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O truque central da desonestidade intelectual – Artigo de Marco Frenette

Há uma deficiência humana de ordem cognitiva e moral que tem sérios desdobramentos sociais e políticos. Essa deficiência tem a ver com o instinto de preservação e com os sentimentos da vaidade e da pretensão, e atinge praticamente a todos, incluindo desde acadêmicos até os que não têm maiores relações com a cultura ou com os métodos científicos. Trata-se da mescla ilógica de ideias e fatos, visando fugir de responsabilidades ou atingir um objetivo.

Essa deficiência se manifesta do seguinte modo: se a pessoa está debatendo e se sente acuada, e o argumento salvador está no campo das ideias, é esse que ela usará; porém, se o novo argumento começa também a ser desmontado, ela retorna ao campo dos fatos, e se for de novo desmontado, ela novamente retorna ao campo das ideias. Para fazer isso, é preciso não ter a menor preocupação com a lógica e a verdade, surgindo, assim, a desonestidade intelectual.

Esse conveniente vai e vem entre ideias e fatos, ou seja, entre teoria e prática, protege totalmente a pessoa, de modo que ela jamais será convencida, ou se dará por vencida, uma vez que se apega aos retalhos das ideias e dos fatos que melhor lhe servem, mesclando-os sem o menor critério. A pessoa acuada intelectualmente é como um saci-pererê em redemoinho entre roupas estendidas nos varais: ela só é poderosa dentro de seu próprio folclore e da loucura que deseja impor ao outro.

Esse truque da mescla tende a receber nomes eufemísticos como “pensamento não linear”, “lógica não aristotélica”, “pensamento não dual” e “livre pensar”, quando se trata apenas de técnicas comuns a todos os desonestos intelectuais, aplicadas de modo consciente ou inconsciente.

Mas que não se entenda “inconsciente” como um atestado de inocência, mas como o desenvolvimento de um “instinto” que leva a reflexos argumentativos tão rápidos quanto ilógicos, embora eficientes. Malandragem também exige treino. É a malhação eurística.

Então, qual seria a maneira decente e honesta de argumentar e pensar? Há apenas uma, seja no Oriente ou no Ocidente: teoria versus teoria, depois prática versus prática, e só depois uma análise dos resultados práticos das teorias confrontadas. A desonestidade intelectual nada mais é do que a quebra dessa regra universal da busca da verdade, uma regra que é indissociável da pessoa de bom caráter.

Um exemplo clássico. Se colocarmos os resultados práticos do capitalismo versus os resultados práticos do socialismo, veremos que o capitalismo ganha de dez a zero, pois a realidade nos mostra que o socialismo gerou infernos como Cuba, Coréia do Norte e Venezuela, enquanto o capitalismo gerou nações prósperas e livres como Austrália, EUA e Alemanha.

Por outro lado, se colocarmos a teoria socialista versus a teoria capitalista, veremos que, de novo, a teoria capitalista vence de dez a zero a teoria socialista, por conta de ser esta última um aglomerado de ilusões, ilogicidades, contradições e puros desvarios, sem contar os rasgos de explícita psicopatia.

Portanto, nesse contexto de confronto intelectualmente honesto, com teoria versus teoria e prática versus prática, fica evidente que um ser humano precisa ser retardado ou sociopata para defender o socialismo.
Mas então, como defender o conjunto de ações da agenda esquerdista sem se assumir retardado ou sociopata? A única maneira é aplicar o truque da mesclagem, comparando a teoria “pura” do socialismo com os erros práticos do capitalismo.

Se o capitalismo real em determinada região gerou 90% de prosperidade e 10% de pobreza, o esquerdista se foca nos 10% da realidade capitalista e a confronta com os 10% de sensatez e justiça que existem (quando muito) na teoria socialista, ignorando o fato de que 100% da prática socialista é morte e destruição.

No calor de uma discussão, poucos se dão conta desse truque da criminalidade esquerdista. A maioria não percebe que o esquerdista está sempre mesclando teoria e prática a seu bel prazer, dando um ar de discussão intelectual onde há apenas malandragem, retardamento e sociopatia.

Esse truque é universal na esquerda, podendo ser detectado desde a conversa mole de um isentão nas redes sociais até em obras clássicas do debate social e político.

Por exemplo, compare o “Vigiar e Punir”, do esquerdista Michel Foucault, com “A Vida na Sarjeta”, do conservador Theodore Dalrymple. A obra de Foucault não passa de uma ficção labiríntica e sedutora, posto que mescla ideias e fatos sem o menor critério, a não ser o de envolver o leitor em seus delírios sociopáticos. Já a obra de Dalrymple dá à realidade o que é da realidade e dá às ideias o que é das ideias, demonstrando honestidade intelectual.
O resultado é que o miolo mole que se deixa seduzir pela genialidade literária de Foucault, passa a gostar de bandidos; enquanto que quem se deixa levar pela prosa honesta, porém menos brilhante, de Dalrymple, passa a gostar do trabalho, da família e de uma vida honesta.”

 

(Marco Frenette)

 

Se você através de mais este texto brilhante do Marco Frenette não conseguir entender de uma vez por todas como funciona a Desonestidade Intelectual de todos os esquerdistas e como eles usam exaustivamente esse recurso baixo para tentar dar prosseguimento a uma disputa na qual eles já são perdedores desde o início, uma discussão tão visivelmente ridícula como ela é na realidade, numa visão pragmática e realista, então você nunca vai entender como funciona o ser humano.

