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O PAPEL DA ESQUERDA NO BRASIL DE BOLSONARO (Artigo de Paulo Monteiro)

 

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Desde que a eleição de um candidato desvinculado do sistema totalitário hegemônico que preponderou por longos anos no país rompeu com o “arranjo” acanalhado que visava ao enriquecimento e à perpetuação no Poder de uma elite governamental corrupta e de seus aliados, num sistema tirânico garantido pela manipulação e inversão deliberada da verdade, pelo saque impiedoso e despudorado às riquezas da nação, pela intenção de conduzi-la a uma aliança e um destino de miséria e horror atrelada aos governos mais retrógrados, ditatoriais e repressivos e às organizações criminosas mais repulsivas do planeta, pelo apoio a notórias e cruéis ditaduras, qualificando-as cinicamente como “democracias”, pela obstrução a qualquer custo às investigações contra seus atos criminosos, pelo livre tráfego dado à corrupção que atingiu proporções verdadeiramente vexaminosas, e, enfim, pelo total descaso com a situação de permanente atraso do país e com o empobrecimento da imensa maioria, que se vem observando uma movimentação, uma espécie de apelo tardio que busca enfatizar razões humanitárias e conceitos ligados à tolerância e ao perdão, uma chamada ao diálogo e ao respeito pelas posições diferentes das nossas, mas que, no entanto, em momento algum foi precedida de uma simples repensada de atitude no que concerne ao apoio concedido a criminosos. A imagem pode conter: 2 pessoas, textoMuito pelo contrário. Só o que se houve por parte da ala opositora mais moderada – digamos assim – ou dos famosos “isentões” é uma discreta chamada à razão de toda uma imensa maioria justamente indignada por se perceber cruelmente lograda e aviltada pelos crimes de verdadeira lesa pátria que foram praticados por essa organização criminosa do submundo, uma chamada ao bom senso que, ressalve-se, só se vê acontecer agora em situação adversa, quando a maré parece ter mudado e que não foi observada em momento algum durante longos anos de conveniente mutismo perante os notórios crimes do sistema. Não se escutou nenhum desses simpatizantes ou “isentões” se manifestar enquanto o país era saqueado a céu aberto, e, esses que agora falam em respeito e diálogo, permaneciam em mutismo absoluto. E convenhamos, por falta de aviso e de alertas não foi!

Sim, sem dúvida, teríamos um mundo melhor se houvesse mais diálogo, se praticássemos todos esses preceitos éticos e cristãos que nos são relembrados, agora! Sem dúvida a compreensão de que o homem – qualquer homem – é sombra e luz, sem dúvida a máxima cristã do “atire a primeira pedra aquele que estiver isento de culpa”, sem dúvida o perdão e a tolerância para com as imperfeições de todos nós, sem dúvida o respeito pelas crenças alheias e o diálogo em qualquer circunstância seriam o desejado, os exemplos supremos a serem seguidos, em nome daquilo que nos foi legado por avanços civilizacionais e religiosos (no sentido espiritual amplo do termo) conquistados ao longo de séculos de lutas fratricidas e de muito sangue inocente derramado por nossos ancestrais. Algo que já deveria até estar profundamente arraigado em nosso DNA e na compreensão de que estamos todos inexoravelmente conectados, pois, como já dizia o clérigo e poeta, John Donne nos idos dos 1600:

“Nenhum homem é uma ilha, inteiramente isolado, todo homem é um pedaço de um continente, uma parte de um todo. Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntai: Por quem os sinos dobram; eles dobram por vós”

John Donne. “Meditação XVII” (1623), do livro ‘Devotions Upon Emergent Occasions’, (1624)

Sim, tolerância, respeito, e diálogo sempre! Mas, melhor dizer, sempre que possível, pois é necessário acrescentar que tal só é exigido de um dos lados, enquanto o outro lado permanece exatamente na mesma trilha de radicalismo, mentira, canalhice e intolerância de sempre, e não se escuta essas mesmas pessoas clamarem por tolerância, respeito e diálogo!

