Scott Walker (1943 – 2019)

Noel Scott Engel, mais conhecido como Scott Walker (1943 – 25/03/2019) foi um cantor, letrista e compositor estadunidense. Scott nasceu no estado americano de Ohio e cresceu na Califórnia, mas se mudou para Londres nos anos 60, cidade onde passou a viver. Por isso, também se dizia britânico.

 

 

Scott iniciou sua carreira como ator infantil e cantor ainda nos anos 50, apresentando-se no programa de TV do cantor Eddie Fisher. Em 1964, formou a dupla The Walker Brothers, acompanhado de John Maus, que passaria a usar o nome artístico John Walker. Os singles The Sun Ain’t Gonna Shine (Anymore) e Make It Easy on Yourself, lançados pelos Walker Brothers, alcançaram o número 1 nas paradas musicais do Reino Unido. Adotou o Walker em seu nome por causa da banda, embora ele e os outros integrantes do trio não fossem parentes.

Já em carreira solo, nos final dos anos 60, lançou seus primeiros 05 discos, onde se destacam os álbuns Scott (1967), Scott 3 (1969) e Scott 4 (1969), incluindo um álbum com as músicas cantadas em um especial que foi ao ar na emissora BBC. Todos eles são hoje discos cultuadíssimos e itens de colecionador. É dessa época a canção Lights of Cincinnati que fez imenso sucesso no mundo da música. Com a fantástica voz de barítono Scott Walker lembrava os grandes crooners da época, com melodias e arranjos orquestrais belíssimos, mas as letras agridoces e marcantes pouco se assemelhavam a de seus pares.

A partir daí, Scott fez um percurso que partiu do centro da indústria musical e do epicentro da cultura juvenil anglófona da década de 1960, que irradiava do Reino Unido, com cantores de cabelos longos e fãs estridentes, para a periferia, transformando-se em ícone da música POP experimental e grande influência da criação musical.

Um bom exemplo do “porquê” ele fazia um som chamado pela crítica de “art pop” foram os álbuns “Scott 3” e “Scott 4”, de 1969, talvez suas obras primas. Na época do lançamento não foram bem recebidos, mas depois passaram a ser celebrados e cultuados. “Scott 4”, por exemplo, tinha referências à obra do escritor franco-argelino Albert Camus e ao cineasta sueco Ingmar Berman.

Na longa fase final de sua carreira, suas músicas passam a ser caracterizadas por temas experimentais, fator que marcou sua carreira. Seu estilo musical associado à voz profunda influenciaram artistas diversos, como David Bowie, StingThom Yorke do Radiohead,  Jarvis Cocker do Pulp,  Nick Cave e Neil Hannon do The Divine Comedy, todos eles dizendo-se marcados pelo seu trabalho e atitude perante a música e a indústria.

Em 2006, o documentário Scott Walker: 30 Century Man, dirigido por Stephen Kijak, contou sua carreira. O filme contou com entrevistas de artistas como Bowie, Sting e Damon Albarn, que falaram da influência de Walker sobre seus trabalhos. Em 2017, a BBC fez uma homenagem à Scott Walker no Royal Albert Hall de Londres.

Scott Walker é um dos rostos e também – como titula a BBC na manhã desta segunda-feira – um dos enigmas do rock das últimas décadas. “Quem é que sabe alguma coisa sobre Scott Walker?”, perguntava retoricamente David Bowie num documentário sobre o músico. O seu legado é tanto de autor como de influenciador: afastou-se rapidamente da fama, apesar de ter começado como um ídolo juvenil com voz de barítono, mas, como sublinha a editora independente, “o estilo de vida das superestrelas não era para Scott”.

Ele também compunha trilhas sonoras para filmes. O mais recente trabalho de Scott foi a composição para a trilha do filme “Vox Lux”, em 2018. O filme é estrelado por Natalie Portman, Raffey Cassidy e Jude Law.

Scott Walker morreu nesta segunda-feira (25), aos 76 anos, segundo a gravadora 4AD. A causa da morte não foi revelada no comunicado. Scott Walker é um dos grandes ídolos deste site.

 

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