Sim, por que você precisa entender urgentemente que, se eles permitirem que a discussão se processe no campo das estatísticas, dos fatos, da realidade enfim, eles sabem que nem tem como começar a polêmica. Então, para salvaguardar o orgulho, a arrogância que muitas vezes nem é só deles, é de quase todos nós, seres humanos, e para tentar “ganhar no grito” uma polêmica que nem tem combustível para ser iniciada, eles usam esse truque próprio de mentalidades criminosas que é focar no ataque às possíveis – e quase sempre irrelevantes ou insignificantes para a discussão em seu todo – falhas do opositor, que afinal sempre existirão, pois todos somos humanos e falhos, para desnortear o opositor e tentar se manter à superfície e vivos na discussão.

Eu próprio sou testemunha apenas pelo meu pequeno universo virtual da net, da desonestidade intelectual que eles usam a cada instante, tentando apontar de qualquer forma a mais pequena falha que possa surgir no governo atual (ao qual eles se opõem visceralmente) tentando fazer com que essa pequena mancha assuma uma proporção descomunal, ao mesmo tempo que fingem ignorar inteiramente o senso de proporcionalidade, a noção de justiça e até atropelando as mais comezinhas noções do que seja carácter, ética e verdade para acobertar os atos de quem a eles convém. E olha que as pessoas que vi praticando esse tipo de atitude – e não foram tão poucas, lamentavelmente – não eram propriamente pessoas incultas ou desinformadas. Pelo contrário.

Desonestidade Intelectual criminosa? Óbvio e transparente para qualquer mente sã e inclusive para a deles, na solidão de cada travesseiro íntimo. Não se iludam. Afinal, nem todos eles são psicóticos patológicos de carteirinha. A maioria precisa representar esse papel para sobreviver. Afinal, pense bem, só para ficarmos aqui no Brasil: você acha que eles vão abdicar “de mão beijada de todos os privilégios que lhes foram garantidos por 30 e tal anos de Hegemonia absoluta, em todos os campos, sem qualquer contestação (quer coisa mais cômoda?) e ainda posando de “donos da verdade”, intelectuais progressistas, moderninhos, “fashion”, “glamourosos” e revolucionários, com o aval absoluto e os aplausos de todas as principais mídias e da maioria das instituições que detêm o controle do Poder e da $$$$$$$ no país, sem recorrer a todos os recursos vis e baixos imagináveis e inimagináveis que houver para serem inventados? Vocês acham que eles vão entregar a rapadura para os “fascistas”, “reaças”, “coxinhas” e “bolsominions” – e o que mais eles puderem inventar para desqualificar seus adversários – seguidores de um miliciano tosco e incorruptível que não quer se dobrar ao “joguinho de corrupção” e de conchavos que os manteve na crista da onda durante tantos anos, e vão de uma hora pra outra topar entrar no jogo do racional e do bom senso no qual eles se sabem perdedores desde o início? Vocês acham que eles vão permitir que se destrua esse “castelinho de fadas” (construído sobre a bosta e pisando no “cadáver”, na ignorância e no sofrimento da grande maioria, mas isso que importa se esse tal “castelinho” os sustentou até hoje?) apelando para a verdade que os condena e expõe? E sobretudo, além disso, vocês acham que eles vão abrir mão do orgulho e ter a humildade necessária para “dar o braço a torcer” ao adversário, perante argumentos irrecusáveis como são os apresentados pela corrente contrária? Você acha que eles vão admitir que as crenças nas quais muitos deles se apoiaram, talvez por quase toda uma vida, são inapelavelmente falsas e criminosas?

Então, se você acha isso, talvez você precise começar a entender melhor a essência do ser humano. Por que a grande verdade é que numa situação similar talvez boa parte de nós procedesse de forma igual. Isso não é uma justificativa para nenhum deles, como não seria para nenhum de nós. Nem imagine que os esteja defendendo. Não entenda errado. É apenas para que entenda que a única coisa que resta a eles é usar esse truque vil e criminoso. Eles têm muito a perder. Caso contrário, não sobreviveriam no tatame 01 segundo sequer, tantos seriam os argumentos demolidores que os derrubariam.

É por esse motivo que eles tentam a qualquer custo achar a mais pequena e indelével mancha que comprometa a reputação do oponente (algo que como já disse fatalmente encontrarão, pois de humanos falamos) para tentar pelo menos empatar o jogo, omitindo e até se negando a admitir a enormidade exorbitante de “sacanagens”, canalhices e de toda a sorte de deturpações, inversões , crimes, bandidagens e malfeitos praticados por eles ou por quem eles apoiam. Omitindo e tentando desqualificar todos os inegáveis avanços e todas as mais do que transparentes conquistas já alcançadas pelo adversário. Isso para eles não conta e nem adianta insistir em que tentem ver isso. Não verão jamais. Por que NÃO querem ver. Nem quererão jamais. Acostume-se!

Desonestidade Intelectual? Crime? Canalhice? Vigarice? Falta de carácter? Baixeza moral? Sem dúvida nenhuma. Da pior espécie. Tudo isso e mais alguma coisa. Mas é o que resta a eles e é isso que precisamos todos nós entender e o que este artigo sensacional e elucidativo do Frenette aponta, em alto estilo, para entender quais as molas que fazem funcionar a mente deturpada e “psicótica” (que outro jeito eles têm? que outra denominação se daria a isso?) de todos os esquerdistas e para pararmos de dar uma visibilidade irracional e inutilmente raivosa às artimanhas deles. Só dessa forma podemos começar a expor o jogo e a estratégia de vigarices deles, com serenidade e inteligência, algo que muitos talvez ainda não tenham entendido. Que é o que de fato importa.

 

(Paulo Monteiro)

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