Na verdade, em função disso, é necessário enfatizar que não existem verdades universais, nem regras de conduta válidas para todas as circunstâncias, corretas em todas as ocasiões. Uma atitude catalogada como virtude só deve ser assim considerada sob determinadas condições e em determinados contextos. Nem sempre em todos os contextos! Da mesma forma tudo aquilo que catalogamos impulsivamente como defeito, pode em determinadas situações revelar-se como uma virtude aliada . Existem características a serem permanentemente buriladas e que podem revelar-se como positivas ou negativas, dependendo da forma, da oportunidade e de várias outras circunstâncias.  Os orientais sabiamente definiram essa verdade como o Caminho do Meio, muitos séculos atrás.

“Mas, o que significa isso, o que quer dizer diálogo? Diálogo não é uma simples conversa. Duas pessoas podem conversar e trocar palavras apenas, sem dialogar. Etimologicamente, o termo significa “através da palavra ou da razão”. Portanto, dialogar é buscar “algo” através da palavra, da razão.”

(Pedro Possas – Unicamp)

Portanto, o pré-requisito básico para que exista diálogo, para que se observe um mínimo de respeito pela posição contrária é que estes estejam imbuídos de intenções honestas, de boa fé, e que, pelo menos, não demonstrem a intenção explícita de continuar mentindo, trapaceando e enganando.

Pois, lamentavelmente, é exatamente isso que observamos no comportamento das “esquerdas” brasileiras: a inexistência absoluta de sinceridade, de qualquer tipo de honestidade em suas intenções e a intenção explícita e declarada de conturbar, de tentar jogar lama sobre seus opositores, atropelando propositalmente os princípios de justiça e proporcionalidade apenas para impedir a governabilidade do candidato eleito a qualquer custo.

A imagem pode conter: 2 pessoas, textoE isso é deplorável para o país, que, em função do comportamento rasteiro da corrente derrotada nestas eleições – os “esquerdistas” – se vê mais uma vez na contingência de ser governado de forma polarizada e isolada pela outra corrente, premida pela impossibilidade de diálogo; ou seja, se antes a tirania totalitária do marxismo cultural esquerdista sufocava qualquer tipo de oposição, hoje o baixíssimo nível demonstrado por aqueles que agora se dizem oposição – ou “resistência” como eles preferem, mas que todos nós sabemos que tal “resistência” é totalmente vazia de conteúdo e inteligência e representa apenas a confluência de interesses, orquestrados pela união e autodefesa de todos os corruptos e criminosos políticos da casa em conluio com ditadores totalitários de fora – impede qualquer tipo de diálogo já que uma das partes desrespeita continuamente as regras básicas que o possibilitem. Fazendo um paralelo evidente, seria exatamente o que ocorre no conflito entre Israel e parte das nações árabes em que uma das partes, representada por uma minoria de ativistas radicais e extremistas se nega permanentemente a seguir as regras democráticas de respeito à verdade, ao justo, à razão, ao equilíbrio e à ordem. Mente, escamoteia, agride, atropela, desrespeita e incita ao ódio, ao terror e ao caos. E com isso perde a chance de ter uma sólida plataforma para reivindicar até alguns de seus justos direitos

Por isso, recomendar tolerância e respeito a todos por opiniões e crenças diferentes das nossas é sempre válido, mas seria mais justo e muito mais bem aceite se tal conselho também viesse referendado e escudado em idêntico rigor na condenação e no repúdio à mentira, à canalhice, ao radicalismo, à inversão de valores e à intenção explícita de não aceitar as regras democráticas e de causar o caos no país, com o conseqüente repúdio explícito a todos os que não respeitam tais princípios.

Pois, sejamos honestos, o país necessitaria urgentemente de uma oposição sadia, racional e coerente, que de fato servisse como contraponto e referência complementar às teorias e ideias ditas de “direita” – um conceito que abomino, mas utilizo por simplificação teórica – que, supostamente, governarão o país pelos próximos quatro anos e que servisse como um alerta, ou até um necessário freio, aos impulsos sombrios de ganância e egocentrismo, essas tentações que espreitam sorrateiramente todos os seres humanos e que podem enlamear o êxito e as melhores intenções eleitorais de qualquer um, se deixados “à rédea solta”.

