Uma Visita ao MALBA de Buenos Aires

 

Uma Visita ao MALBA de Buenos Aires

O Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires (em espanhol: Museo de Arte Latinoamericano de Buenos Aires,MALBA) é um museu localizado no bairro de Palermo, em Buenos Aires. Abriga em seu interior a coleção de Eduardo F. Costantini, presidente da fundação que fundou e leva seu nome, uma das mais fabulosas no gênero.

Maria Carmen Medeiros, cearense de fortaleza, Contadora de formação, mas Turista em tempo quase integral, com passaporte carimbado pelos quatro cantos do planeta, e jornalista “free-lancer”, apaixonada por arte, brinda-nos com sua crônica  fundamentada em profundo conhecimento artístico, com sua descrição bem-humorada de uma visita a esse imponente Museu Portenho:

 

 

Finalmente consegui aliar minha curiosidade em conhecer o MALBA, em uma rápida viagem a Buenos Aires – exatos 5 dias.

O Museu de Artes Latino-Americano de Buenos Aires possui um patrimônio único no mundo e durante minha visita fiquei impressionada com o acervo por ele exibido permanentemente. Vi a maior parte da arte latino-americana do século XX, reunida ali em pinturas, gravuras, desenhos, esculturas, colagens, fotografias e instalações. As obras de artes apresentadas no primeiro salão são representativas do Modernismo dos anos 10-20, como um Diego Rivera exposto ao lado da tupiniquim Tarsila do Amaral que, com seu Abaporu, nos remete à figura do Pensador de Rodin – isso é assunto para uma reflexão futura – e me faz pensar na influência dos movimentos de vanguarda europeus, que desencadearam proposta relacionadas com o expressionismo, o cubismo e o futurismo. Já os anos 20-30 me fazem pensar, onde adquiro uma expressão quase idêntica à “mulheres com frutas”, de nosso pintor Di Cavalcanti. Entrando na sala da mostra dos anos 30-40 sinto logo o fervilhante clima da época, mescla da Arte/Política e fotografia moderna nos murais de Diego Rivera e o imenso “Festa de São João” de Portinari.

 

Sinto o cheiro do mágico, do fantástico e do incenso das crenças religiosas tão características do período 30-40: e lá vejo a imponente Frida Kahlo no seu “Autoretrato con chango y loro”, difundindo o surrealismo nas bandas de cá.

Quem de nós nunca se aventurou pelas instalações de arte concreta no MAM ou MASP, por exemplo, para ver Hélio Oiticica ou viver Lygia Clark? Pois esses brasileiros estão no Malba mostrando que nos anos 40-60 converteram a cor e a luz em corpos que se materializam ante os olhos do espectador. Na década seguinte as “obras de arte” deixam de parecer obras de arte com o início da arte contemporânea. Os artistas trabalham sobre elementos cotidianos, industriais e palavras. As ideias e conceitos combinam-se com poéticas pop, neofigurativas, minimalistas, neosurrealistas; eis que me encontro frente a frente com as figuras redondas de Fernando Botero na “El viudo” para entender a cena latino-americana da nova tendência.

As 3 últimas décadas do século XX fazem-me refletir em como a arte conceitual desfez a ideia de obra de arte como presença material e como objeto de desejo. A obra de arte transforma-se na obra de arte visual, imposta pelos meios de comunicação de massa, com seus modelos científicos, reflexões psicanalíticas, linguística, estudos culturais e os códigos de comunicações. Nos anos 80 a pintura retoma a cena artística e as grandes telas impactam com suas imagens pictóricas mescladas com cinema, teatro, música, dança, literatura. Parece até que retorno no tempo e revejo uma geleia geral.

0 respostas

Deixe uma resposta

-
Sinta-se livre para contribuir!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *