OS ANJOS TORTOS

Dedico este belíssimo texto de Joseph Agamol a todos os “gauches”, esses anjos tortos maravilhosos que conheci ao longo de minha trajetória: Rita Monteiro, João Chamma, Flavio Girol, Odaleia Ersching, Suzana Guimarães, Fátima Pinto de Almeida, Rita Dias Ferreira, João Faria, Eder Machado, Juliana Vergutz, Jacob Laredo, José Carlos Batista, Tânia Violato Girol, Mafalda Almeida, Fátima Sampaio. Pra dizer a verdade nem sei se conheço tantos “gauches” assim. Pelo menos esses daí deu pra identificar com A Marca de Caim, mas, quem sabe, um olhar mais acurado permita ver essa marca em todos nós. Talvez ela apenas não esteja tão visível em todos!

 

 

Toda segunda-feira é como um novo ano que desperta.

Resultado de imagem para drummondLembram do tal anjo torto que mandou Drummond ser gauche na vida? Pois é, ele passava na minha casa pelo menos uma vez por semana, até se convencer que eu tinha compreendido – e aceitado – sua determinação.

– E aí? Tudo gauche, fio?

– Ó! Não esquece, hein? É para ser gauche, tá?

– Oi, Joseph! Tudo bem? Como vão os amigos, a família… Ah! Antes que eu esqueça: está sendo gauche?

– Faaaaaala, Joseph! Tô com um pouquinho de pressa, só passei pra ver se tá tudo gauche contigo…

Um pândego, esse anjo. (“Ah! Joseph, todos os anjos são terríveis, como dizia Rilke, e tortos como você acabou de constatar”  N.A.)

Então.

Resultado de imagem para anjos tortosMinha mãe não criou um filho besta a ponto de bater de frente com seres angelicais, de forma que fiz o que pude para ser… gauche!

E, nesse propósito, obtive sucesso, como disse Hattori Hanzo ao entregar a espada que tinha fabricado para Beatrix Kiddo, em Kill Bill.

Por exemplo: rotina. Todo mundo critica. Eu gosto de rotina. Gosto de sentir que há uma ordem pairando sobre tudo, desde o surgimento das nebulosas e Buracos Negros até ao modo como preparo o café.

 

Querem outra? Eu adorava trabalhar em finais de semana e feriados. Fui atendente de SAC de cartão de crédito por um tempo antes de ser professor e sempre me oferecia para essas escalas malucas. Gostava de me sentir útil nos momentos em que ninguém queria ser. Vê se pode.

A segunda-feira, para mim, é outra injustiçada. São memes, impropérios, o gato Garfield… todos malhando em uníssono o primeiro dia da semana.

Eu gosto.

Tenho a segunda-feira como, literalmente, uma segunda chance.

Uma forma de zerar o game e começar de novo.

Eu saúdo toda segunda-feira como quem testemunha o surgimento de um mundo novo.

Tô fazendo certinho até hoje, viu, seu anjo torto?

Boa Segunda… ops, bom mundo novo procês.

 

  JOSEPH  AGAMOL

Historiador e professor pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro

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