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RETALHOS A GRANEL DE PAULO MONTEIRO, PARTE 17: “PARA O BEM OU PARA O MAL”

É com muito orgulho que informo que com este artigo completo neste 07 de Setembro festivo 17 edições da série RETALHOS A GRANEL DE PAULO MONTEIRO, uma série iniciada em 11 de abril de 2017 e que está inteiramente disponibilizada para leitura no meu site, Cults & Raridades, clicando nas seções de Política/Atualidades.

Essa série de artigos teve e tem a finalidade explícita de expressar apoio irrestrito ao luminoso e bem aventurado trabalho da LAVA JATO. Não é por outro motivo que a foto que os identifica leva sempre o título “Operação Lava Rato”. Imagino que todos neste país já tenham noção do “porquê” da alteração de uma consoante no título.

(Paulo Monteiro)

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A nomeação feita pelo Presidente Jair Bolsonaro, de Augusto Aras, advogado e professor de Direito da Universidade de Brasília, para o cargo de Procurador Geral da Nação em substituição a Raquel Dodge pode ser considerada polêmica.

Polêmica porque começou por levantar interrogações até sobre as inclinações ideológicas do candidato. Uma discussão à qual não se furtou o próprio Augusto Aras, por ocasião de uma entrevista feita quando seu nome foi ventilado como um dos prováveis candidatos ao cargo, na qual declarou que “ser de esquerda ou de direita, do ponto de vista acadêmico, é uma discussão superada na ciência política”.

Convenhamos que tais palavras sinalizam um começo equilibrado e até desejável para alguém que irá ocupar um cargo técnico num país dividido, em que tudo o que mais se pede é que exista o exercício honesto e imparcial da Justiça e da Ordem, despido dessa inclinação ideológica que tem envenenado nosso cotidiano e conduzido ao descarrilamento do país nos últimos anos.

Se isso não bastar aos mais precavidos, cabe acrescentar que sua escolha foi avalizada por gente que cultiva uma distância considerável do hegemônico radicalismo esquerdista que dominou o país até à ascensão de Bolsonaro. E isso significa muito, gostemos ou não gostemos pessoalmente de quem avalizou a indicação do Dr. Aras e das forças que sem dúvida alguma o aprovaram para o exercício desse cargo. Não sejamos ingênuos e arrogantes, a ponto de duvidar de tal aprovação.

Por outro lado, a existência dessa controvérsia, alimentada pela já habitual profusão de opiniões de centenas de articulistas, improvisados, como eu mesmo, ou não, e por milhares de opiniões desencontradas e por vezes descabidas e radicais, cada qual defendendo seus pontos de vista, não causa a menor estranheza e não poderia ser diferente, no Brasil que hoje se desenha aos olhares mais atentos. Afinal, qual atitude do recém-empossado governo não seria considerada dessa forma e submetida a infindáveis discussões na atual conjuntura do país?

Contudo, é inegável que tal escolha assinala um marco visível na trajetória conturbada do governo eleito. Um pêndulo a assinalar com demasiada clareza e precisão o ponto de equilíbrio atingido pelo Governo Bolsonaro. Seria demasiado irreal imaginar que poderíamos ir muito além desse ponto, neste momento.

Pois, para além de todas as infindáveis controvérsias despertadas por essa nomeação, é inegável que existe uma imensa coerência a ser analisada na escolha presidencial. Uma coerência que coroa tantos acertos e alguns possíveis desacertos nas escolhas de Bolsonaro, mas, que demarca os limites do que seria possível merecermos como coletividade de mais de 200 milhões de almas, com suas diferenças aparentemente intransponíveis e suas profundas lacunas, no nosso estágio atual como Nação.

E Bolsonaro, nunca é demais recordar, foi democraticamente eleito pela maioria dos cidadãos brasileiros, num processo de isenção e lisura eleitoral, provavelmente inédito para todos nós. E, portanto, nos representa legitimamente. Como os vários governos anteriores nos representaram, embora com sérias dúvidas se com tanta isenção eleitoral assim. Mas, que nos representaram é um fato. Para o bem ou para o mal.

