PULP no Via Funchal em S. Paulo

 

 

 

Já estão um pouco distantes os tempos em que eles dividiam as luzes do estrelato e o aplauso unânime de público e crítica com o Oasis e o Blur, quando o assunto era britpop; acrescente-se a isso o fato de que eles sempre tiveram sua fama mais restrita à Grã-Bretanha e, em menor escala, ao continente europeu, e estavam afastados de grandes turnês desde 2002 e tornava-se evidente que a apresentação do PULP em território brasileiro, mesmo sendo em S. Paulo, não conseguiria atrair uma grande multidão ao Via Funchal.

No entanto, mesmo com a Pista a meia-bomba e os camarotes e mezaninos quase vazios, o quinteto de Sheffield (UK) recompensou os poucos e fiéis fãs com um show generoso de 02 horas cravadas, que posso catalogar talvez como o melhor show do gênero apresentado este ano na paulicéia, isso levando em conta que tivemos por aqui ótimas apresentações do quilate das de Robert Plant, Jack Bruce, Morrissey, Thurston Moore, Roger Waters, Garbage, Gossip, Suede e das de muitos outros.

A atual turnê do Pulp foi iniciada ano passado, após um interregno de quase 10 anos, o que levou o excelente “showman” que atende pelo nome de Jarvis Cocker a comentar que teria de reaprender a tocar as próprias músicas; modéstia do cara: Jarvis e seu quinteto estão ainda na mais excelente das formas e mostraram em sua primeira atuação no nosso país um show eletrizante, amparados por um excelente jogo de luzes de última tecnologia. Não é demais afirmar que o Pulp é Jarvis Cocker e Jarvis Cocker é o Pulp!!!

De fato, o excêntrico “ frontman” ocupa todos os espaços do palco, interagindo incessantemente com a turma do gargarejo , enquanto requebra e pula feito “marionette” desarticulada, numa teatralidade com “ timing” perfeito que vai galvanizando a assistência do início ao término do espetáculo. Como o grupo não lançou nenhum trabalho recente, o repertório é uma colagem, principalmente dos 03 primeiros e fundamentais trabalhos do grupo nos anos 90, uma espécie de “ best of”, que, até por ser a primeira apresentação deles no Brasil, agradou em cheio a toda a assistência; embora não dispense uma referência aos Fab Four de Liverpool, isso não chega a ser tão óbvio como no caso do repertório dos irmãos Gallagher! Mas, com o Pulp de Jarvis e suas letras irônicas com profundas conotações sociais, o referencial é mesmo o de outra dupla de irmãos: a dos irmãos Ray & Dave Davies, mais conhecidos como The Kinks, um dos mais subestimados e mais sensacionais grandes nomes do rock inglês dos anos 60/70! E, quando Jarvis e seu óculos característico reentra no palco para o bis final, armado de um guarda-chuva, nem precisou de um chapéu de coco e da “Union Jack” para nos lembrar que o espírito da melhor britpop estava incorporado ali no palco da vetusta casa de shows, talvez em seus últimos instantes de glória, antes de ser demolida. God Save the Pulp!!!!!!

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