Raul de Leoni: “A HORA CINZENTA”

Raul de Leoni foi um poeta brasileiro. Mais de oitenta anos da sua morte, Raul de Leôni é venerado por seus inúmeros leitores, mas ainda não chegou às carteiras universitárias dos cursos de Letras do nosso pais, onde por mérito poético, e para o bem dos estudantes da poesia brasileira, já deveria estar presente, se algum outro, menos competente e mais favorecido, não estivesse ocupando o seu lugar.

Foi o poeta de maior realce na última fase do simbolismo, e é justamente considerado como uma das figuras mais notáveis do soneto brasileiro de todos os tempos.

Parnasianos, simbolistas e até modernistas o têm em alta conta, apreciando-o sem reservas. Cada um de seus versos tem sonoridade e ritmo primorosos, especialmente os dos sonetos, em decassílabos, mesclados de simbolismo e de modernismo, com tessitura clássica e técnica parnasiana. São versos considerados dos mais perfeitos: em ideia, filosofia, e essência das temáticas.

A HORA CINZENTA

 

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Desce um longo poente de elegia

Sobre as mansas paisagens resignadas

Uma humanissima melancolia

Embalsama as distâncias desoladas

 

 

Longe, num sino antigo, a Ave Maria

Abençoa a alma ingênua das estradas

Andam surdinas de anjos e de fadas

Na penumbra nostálgica, macia…

 

 

Espiritualidades comoventes

Sobem da terra triste, em reticência

Pela tarde sonâmbula, imprecisa…

 

 

Os sentidos se esfumam, a alma é essência

E entre fugas de sombras transcendentes

O pensamento se volatiliza

 

 

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