O SUFISMO

O Sufismo é conhecido por ser a corrente mística e contemplativa do Islão. É uma forma de misticismo e ascetismo hostil à ortodoxia muçulmana, caracterizado por uma crença de fundo panteísta e pela utilização da dança e da música para uma comunhão direta com a divindade. Propagou-se especialmente na Índia e na Pérsia, do século IX ao XII, e foi influenciado pelo hinduísmo, budismo e cristianismo.

 

sufismo3O Sufismo pode ser melhor descrito como uma prática mística que enfatiza certos rituais especiais para orientar os buscadores espirituais em um encontro direto com Deus. Maomé é considerado seu profeta chefe e muitos consideram o sufismo como uma marca mística do Islã. A forma mais aceita de interpretar o Sufi e o Sufismo é utilizando não a sua origem lingüística, mas sim os seus objetivos: em termos gerais, o Sufi é todo aquele indivíduo que acredita que é possível ter uma experiência direta de Deus e que está preparado para sair de sua vida rotineira para se colocar debaixo das condições e meios que lhe permitam chegar a este objetivo. Neste contexto, o Sufi é considerado como o protótipo de todo místico que busca a União.

Na verdade o sufismo é um termo difícil de definir porque seu significado supostamente derivou-se de várias palavras com conotações diferentes:

  • Bishr ibn al-Harith disse que: “o sufi é aquele cujo coração é sincero para com Deus.” Assim, uma das palavras da qual o sufismo supostamente derivou-se é safa, quer dizer, puro – isto devido à pureza do coração dos sufis.
  • Outros derivaram sufi da palavra Saff; isso se refere à “posição de primeiro lugar” dos sufis diante de Deus. Os sufis acreditam que ocupam uma posição de destaque em relação a Deus. O termo suffab – que significa “Povo do Sofá” – e a palavra suf , que se refere ao hábito dos sufis de usar lã, são duas das mais populares supostas derivações da palavra sufi.

Estas duas últimas definições ganharam aceitabilidade por descreverem com bastante precisão o comportamento observado dos sufis. Eles, sendo pessoas que nunca tiveram muitas posses, eram como o Povo da Sofá (pessoas que viveram no tempo do profeta de Deus) — pessoas que haviam fugido do mundo, viajantes, sem os bens deste mundo, não vestidas em roupas finas, mas em lã grossa.

sufismo6O Sufismo é atualmente mais equacionado com uma forma islâmica de misticismo, que tende a abraçar diferentes maneiras e tipos de técnicas, mas todas voltadas a uma busca de uma comunhão direta entre Deus e o homem. É uma esfera de experiência espiritual que corre em paralelo com a prática do Islão, que deriva da revelação profética e se desenvolve na Shari’a e na teologia muçulmana. Como religião codificada, o Islão não pode admitir que a experiência mística possa ocorrer em paralelo e como experiência pessoal única, o que gerou as tensões e questionamentos que o Sufismo islâmico sempre sofreu ao longo de sua trajetória. O objetivo tanto do Islão quanto do Sufismo é conduzir o praticante em direção à Verdade ou Realidade. Dentro do Islão como religião revelada, tal objetivo seria obtido através da prática dos preceitos religiosos enquanto que no Sufismo, além destes preceitos, entrariam também em jogo uma série de fatores intuitivos e emocionais que, segundo a teoria do Sufismo, estariam dormentes na maioria dos seres humanos e que, sob uma supervisão correta, poderiam ser despertos e desenvolvidos.

Este desenvolvimento recebe o nome de Caminho e o viajante no caminho (salak at-tariq) busca eliminar os véus que ocultam a sua experiência do Real e assim, vir a transformar-se ou absorvido na Unidade indiferenciada. Embora não seja um processo intelectual, o Sufismo acabou gerando uma série de formulações teórico/práticas que constituíram verdadeiras linhas filosófico/místicas que acabaram se constituindo em verdadeiras formas de reação contra um Islão cada vez mais sistematizado em termos de leis e teologia sistemática, objetivando uma liberdade espiritual através da qual os sentidos espirituais intrínsecos do ser humano pudessem ser amplamente utilizados. Os vários caminhos (turuq, tariqa no plural) estão preocupados com este objetivo e não na justificativa religiosa ou não.

