Poema de Ferreira Gullar: “EXTRAVIO”

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Onde começo, onde acabo,

se o que está fora está dentro

como num círculo

cuja periferia é o centro?

Estou disperso nas coisas,

nas pessoas, nas gavetas:

de repente encontro ali partes de mim:

risos, vértebras.

Estou desfeito nas nuvens:

vejo do alto a cidade

e em cada esquina um menino,

que sou eu mesmo, a chamar-me.

Extraviei-me no tempo.

Onde estarão meus pedaços?

Muito se foi com os amigos

que já não ouvem nem falam.

Estou disperso nos vivos,

em seu corpo, em seu olfato,

onde durmo feito aroma

ou voz que também não fala.

Ah, ser somente o presente:

esta manhã, esta sala.

 

 

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