Se por um lado, devemos a Bolsonaro e seu governo os incontáveis avanços trazidos pelo trabalho e pelos esforços de um governo extremamente competente, ainda mais se considerarmos a herança de país inteiramente à deriva por eles recebida e a oposição infernal que lhes é movida tanto por um sistema poderoso solidamente encastelado nos postos chaves governamentais e cioso de seus privilégios, quanto por uma oposição vil e baixa, cujo único propósito é derrubar e inviabilizar o atual governo, a qualquer custo, para retomar o poder, faz-se mister observar, também, em nome da verdade, que a escolha de um candidato visceralmente ligado à Lava Jato e aos ideais de Ética, Justiça e retidão reconhecidamente draconiana, como Deltan Dallagnol, algo que muitos de nós provavelmente desejaríamos e a quem apoiamos com inteiro fervor, soaria inteiramente dissonante não apenas para os limites necessariamente impostos pela figura de Jair Bolsonaro.

Observe-se que, em tal constatação não vai nenhum demérito à figura Presidencial, antes pelo contrário; apenas a consideração devida à sua dimensão humana e política e às brutais dificuldades que atravessa, e também como necessário ato de justiça que nos merece, ou deveria merecer a trajetória até agora brilhante de um ser humano e, portanto, com todos os limites e incongruências que todos nós temos, não esqueçamos.

Mas, sobretudo, soaria dissonante, profundamente utópico e demasiado idealístico para o que nós, brasileiros, merecemos como fruto exclusivo de nossas escolhas e de nosso atual estágio evolutivo. Estamos exatamente onde merecemos estar. Para o bem ou para o mal!

Provavelmente a opção por Dallagnol caracterizaria um imenso salto quântico que estaria ainda muito distante de nos representar como coletivo e uma aberração logística para a qual estaríamos certamente inteiramente despreparados. E a escolha de Bolsonaro, em tal contexto, nada mais é do que a representação exata dos limites de nosso despreparo. Está tudo certo. Para o bem ou para o mal!

Limites impostos por carregarmos o peso de um provável futuro bastante problemático e preocupante, pois se apoia numa juventude vitimizada por longos anos de deseducação, algo que nos “outorga” o indesejável “galardão” de ser uma das nações aferidas com os piores índices no quesito educacional. Limites criados por parcela considerável de cidadãos, cegos e fanatizados, a apoiar ainda, aberta e desavergonhadamente, criminosos da pior estirpe. Um vexame! Limites que nos condenam a ter que recorrer cotidianamente aos bem-vindos avanços tecnológicos trazidos pelas redes sociais, (com seus muitos defeitos e falhas, mas, ainda assim o único recurso informativo minimamente confiável de que dispomos, para o bem ou para o mal), para tentar escapar à manipulação nauseabunda de uma mídia corrompida e inteiramente tendenciosa, para a qual o rigor dos fatos e das verdades é quase sempre algo inteiramente dependente da inclinação ideológica – ou financeira – de quem escreve. Limites que ainda são representados por Poderes quase inteiramente viciados num modelo de governar de conchavos de um coronelato pré-histórico, acobertado sob o manto abjeto do Foro Privilegiado. Limites regidos pela promiscuidade absoluta de códigos de lei mastodônticos e pelo achincalhe de incontáveis e labirínticas “chicanas” plantadas exclusivamente para garantir a impunidade dos amigos do rei. Ou dos muitos “reizinhos” privilegiados pelo rei e seus amigos mais espertos.

Culpa nossa? Sem dúvida. Exclusivamente! Afinal, digam o que disserem, argumentem o que quiserem, não temos como fugir da constatação de que somos inteiramente responsáveis pelas escolhas que praticamos. Ou deixamos de praticar. Consciente ou inconscientemente!

E, quem sabe, conseguirmos entender a grandiosa verdade contida naquela cena magistral – e ficcional – do filme “Gladiador”, quando a impoluta figura do imperador Marco Aurélio pronuncia a derradeira frase de sua vida, poucos segundos antes de falecer, asfixiado pelas mãos do próprio filho: “Cômodo, seus defeitos como filho são meus fracassos como pai”. De arrepiar!

Posto isso, perante esse quadro de naturais incertezas abertas por uma escolha que muitos julgam ainda longe da que seria desejável no país que idealizamos, optamos por ficar com a constatação de que muito já caminhamos. E, sem dúvida, muito desse mérito o devemos ao governo Bolsonaro. Se mencionar alguns desses méritos pode causar celeuma em muitos, o que está longe de ser o objetivo deste artigo, um há que todos irão concordar inteiramente: se éramos um coletivo conhecido pela apatia e pela indiferença política, algo que é inegavelmente o principal responsável pelo estágio de subdesenvolvimento que ainda exibimos, hoje podemos gabar-nos de ser já uma nação ativamente politizada em quase todos os segmentos da sociedade.