Dessa forma, os sufis ensinam que o sufismo pode ser praticado com qualquer religião. Deus é o “coração” da religião. Nenhuma fé ou crença é questionada, cada um pode seguir sua própria igreja, religião ou credo.

O sufismo têm, portanto, uma doutrina de Deus que é extremamente elevada.

Ao tentar decidir se Deus ainda está no ato de criação ou não, alguns sufis estão em desacordo; alguns dizem que sim, ele continua criando porque criar, fazer e formar são seus atributos eternos. Outros dizem que ele não se tornou um criador, fazedor e formador ao realizar essas tarefas; caso contrário ele teria sido eternamente deficiente, apenas tornando-se completo através do ato de criação.

Os sufis acreditam que Deus seja responsável por tudo que eles fazem, cada ato que eles, como seus servos, executam. Se não, então eles seriam iguais a Deus, fazendo o que quisessem. Assim, Deus é responsável por cada pensamento e ação. Deus pode fazer com os seus servos o que ele quiser, seja isso para o melhor do seu servo ou não.

sufismo1Um dos rituais importantes no sufismo é o zikr. Durante um zikr, o praticante se lembra de Deus através da meditação, canto e movimento – certos atributos de Deus são repetidos até que aqueles que o buscam se tornem “saturados” com Deus. Este ritual supostamente causa destruição e transformação. Ao rodopiarem e girarem por horas, eles entram em um estado de êxtase e pureza onde o coração só é consciente de Deus. O praticante se entrega a um abandono total – um esvaziamento total de si.

Em termos esotéricos, o Sufismo não se diferencia da busca pela União que já é encontrada nas propostas místicas anteriores ao Islão, a Cabala Judaica, as propostas Platônicas e Neo-Platônicas, o Gnosticismo e o Misticismo Cristão precederam e deram um embasamento para o Sufismo Islâmico. Dentro deste contexto maior, o Sufismo, assim como as formas que lhe precederam recebem o nome de Trabalho, ou seja, o processo ativo de aperfeiçoamento do indivíduo para que este se torne capaz de perseguir o fim último de seu ser: a União Mística com o Absoluto. Nesta perspectiva não seria possível estabelecer-se qualquer diferencial entre uma linha com outra, afora as diferenças exteriores de apresentação e contexto cultural. sufismo2Essa é uma das formas de entender o que é chamado de Tradição Perene, ou Filosofia Perene, que representa a essência dos conhecimentos e praticas capazes de conduzir o individuo a um desenvolvimento harmônico de suas potencialidades. Assim cada uma destas linhas e escolas, que tentaram preservar e desenvolver este conhecimento, são expressões desta Tradição Perene em diferentes épocas e culturas. Cada uma delas assumiu uma forma especifica, mística, religiosa, artística, filosófica ou cientifica, de acordo com o momento em que surgiram e se desenvolveram. Assim o problema fundamental que se apresenta ao postulante é o mais crucial de todos: o que ele realmente deseja; a busca da União, com tudo que isto representa ou a busca de um apoio religioso e institucional. Isto com freqüência não é bem analisado pelo postulante que acaba confundindo ambos os objetivos.

O Sufismo tem sido reconhecido por muitos autores como um dos maiores representantes da espiritualidade e importante fonte de conhecimentos e práticas do caminho místico.

Seu objetivo básico é o de prover ao ser humano, um caminho real e bastante abrangente de crescimento e desenvolvimento de suas potencialidades, buscando conduzir o ser humano de volta à sua dimensão de perfeição, fim último de qualquer caminho místico verdadeiro.

Muito da proeminência que o Sufismo desfruta vem do fato dele conter elementos oriundos de outras tradições e de ter dado continuidade a elas incorporando-as dentro de seu processo. Isto acabou por conferir-lhe um caráter mais universal, mesmo estando inserido dentro do contexto do mundo Islâmico.

É possível perceber esta influência especialmente durante a Idade Média e Renascença, que se estendeu aos Cristãos, Judeus e outras escolas esotéricas. Também influenciou o desenvolvimento da Filosofia, principalmente com a tradução e divulgação dos textos gregos, Ciências como a medicina, a matemática, a astronomia e as Artes.

 

Fontes: Universo Místico      All About Religion

 

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