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Razões que explicam a ascensão do Nazismo na Alemanha – Artigo de Pedro Possas

Muitos ainda ficam perplexos com a ascensão e domínio do Nazismo na Alemanha, país de gente tão culta, esclarecida, berço de tantos filósofos, cientistas e artistas geniais.

Como foi possível isso?

 

Vendo a reação de nosso povo, tão inculto, iletrado, avesso a reflexões um pouco mais profundas, nesse momento tão obscuro, acredito que o mecanismo de dominação não passe pelo crescimento racional, cultural ou científico de um povo.

A dominação do pérfido passa por vias mais profundas da psique humana.

Hitler, um psicopata provido de dons de oratória hipnóticos, brilhante, manipulador das massas genial, respaldado por uma das máquinas marqueteiras mais eficazes já vistas em nossa história, atacou o cerne dos piores sentimentos do povo alemão, em favor de seu projeto nefasto de poder.

Há relatos históricos de analistas políticos que leram manuscritos de Hitler e disseram que de tão estapafúrdios, não representariam perigo algum, pois nunca seria eleito com aquelas ideias. Esses mesmos analistas descreveram sua própria mudança de posição ao ouvirem Hitler discursando perante uma multidão, descrevendo a sensação como uma corrente elétrica, magnetizadora, que arrepiava os corações transformando cada indivíduo em uma célula de uma massa uníssona.

Ele mobilizava pelo emocional, não pelo racional.

Quais emoções, comuns aos alemães, esse hábil psicopata estimulava e manipulava?

O sentimento de humilhação, opressão, rancor, vingança e injustiça que todos os alemães compartilhavam, após a assinatura do Tratado de Versalhes que encerrou a WWI, em 1919, sujeitando restrições a todo um povo, que não tinha mais responsabilidade nenhuma sobre os acontecimentos de uma ou duas décadas passadas.

Foi hábil o psicopata, utilizando desses sentimentos negativos de um povo sacrificado, para injetar autoestima nos que se sentiam desmoralizados e injustiçados, para defenderem seus projetos egoísticos de poder, apontando um inimigo óbvio, fácil, perseguido durante toda a história: os judeus.

Não há nada mais efetivo que manipular sentimentos animalescos, primitivos, contra um inimigo óbvio.

Para estimular a emoção, a razão é secundária.

Infelizmente assisto ao mesmo mecanismo replicado em nosso país e, infelizmente, parece não termos sido vacinados contra esse tipo de manipulação psicopática, exercida por grupos totalitários.

Quais são os sentimentos do povo que se utilizam, nesse momento, para nos aprisionar e nos manipular em favor de seus intentos?

Não existem mais oradores hipnóticos em nosso tempo, mas a máquina de propaganda massificadora nunca foi tão eficiente e estimulada.

O medo-pavor de um inimigo potencialmente danoso, com exagero em sua periculosidade, para acuar o povo, tem sido exaustivamente veiculado.

O fracasso pessoal, a frustração individual, a inveja, o rancor contra os bem sucedidos são emulados para a formação de uma massa manipulável.

O inimigo passa a ser identificado como o único mal da nação: aquele que foi eleito por representar o que a maioria do povo pensa.

Estão aí os ingredientes para o retorno de um governo psicopático, e as raízes que fomentaram o crescimento da nefasta árvore do Nazismo e agora podem nos transformar em apenas mais uma árvore da floresta do progressismo, globalismo, socialismo, comunismo ou que outro nome quiser dar ao governo desses psicopatas totalitários.

A manipulação não é racional, ela se dá através da manipulação dos sentimentos mais negativos existentes na espécie humana.

Não reajam por impulsos.

 

Reflitam.

Orem.

Pensem.

Não se deixem manipular ou escravizar.

 

 

Pedro Possas

O Dr. Pedro Possas é Médico Psiquiatra, residente em Campinas (SP). Trabalhou como Medico Residente na empresa

UNICAMP

Estudou Medicina na instituição de ensino

Ufjf

 

 

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