O QUE É MITOLOGIA?

 

Com a palavra mitologia designam-se dois conceitos: o conjunto de mitos e lendas que um povo imaginou e o estudo dos mesmos.

 

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A palavra vem do grego mythos, significando fábula e logos, tratado. O conceito de fábula não nos deve induzir a crer que o mito seja uma ficção caprichosa da imaginação. Dentro da narrativa mítica esconde-se um aspecto, um núcleo, que encerra uma verdade. A fábula, pelo contrário, refere-se a a acontecimentos realmente imaginados e que não modificam a condição humana como tal. O mito relata uma história verdadeira, na medida em que toca profundamente o homem – ser mortal, organizado em sociedade, obrigado a trabalhar para viver, submetido a acontecimentos e imprevistos que independem de sua vontade. Dizer-se que sob uma forma “fabulada”, imaginária, a mitologia narra uma história do homem através dos milênios, não seria afastar-se muito da verdade.

É a história da criação do mundo, do homem, de múltiplos eventos cuja memória cronológica se perdeu, mas que se preservaram em uma memória “mítica”.

Para a consciência mítica, tudo deve ter tido a sua origem. Se esta origem ficou encoberta pelas trevas do tempo e do mistério, isso não significa que não possa ser recuperada pela imaginação. A realidade das coisas está aí a demonstrar a repetição das origens nos ciclos da vida. A temporalidade dos acontecimentos pouco interessa. Interessa, sim, o fato de que eles se repetem: e por isso são perenes.

Resultado de imagem para o que é mitologia?O mito consiste nesta “história perene”: é a história dos acontecimentos que são eternos porque se repetem. Reconhecendo em cada ato cotidiano uma participação nos grandes ciclos da vida – que não são mais do que a repetição dos ciclos-modelo narrados pela mitologia – o homem sente-se participar da grande eternidade mística, e liberta-se de sua transitoriedade. Integrado em suas origens, ele consegue, senão propriamente sobreviver, viver integralmente. Dentro da mentalidade mítica, a própria morte pode fazer sentido: é o fim da última repetição, e, por isso mesmo, a suprema reintegração nas origens.

Mas esta reconciliação do homem coma vida e com a morte (uma é impossível sem a outra) mal pode distinguir-se da integração total com a natureza, especialmente a natureza viva. Através da mitologia – desde as mais primitivas até à mais moderna de suas formas, disfarçada em ficção científica – , sempre o homem procurou compensar a distância que o separa, cada vez mais, do universo irracional. Este abismo, o mito procura preenchê-lo, ao misturar todas as origens. Não apenas do mundo e do homem, mas também dos animais e das plantas: é tudo o que nasce, vive, é sexuado e organizado, se desfaz e morre – mas volta e continua.

Devido a seu caráter fundamental, o mito conserva até aos nossos dias vitalidade e presença grandiosas: ele trata dos mesmos problemas – existenciais, morais e sociais – que continuam a afligir a humanidade. Por isso, o homem não deixou de criar novos mitos, muito embora já tenha até pisado na Lua.

 

 

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