Resenha do Filme Francês “SAMBA”

 

 

Logo na abertura, retratando o contraste entre uma festa animada num hotel de luxo parisiense e os bastidores  numa silenciosa cozinha, onde um homem solitário lava pratos, o filme “Samba”  mostra que quer falar sobre este hiato que existe entre dois mundos e como a sociedade francesa lida com a imigração.

Com os mesmos diretores (Eric Toledano e Olivier Nakache) e o mesmo ator  (Omar Sy)  do bem sucedido  “Os Intocáveis”, esta simpática produção francesa, estrelada por Charlotte Gainsbourg, a filha de Serge Gainsbourg e de Jane Birkin, cantora e musa do laureado cineasta dinamarquês, Lars Von Trier em várias produções, como  “Anticristo” (pelo qual recebeu o prêmio de Melhor Atriz em Cannes, em 2009) , “Melancolia”  e  “Ninfomaníaca” , mistura na dosagem certa, drama, romance e humor , para nos dar uma visão “vista  de  dentro”   desse  que é um dos grandes dilemas contemporâneos : a questão  da Imigração e do embate de civilizações por ela criado.

Embora “Samba”  se  refira ao nome do protagonista, um senegalês, que ao longo de 10 anos busca com imensas dificuldades regularizar  sua situação no país hospedeiro, submetendo-se aos mais variados – e desqualificados – “bicos” , o Brasil não deixa de estar presente, alegoricamente pelo título do filme, pela menção direta ao nosso país por um dos personagens, pela trilha sonora com temas de Jorge Benjor e Gilberto Gil, que explicita mais uma vez o fascínio exercido pela boa MPB na França,e,  sobretudo, pela  nossa identificação com a alegre e colorida cultura do senegalês,, em contraste com as tendências depressivas da francesa…

É justamente desse contraste e da mútua atração e da ajuda entre os dois personagens principais que fica a grande mensagem do filme: “ninguém é tão pobre que não tenha nada a dar, nem tão rico que não tenha nada a receber”.

 

 

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