Infelizmente, tal tipo de oposição é coisa que estamos longe de ter. A voz do esquerdismo no Brasil é representada por uma cambada de robôs idiotizados e fanatizados, com um mínimo de informação e despidos de qualquer vestígio de honestidade, inteligência e sinceridade; uma caterva de oportunistas que apenas procuram sustentar os privilégios alcançados e/ou dar apoio a criminosos. E, pior, cuja única finalidade é instaurar o Caos e a desordem no país.

A imagem pode conter: textoLastimável, pois de fato o verdadeiro esquerdismo mereceria ter uma plataforma composta por cérebros pensantes, alguém como o filósofo esloveno Slavoj Zizek, por exemplo, com posições ideológicas polêmicas, sem dúvida, mas que são um perfeito antídoto para a acomodação e a estagnação de ideias – esse pântano onde fatalmente proliferarão as larvas da desordem e do Caos – e nos convidam sempre a aprofundar o pensamento no sentido da evolução, do aprimoramento e do bem estar comum. Seres pensantes no esplendor de sua diversidade, mas com um mínimo de honestidade intelectual que defendessem com inteligência e bom senso os valores que pregam em sua essência teórica: um olhar de justiça para com os direitos dos desfavorecidos pela sorte, para com as ditas “minorias”, para com a Natureza e a Ecologia, para com o Social, enfim.

Na ausência absoluta de tais premissas, resta-nos manter o respeito por qualquer diversidade, sem dúvida, mas não necessariamente a aceitação daquelas que ferem o bem da coletividade. Tal é a base das verdadeiras democracias.

Esse deveria ser o verdadeiro papel das esquerdas no Brasil! Mas, infelizmente, isso está muito distante de ser a nossa realidade!

Esses militantes ensandecidos e os simpatizantes que, por cegueira ou conveniência, apoiam essa quadrilha ainda não se aperceberam que, esperneando, esfaqueando, enlameando, mentindo ou deturpando a verdade e o bom senso não há como escapar ao fato inevitável: Jair Messias Bolsonaro, seus generais e a ala liberal ganharam esta eleição e a ordem será restabelecida neste país! Apesar desses inexplicáveis 44 milhões de votos num poste – um “fenômeno” aparentemente inexplicável, que o futuro certamente nos elucidará a contento – nós o povo brasileiro, derrotamos o tigre sanguinário e predador, que já tinha a presa (o Brasil) entre os dentes e estava prestes a abocanhá-la, irremediavelmente. A luta continua, mas a derrota dessa quadrilha já é um fato!

Esperemos apenas que, passada essa convulsão causada e alimentada por extremistas, corruptos e marginais inconformados, exista de fato uma esquerda pensante e de bom senso que finalmente perceba com clareza que não existe argumento ou fidelidade ideológica que justifique o apoio a criminosos ou a compactuar com a corrupção endêmica, com a mentira, com a falta de ética, com a desonestidade intelectual e com a bandidagem pura – mesmo que seja pelo silêncio ou pela omissão – e, pelo bem da nação, compreendam que não se desvencilhar dessa corja equivalerá sempre a dar um tiro no próprio pé que apenas prejudicará a todos nós. Afinal de contas, todos nós, verdes, amarelos, azuis ou vermelhos, compartilhamos um espaço comum neste barco auriverde chamado Brasil, para o Bem ou para o Mal.

Só dessa forma tais vozes dissonantes poderão colaborar de forma construtiva na construção do país que todos almejamos, manifestando-se democraticamente e expondo com razão, civilidade e honestidade intelectual seus pontos de vista. Só assim poderão ser respeitadas. Só assim teremos de fato um diálogo!

Tal deveria ser o papel das esquerdas num governo liberal: uma oposição que vise somar e contribuir, jamais subtrair e destruir. Uma voz que acrescente mais cores no calendário de diversidades deste país, ultimamente tão empalidecido e que colabore na promessa de sermos o país do futuro. Um país que acompanhe materialmente as conquistas espirituais desta que já é a Pátria do Evangelho!

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