O que é autoconhecimento?

Um antigo mito grego relata que a esfinge de Tebas estava sempre atenta aos viajantes que passavam naquela cidade. Esta abordava o transeunte com o seguinte enigma: ” Qual o animal que de manhã tem quatro patas, ao entardecer tem duas e ao anoitecer tem três patas”? Caso o enigma não fosse respondido corretamente pelo viajante, este era devorado pela esfinge. A resposta pontual era o “homem“.

 

 

Para uma verdadeira transformação, o primeiro passo é se autoconhecer. Autoconhecimento ou conhecimento de si, em um sentido mais profundo não é absorção de informações. Este processo tem a função primordial de nos movimentarmos para um saber próprio, de modo a proporcionar construções e desconstruções. Deste modo, este conhecimento traz à luz muitas questões que muitas vezes passavam despercebidas (ou que não queríamos admitir),  visto que na maioria das vezes, não desenvolvemos ainda um alto grau de intimidade conosco para alavancar nosso aprimoramento pessoal.

O autoconhecimento é um processo transformador, o maior investimento que podemos fazer por nós mesmos, pois quando nos conhecemos, não reagimos impulsivamente aos nossos processos internos e à vida, mas desenvolvemos uma conexão consciente com nosso “eu” e com o mundo externo.

Através deste processo, nos é permitido conhecer e trabalhar nossos conflitos e resistências, ou seja, as nossas sombras, bem como conhecer e desenvolver os nossos recursos, possibilidades e potencialidades, aumentando, desta forma, nossa auto-estima, nos tornando mais fortes para encarar as adversidades da vida, gerando sentimento de auto-satisfação, que é condição sine qua non para nossa felicidade e auto-realização profunda, o que é muito diferente do sentimento de euforia que o mundo nos oferece.

Em outras palavras, através do autoconhecimento, “nos encontramos e nos acolhemos na unicidade e complexidade que nos é própria,  para, a partir deste ponto de partida ser oportunizada a conscientização e consciencialização dos conteúdos subjacentes aos nossos  estados afetivos e emocionais”; para rever valores e crenças e consequentemente nos posicionarmos como pessoas  ativas e responsáveis diante de nós e da vida.

Neste processo concluímos que não somos os papéis sociais que exercemos, nem a percepção das pessoas a nosso respeito. Do mesmo modo, não somos a identificação engessada que criamos de nós mesmos, o que geralmente tem função de máscara protetora e escudo de defesa para nos agarrarmos a uma imagem idealizada. Geralmente a imagem que idealizamos para nós não corresponde integralmente a quem de fato somos. Esta vem à tona diante de experiências catalisadoras que nos colocam frente a comportamentos automáticos e emoções disfuncionais que precisam ser prontamente trabalhadas. O problema é que muitas vezes culpamos os outros e não admitimos que isso é uma questão nossa.

Infelizmente as pessoas não apresentam uma cultura preventiva. O que acontece é que elas procuram se autoconhecer diante de um estado de sofrimento significativo, seja por seus sintomas, seja em busca de respostas existenciais. Esta resistência advém do fato de que, embora se autoconhecer seja gratificante, é também um trabalho longo e doloroso, pois nem sempre estamos dispostos ou prontos a encarar nossas sombras, romper paradigmas,  descontruir autoconceitos, mudar hábitos e rever condutas.

Precisamos retirar as nossas mascaras configuradas pelos condicionamentos internalizados e visitarmos o nosso templo de Delfos, olhando no espelho da nossa própria consciência para trabalharmos nossos comportamentos disfuncionais. E’ necessário conhecer o que há de melhor em nós, os nossos recursos, as nossas motivações, para desenvolvermos nossa auto estima. Da mesma forma, é necessário conhecer o que há de pior em nós, para que seja desconstruído e transformado.

Resultado de imagem para o que é autoconhecimentoDiscutir nossos pensamentos, idéias e crenças é o primeiro passo para iniciarmos nosso processo de mudança interior. Mas de pouco ou nada adianta conhecer e não aceitar o conteúdo como seu; de pouco adianta se não nos propusermos ao trabalho mais profundo: encarar e compreender o porque dos nossos sentimentos e emoções. Sofremos porque não nos conhecemos, porque não somos  conscientes de como funcionamos. O sofrimento existencial é produto da ignorância, sendo nós mesmos os geradores destes mesmos sofrimentos que tanto desejamos nos desvencilhar e que nos seria poupado, caso nos conhecêssemos. Sendo assim, não existe a possibilidade de fugirmos de nós mesmos, já que a verdadeira liberdade advém da própria conquista consciente do “eu”.

A partir desta conquista, a maior de todas que podemos fazer, não buscaremos nos satisfazer nos prazeres e ilusões externas, nem tampouco precisaremos da incessante aprovação dos outros, visto que estaremos satisfeitos e preenchidos conosco. No entanto, para que este processo se inicie, é necessário coragem para sairmos da nossa zona de conforto, o que gera certo sofrimento e readaptação, ou seja, dispêndio de energia para encarar estados emocionais negativos; paciência e perseverança no processo de mudança de paradigmas e hábitos, mas esforços que indubitavelmente valerão a pena.

 

Texto extraído do artigo “A importância do autoconhecimento em nosso processo existencial” de

Resultado de imagem para soraya rodrigues de aragão  Soraya Rodrigues de Aragão  
soraya.psico@yahoo.com.br
Psicóloga. Realizou seus estudos acadêmicos na Unifor e Lumsa (Roma). Apresenta formação em Dinâmica de Grupos (LDG), capacitação em Prevenção ao uso de Drogas pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). É Sócia da Sociedade Italiana de Neuropsicofarmacologia e membro da Sociedade Italiana de Neuropsicologia. Desenvolveu o projeto intitulado: «Consultoria Estratégica em Avaliação Emocional».

Veja o artigo completo, se desejar em : “A importância do autoconhecimento em nosso processo existencial

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