Se é fato que uma coletividade de pessoas omissas, alienadas e indiferentes às normas e meandros políticos que regem seu destino está condenada a sofrer a tirania e o jugo dos espertos e oportunistas que com isso se importaram, como de fato ocorreu em nosso passado recente, tal conquista representa indubitavelmente um avanço evolutivo invejável que devemos ao atual Governo. A mais ninguém. Estamos hoje bastante mais distantes de ser a massa de manobra descartável e manipulável que um dia representamos para líderes predadores, populistas e inteiramente descompromissados com os interesses da coletividade. E isso é irrevogável. Jamais voltaremos a ser o que fomos.

E é nesse contexto que Sergio Moro, Marcelo Bretas, Deltan Dallagnol, Gabriela Hardt, Vallisney Oliveira e tantos outros jovens que despontaram ao longo desse fantástico processo de depuração que estamos atravessando e que foi aberto, sobretudo, pela Lava Jato, permanecem sendo a reserva moral que já se incorporou a nosso patrimônio ético e uma garantia real de que o Brasil, mesmo com todas as brutais dificuldades a serem transpostas é sim um país viável. Não apenas uma promessa inatingível!

Seja qual for o futuro a ser descortinado pela atuação do novo Procurador Geral e malgrado a oposição feroz de seus detratores e inimigos – os muitos corruptos e criminosos por ela atingidos e as forças poderosas com eles aliadas -, a atuação da Lava Jato é hoje uma realidade tangível e indestrutível que jamais poderá ser desfeita, independentemente até de quem a comande.

Por já estar solidamente enraizada nos sentimentos e na alma do povo brasileiro, como bem o provaram as recentes e monumentais manifestações orquestradas a seu favor em todas as principais metrópoles do país, o Brasil jamais voltará a ser o mesmo campo aberto para o crime e a corrupção social que grassavam antes de seu advento e muito menos a “pátria gentil” a germinar impunemente as centenas de predadores que durante tão longos anos lhe corroeram as entranhas. As cortinas desse teatro macabro vão lentamente se cerrando para desespero e estertor dos inimigos da pátria. É apenas uma questão de tempo para celebrarmos o fim definitivo dessa festa de mamatas pantagruélicas e de ilicitudes deixadas impunes!

Quanto à nomeação em si e às incógnitas que desperta, é curioso observar que “o direito de arrependimento previsto em contrato e a devolução das arras” já são procedimentos previstos pela jurisprudência de nosso Código Penal. Todavia, a nós, como brasileiros que nos dizemos patriotas, resta-nos, neste momento, torcer com a dignidade e patriotismo que afirmamos possuir para que a inexistência de um singular “r” possa fazer toda a diferença que o país avidamente necessita, após a nomeação do ilustre causídico para cargo tão crucial no combate à corrupção e ao crime. Chega de bancar o tolo inimigo da pátria, dando tiros no próprio pé!

É exatamente nesse sentido que devemos analisar o momento trazido pela nomeação do atual Procurador Geral. Como um pêndulo radiestésico que deveria sinalizar o momento em que precisamos relevar o turbilhão de preocupações e de obsessões políticas e ideológicas que tanto nos tem afligido ultimamente, para cultivar as simples, por vezes até fúteis, mas sempre deliciosas ocorrências do nosso cotidiano, quiçá um pouco negligenciadas ao longo desse processo: o churrasco despretensioso com os amigos e familiares, o afago e a preocupação com nossas crianças, o passeio matinal com os pets de estimação, a flor gentil de cada momento a ser cultivada e presenteada ao ser amado e, acima de tudo, a delícia de usufruir o indispensável momento de introspeção e diálogo consigo próprio. Recuperar um pouco da placidez no olhar e no sentir, tão necessários ao crescimento interior e à paz do espírito!

Não uma ruptura com o processo de integração à vida política do país e um retorno à alienação de outrora, mas, como o próprio símbolo pendular indica, um oscilar equilibrado entre preocupação e leveza, ruído e silêncio, movimento e quietude!

Afinal, a quem sobrar um pouco de sensatez, restará dizer como Júlio César em frente ao Rubicão: “alea jacta est”! A sorte está lançada!

Para o bem ou para o mal!

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