação especialíssima pois é dessa região que proveio majoritariamente o grande fluxo migratório português de inícios do século passado, razão mais do que suficiente, independentemente de suas inumeráveis e extasiantes atrações, para merecer uma  carinhosa e reverente visita, ainda mais que o Portugal de hoje é cortado em toda a sua extensão por moderníssimas “auto-estradas” ( como são chamadas as “freeways” por  lá) que possibilitam chegar à região , para os que vêm da capital, Lisboa, em não mais do que quatro horas de viagem.

Talvez com isso , pelo menos não mais designemos como “galegos” ( na verdade os naturais da vizinha Província espanhola da Galícia) aos minhotos – uma heresia que equivaleria a chamar de “portenho” a um cidadão natural de Porto Alegre, por exemplo – um povo com identidade cultural singular e arraigada e imensamente cioso de sua história milenar e de suas tradições.

 

 Mosteiro  de  Santa  Luzia  em  Viana do Castelo

 

O  Folclore   Tradicional  Minhoto:

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