Nascido em 15 de julho de 1606 Rembrandt Harmenszoon van Rijn, filho de um moleiro, viveu na cidade universitária de Leiden, uma das cidades de maior importância da Holanda naquele período.

No final de 1631, Rembrandt mudou-se para Amsterdã, então em rápida expansão como o novo centro comercial dos Países Baixos, e começou a praticar como retratista profissional, obtendo grande êxito.

Ele inicialmente permaneceu com um marchandHendrick van Uylenburg, e em 1634 casou-se com sua sobrinha, Saskia van Uylenburg. Saskia era advinda de uma família respeitável: seu pai fora advogado e burgemeester (prefeito) de Leeuwarden. No mesmo ano, Rembrandt tornou-se cidadão de Amsterdã e membro da guilda local de pintores.

Foi neste local que Rembrandt recorreu com frequência a seus vizinhos judeus para pintar cenas do Velho Testamento. Embora abastado, o casal enfrentou diversos problemas pessoais; seu filho Rumbartus morreu com dois meses de idade em 1635, e sua filha Cornelia apenas três semanas após o parto em 1638. Em 1640, tiveram mais uma filha, também chamada Cornelia, que morreu com um mês de idade. Somente seu quarto filho, Titus, nascido em 1641, é que sobreviveu até a maioridade. Saskia morreu em 1642, pouco depois do nascimento de Titus, provavelmente em decorrência de uma tuberculose. Os desenhos de Rembrandt dela em seu leito de morte estão entre seus trabalhos mais comoventes. No final da década de 1640 Rembrandt deu início a um relacionamento com sua empregada Hendrickje Stoffels.

Rembrandt sobreviveu tanto a Hendrickje, que morreu em 1663, quanto Titus, morto em 1668. Após a morte do filho Tito e da segunda esposa e já no fim da vida, Rembrandt passou a viver em extrema pobreza. Seus únicos pertences eram algumas roupas velhas e alguns materiais de pintura. Um dos seus últimos quadros retratou sua condição de pobreza.

Rembrandt é geralmente considerado um dos maiores nomes da história da arte europeia e o mais importante da história holandesa. É considerado, por alguns, como o maior pintor de todos os tempos. As suas contribuições à arte surgiram em um período denominado pelos historiadores de “Século de Ouro dos Países Baixos“, no qual a influência política, a ciência, o comércio e a cultura holandesa — particularmente a pintura — atingiram seu ápice.

Segundo estudiosos, a pintura do grande mestre divide-se claramente em duas fases distintas.

Na primeira, é evidente a influência de Pieter Lastman que estudou com Caravaggio em Roma por mais de 10 anos. Esta técnica mostra um contraste muito grande com a iluminação da tela, o que confere grande dramaticidade às pinturas, que tinham temática bíblica ou mitológica. A movimentação dos personagens retratados também era muito carregada de expressões intensas, o que colaborava mais ainda na dramaticidade da cena. As pinturas eram menores, mas riquíssimas em detalhes, como vestimentas e joalheria.

A segunda fase começa por volta de 1640, onde Rembrandt utiliza com maior profusão a monocromia em tons dourados, uma influência clara de Caravaggio, um dos primeiros grandes mestres do chiaroscuro, técnica com uma justaposição muito forte entre luzes e sombras, cujo resultado final é um efeito visual impressionante, criada por Leonardo Da Vinci. Porém o clima da pintura, ao invés de movimentos repentinos e fortes, torna-se mais leve, com personagens mais introspectivos e pensativos. A luz passa a ser não só um elemento que compõe o ambiente, mas começa a fazer parte do plano espiritual da pintura, como a luz da alma humana. Os efeitos de luz criam a forma e o espaço e a cor se subordina a estes, daí a ser chamado de mestre das luzes e sombras. A profundidade de seus quadros neste período é intensa, tocando ao extremo o observador. Cada vez mais se aproxima da técnica do grande mestre Ticiano, o que pode ser visto nas finalizações e na qualidade superficial de suas pinturas.

Rembrandt pintava em camadas de tintas, construindo a cena da região mais afastada até a sua frente, com o uso de vernizes entre estas camadas de tinta, que eram bem espessas, o que permitia uma ilusão de ótica graças à qualidade táctil da própria tinta. A manipulação tátil da tinta se aproximava de técnicas medievais, quando alguns efeitos de mimetismo transformavam a superfície da pintura. O resultado final varia muito no manuseio da tinta, sugerindo espaço de uma maneira altamente individual.

