A Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner

De uma forma empírica, o termo “inteligência” é usualmente definido em dicionários como sendo a faculdade que o indivíduo possui de conhecer e apreender!

Inicialmente, os únicos parâmetros utilizados para avaliar a inteligência  das pessoas restringiam-se aos testes de Psicometria desenvolvidos por Terman na Faculdade de Stanford (California)a partir de 1916, e que se utilizavam de um instrumento criado no início do século XX pelo francês Alfred Binet para testar a habilidade de crianças e adolescentes nas áreas verbal e lógica: eram os famosos teste de Q. I.  (Quociente de Inteligência) segundo a Escala Stanford-Binet.
No começo o sucesso foi tanto que várias versões aperfeiçoadas desse teste foram surgindo e estabeleceu-se a ideia de que ser ou não inteligente estava relacionado à capacidade de responder a itens em Testes de Inteligência, o que originou a criação do Fator G (Fator Geral de Inteligência), baseado em dois tipos de inteligência: a linguística e a lógico-matemática. Com o aprofundamento do conhecimento científico e tecnológico, em escala exponencial sobretudo no último quarto do século passado, logo se constatou que os testes de Q.I. mediam apenas um subconjunto reduzido e irrelevante daquilo que seriam as reais capacidades do cérebro humano.
A partir de 1985, estudos levados a cabo pela Universidade de Harvard e liderados pelo Psicólogo Howard Gardner – discípulo do epistemólogo suíço Jean Piaget –  e que culminaram com a publicação do livro “The Shattered Mind”, demonstraram cabalmente que as capacidades e habilidades cognitivas são muito mais diferenciadas, específicas e complexas do que se acreditava no passado. Como resultado de tais pesquisas, foram identificados inicialmente sete tipos de inteligência humana que deram origem à Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner; posteriormente foram acrescentados mais tipos, ficando bastante claro que com o aprofundamento científico dos vários estudos e pesquisas sobre o assunto outros tipos ainda poderão ser considerados.  Os oito tipos de inteligência apontados pela Teoria de Gardner (posteriormente acrescidos do Existencial)  são os seguintes:

 

 

 

 

Lógico-matemática – Corresponde à capacidade de confrontar e avaliar objetos, conceitos e abstrações, percebendo as suas relações e princípios subjacentes. É a habilidade necessária para raciocínio lógico e dedutivo e para solucionar problemas matemáticos. Esta característica identifica-se, por exemplo, entre outros, em matemáticos, cientistas e filósofos.

 

Linguística – Caracteriza-se por um domínio e gosto especial pelos símbolos linguisticos, idiomas e palavras, uma capacidade de lidar com esses símbolos e os seus significados, em conjunto, quando organizados em texto, e por um desejo de os explorar. É predominante em poetas, escritores, e linguistas.

 

Musical – É a habilidade para compor e executar padrões musicais, com a capacidade de memorização e reprodução a partir dessa memória, com discernimento de ritmo, timbre, estrutura, melodia e harmonia. Neste caso Gardner especifica que pode estar associada a outras inteligências, como a lingüística, a espacial ou corporal-cinestésica. É predominante em compositores, maestros, músicos, críticos de música e aparece por exemplo em bailarinos e atores.

 

Espacial – Caracteriza-se pela capacidade de compreender visualmente o mundo físico com precisão, e permite elaborar conceitos de relações espaciais, transformar, modificar percepções e recriar experiências visuais até mesmo sem estímulos físicos. É predominante em arquitetos, escultores, artistas plásticos, cartógrafos, estrategistas militares, navegadores ou jogadores de xadrez.

 

Corporal-cinestésica – Caracteriza-se pela capacidade especial de controlar e orquestrar movimentos do corpo. É predominante entre atores, bailarinos ou esportistas.

 

Intrapessoal – É a capacidade de se conhecer a si próprio, controlar, conhecer e prever reações, emoções e estados de espírito, estando mais desenvolvida por exemplo em escritores, psicoterapeutas, conselheiros, treinadores ou professores.

 

Interpessoal – Capacidade ou habilidade de entender as intenções, motivações, estados de espírito e desejos dos outros. Pode ser encontrada mais desenvolvida em políticos, religiosos, oradores, comerciais e professores.

 

Naturalista – Traduz-se na sensibilidade para compreender e organizar os objetos, fenômenos e padrões da natureza. São exemplos o reconhecimento e classificação de plantas, animais, minerais, incluindo rochas e gramíneas e toda a variedade de fauna, flora, meio-ambiente e seus componentes. É característica de biólogos, geólogos, por exemplo.

 

Existencial – Apesar de carecer de melhor definição e mais evidências, abrange a capacidade de refletir e ponderar sobre as grandes questões fundamentais da existência, e elaborar de forma abstrata e genérica sobre elas. Seria característica de líderes espirituais, de pensadores e filósofos.

 

 

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Gardner ressalva que estas múltiplas inteligências são “relativamente independentes, têm sua origem e limites genéticos próprios e substratos neuroanatômicos específicos e dispõem de processos cognitivos próprios. No entanto salienta também que potencialmente todos os indivíduos possuem cada uma dessas “inteligências múltiplas” e a capacidade de desenvolvê-las de forma diferenciada, de individuo para individuo, influenciado por fatores vários, no qual não é menos relevante o contexto de desenvolvimento, nomeadamente entre outros o contexto cultural. Neste contexto, não há uma competência intelectual mais importante do que outra, e todos (a não ser por uma anomalia) têm a capacidade de desenvolver todas as inteligências e dispõem de graus variados de cada uma das inteligências e que há maneiras diferentes delas se organizarem e se combinarem.

Ainda de acordo com Gardner, algumas pessoas já nascem com determinadas inteligências, o que torna a genética determinante; no entanto as experiências vividas, os estímulos e o desenvolvimento social são importantíssimos no desenvolvimento dessas inteligências: se uma pessoa nasce com uma inteligência musical desenvolvida, mas as condições ambientais – escola, família, região onde mora – não oferecem estímulos para o desenvolvimento de tais capacidades, pode-se presumir que dificilmente tal indivíduo será um músico.

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