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OS DOZE FILHOS DA TERRA E DO CÉU

 

Unida a Urano (Céu), pela força de Eros, Gaia (Terra) tem inicialmente doze filhos: seis homens e seis mulheres – os Titãs e as Titânias. São forças violentas que povoam o mundo  e iniciam longa e penosa  história, afirma o poeta Hesíodo.

Alguns se sobressaem pelo poder, outros se destacam pela tragédia.

Poderosa é Têmis, a Justiça, a Lei, o Equilíbrio eterno do mundo.

É Mnemósine, a memória universal, a lembrança conservada tanto nos monumentos quanto na alma dos homens.

É Tétis, a alma feminina do mar, que, unida  a seu irmão , o titã de nome Oceano, gera três mil filhos: todos os rios do mundo.

É Hipérion, o “que viaja pelo alto”, o Fogo Astral, esposo da titânia Febe, pai de Hélios , o Sol, de Selene, a Lua e de Eos, a Aurora.

Trágico é Iápeto, que, unindo-se à oceânida, Clímene, gerou quatro filhos infortunados: Atlas, o gigante condenado a carregar o mundo nos ombros; Menécio, que mais tarde ousaria guerrear contra  Zeus (Júpiter), o senhor de todos os deuses; Prometeu, que desafiaria o poder olímpico; e Epimeteu, que acompanharia o irmão em sua luta.

Trágico também é Cronos, com seu destino desesperado, com as muitas tarefas que o futuro do mundo lhe reserva.

Porque ele é o deus do Tempo – tudo regula, tudo comanda -, cabe-lhe criar uma nova ordem nos ares e nas coisas. Revolucionar constantemente a natureza. Alterar o palco da vida, retirando dele seu próprio pai.

Cronos é insaciável. O Tempo devora tudo: seres, momentos, destinos. Sem piedade. Sem apego ao que passou. O que importa é construir o futuro..

Só Mnemósine contesta Cronos, preservando, quando pode, a lúcida matéria sobre a qual reina: a memória.

Mas, Cronos vence sempre. E continua sem medo sua implacável cavalgada.

 

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