As pinturas de Rembrandt são caracterizadas pelo jogo de luz que trabalhava com as cores, ao representar rostos e trajes esplendorosos. Sua paleta de cor se caracterizada por tons de marrons bastante fechados, usando cores brilhantes com pouca frequência. No entanto, os tons fechados entram em contraste com os poucos tons mais brilhantes, conferindo uma luz quase ofuscante que iluminava os rostos dos modelos retratados, dando dramaticidade a cena.

Rembrandt pintou usando basicamente três temas distintos, as pinturas sacras, os autorretratos e os retratos de grupos.

Rembrandt ficou muito famoso pela quantidade de autorretratos que realizou, mais de 100 no total, por 40 anos. Estes autorretratos, que eram leituras psicológicas do autor, foram comparados somente aos que Vincent Van Gogh fez de si mesmo, mais de 200 anos depois. Sempre foi fiel ao rosto que encontrava no espelho, tanto nos momentos felizes quanto nos de desespero, onde encarava as agruras da vida.

Os retratos de grupos estavam em moda na Holanda na época de Rembrandt, onde grupos procuravam os pintores para terem seu retrato imortalizado em uma tela, e ainda podiam dividir os custos da produção entre si. Apesar de ter pintado apenas quatro retratos em grupo, dois dos mais famosos quadros de Rembrandt encontram-se nesta temática, A Aula de Anatomia do Dr. Tulp, em exposição no Museu Mauritshuis, em Haia e A Ronda Nocturna, no Rijksmuseum, em Amsterdã.

Em muitas pinturas bíblicas, como A Subida da CruzJosé Contando Seus Sonhos e A Stoning de São Estevão , Rembrandt pintou-se como personagem na multidão. Acredita-se que Rembrandt tenha feito isto pois, para ele, a Bíblia era um tipo de diário, uma conta sobre os momentos de sua própria vida.

Rembrandt era, e ainda é, muito famoso pela qualidade das suas gravuras. As gravuras consistiam de uma técnica aperfeiçoada e simplificada pelo próprio pintor, por volta de 1630, onde ele gravava placas de metal com um buril e depois, com a utilização de alguns ácidos, corava estas ranhuras feitas nas placas, marcando-as. Com o auxílio de uma prensa ele transpunha esta imagem gravada na placa de metal para o papel, resultando em lindas gravuras. O nome desta técnica é água-forte.

Muitas delas permanecem até hoje, algumas sendo encontradas no Museu Rembrandt, em Amsterdã. Gravuras estas que percorrem o mundo em exposições temporárias, a fim de que outros possam apreciar as obras do grande mestre.

Tanto na pintura como na gravura, ele expõe um conhecimento completo da iconografia clássica, que ele moldou para se adequar às exigências da sua própria experiência; assim, a representação de uma cena bíblica era baseada no conhecimento de Rembrandt sobre o texto específico, na sua assimilação da composição clássica, e em suas observações da população judaica de Amsterdã. Devido à sua empatia pela condição humana, ele foi chamado de “um dos grandes profetas da civilização”.

Uma das suas gravuras mais famosas é intitulada “Parábola do servo impiedoso”, onde o artista representa Cristo pregando aos pobres e pessoas humildes ao Seu redor.

Uma carta publicada em 2003 por Margaret S. Livingstone, professora de neurobiologia na Harvard Medical School, sugere que Rembrandt, que era estrábico, sofria de alteração na estereopsia, uma impossibilidade ou dificuldade de enxergar tridimensionalmente. Esta conclusão foi descoberta após o estudo de 36 autorretratos. Por não poder formar uma visão binocular normal, seu cérebro automaticamente mudava a visão para apenas um olho, a fim de realizar várias tarefas. Esta afecção pode tê-lo ajudado a deixar planas as imagens que via, e a colocá-las de maneira bidimensional na tela. Livingstone afirma que isto foi uma vantagem para o pintor: “Professores de arte sempre orientam os alunos a fechar um olho a fim de deixar plano o que estão vendo. Além do mais, a cegueira estéril pode não ser uma disfunção e sim, um auxílio, para alguns artistas”.

Rembrandt foi autor de mais de 300 obras entre pinturas, gravuras e desenhos. Ele faleceu em 04 de outubro de 1669 aos 63 anos, levando uma vida de extrema simplicidade quase entregue ao esquecimento, porém criando até o último instante. Foi sepultado ao lado de seu filho Tito.

 

 

 

Fonte:  Infoescola  Rembrandt

Referências:

Pinacoteca Caras. São Paulo: Editora Abril, 1998, nº 15.

GOMBRICH, E.H. A história da arte. Rio de Janeiro: LTC, 2013.

 

Fonte Complementar:  Wikipedia  Rembrandt

 

 

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